Produção e meios de produção indígenas

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É como se Elis Regina cantasse Dois Pra Lá, Dois Pra Cá, o falso brilhante a inebriar com falsas promessas, rompendo de vez os laços com a terra.

A incrível imagem da semana, do fotógrafo indígena Kamikia Kisedje, no Pólo Wawi & aldeia Khĩkatxi do povo Khĩsetjê, TI Wawi-MT, fala da aldeia, nas franjas do agronegócio que avança, voraz.

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Por que temem o jeito de viver dos povos originários? Minha alma pergunta em dia de Páscoa. É o verde que assusta, é a onça no mato, é o alimento limpo da terra entre água pura?

Comem a alma da gente.

O poder desses dias quer ver o índio que planta soja, exalta determinada etnia em seu lado empresarial, mesmo que isso nada diga do saber indígena, mas dá essa mensagem o governo aos povos: ganhem dinheiro, muito dinheiro.

Para que invadir mais terras, tantas já estão ao aro das ferramentas, é necessário ocupar mais a terra já tão usada no Brasil?

Creem que terra livre é terra sem árvores, sem abelhas que mordem, sem esse assunto de trânsito livre em rios para os peixes. Querem ordenar o meio ambiente.

Se enganam. Terra Livre é encontro de indígenas de todos os cantos.

Eu, do que sei de índio, índio que vejo e abraço, e são tantos, sempre produziram, e tanto, e tanta mandioca em roçados livres na terra, que se recupera rápido, tanto peixe alegre nas beiras, tantos caldos quentes e suas especiarias. Fruta do mato, mamão da roça, óleos variados.

Fico pensando no que alegra ao poder pensar em índio dirigindo tratores, batendo o laço na calça jeans ou dando ordens nos campos.

Confuso esses tempos, em que a diversidade e diferenças pelo mundo possam a tão poucos ameaçar e amedrontar antigos hábitos de usura.

O universo pop agro desconhece que é junto com a floresta que se faz bom alimento, teme a água pura cheia de matas a abraçarem o trabalho em roça.

É roçado que alimenta a carne da gente, brasileiro, nos rincões, veredas, sertões. O agro quer dividendos, índio faz trabalho, cuida dos seus e de nós.

Ciso, ardo.

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crônica
Um comentário
  • Miriam Camargo
    22 abril 2019 at 8:20
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    O poder nas mãos de um homem insano caminha para a destruição das etnias indígenas, das terras e da cultura que tentam preservar. Os colonizadores do século XV voltaram ao nosso século para terminar o massacre. Triste, muito triste .

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