Professor Leandro Karnal dá aula sobre democracia

O professor Leandro Karnal ministrou aula aberta com o tema: “Democracia e suas expressões e contradições dentro da universidade”, no Auditório da FEAU da UNICAMP, neste dia 07 de junho. O evento foi organizado pelo CACAU (Centro Acadêmico do Curso de Arquitetura e Urbanismo da Unicamp) e reuniu centenas de pessoas.

Karnal apresentou sua defesa da democracia ao citar Rousseau, que afirma que “todo sistema democrático tem uma característica que é a perfectibilidade, a característica plástica que a democracia tem de perceber-se falha e capaz de melhoras”. O professor disse que, mesmo com imperfeições, a democracia é o único sistema capaz de punir a falta de ética, já que nas ditaduras não há denúncias. “Dois dos países mais corruptos do mundo, segundo a Ong Transparência, Coreia do Norte e Somália, têm em comum o fato de serem ditaduras”, ressaltou.

Para ele, o desafio de democratizar tanto a sociedade como a universidade é o costume de confundir conflito e confronto: “conflito é desejável, é algo que mostra a diversidade humana. Confronto é quando eu acho que eu tenho que enfrentar quem discorda de mim, inclusive eliminar, seja pela humilhação do argumento, seja pelo poder físico, seja pelo poder policial. Na ditadura não há conflito algum, considerando que tudo termina no confronto violento”, afirmou Karnal.

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Professor Leandro Karnal (Foto: João Augusto Moreira)

Apesar de crítico dos recentes acontecimentos políticos no Brasil, o professor apontou o lado positivo ao dizer que neste momento existe uma capilarização inédita da política. “Muita gente está exercendo sua vontade, sua opinião”, disse Karnal, que teme o fato do Brasil estar em uma situação em que não consegue sair da polaridade de opiniões, o que ameaça o conflito desejável e aponta para a possibilidade do confronto.

Leandro Karnal pontuou que “este é o grande desafio da nossa geração cosmopolita, exposta às contradições. Contestando, ouvindo essa diversidade, e superando lentamente o medo, que é o pai de todo fascismo. Para que o medo diminua, é fundamental que haja mais debates como este, mais leitura, mais abertura para o mundo, mais aprendizado, mais tolerância”, disse.

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