Porque as aulas não devem voltar: escolas em tempos de coronavírus

Cientistas das mais importantes universidades explicam porque as escolas precisam permanecer fechadas.

Médicos medem a temperatura da paciente. Foto por © Du Zheyu / XINHUA

Nicholas Christakis, médico e cientista da Universidade de Yale (EUA), explicou em uma entrevista para a revista científica Sciencemag (clique aqui para ver a matéria) porque as escolas devem ser fechadas: as crianças podem não enfrentar grandes riscos em relação à doença, porém elas são transmissoras.

O que isso significa?

Enviar as crianças para as escolas é um risco para os pais, os professores e funcionários, como já colocou em evidência o presidente da França, Emmanuel Macron, em uma das suas últimas falas à França. Macron explicou por que as escolas devem ser fechadas, e por que as crianças devem ficar em casa: elas podem ser assintomáticas, mas passam a doença rapidamente para os outros. Clique aqui para verificar a fala de Macron.

Mas… O médico de Yale explicou em detalhes o motivo?

Sim. Para começar, ele diferenciou “reação” e “pró-ação”. “Reação” é quando a escola é fechada porque um aluno, professor ou funcionário foi contaminado pela doença, e “pró-ação” é quando a escola é fechada por medida de precaução.

Na entrevista, ele explicou que há vários estudos sobre os fechamentos por “reação”, inclusive um que foi publicado na famosa revista científica Nature, em 2006, concluiu que a taxa de transmissão foi diminuída em 25% e retardou o pico da epidemia, na região que realizou essa medida, em duas semanas. Já com ”pró-ação”, a taxa de transmissão diminuiu em 40%.

“Quando você posterga a epidemia, você diminui o fluxo da doença e o tempo entre os casos. Isso significa que o número de casos diminui por dia, e assim os hospitais não ficam super-saturados.”, afirmou o médico de Yale

Mas e quando as escolas não tem nenhum caso, como a maioria das escolas e universidades do Brasil, adianta alguma coisa?

O médico afirmou que essa é a medida que, de acordo com as pesquisas, foi a mais eficaz, mesmo entre outras intervenções preventivas (como higienizar as ruas ou usar máscaras).

“Não é sobre manter somente as crianças a salvo, mas sobre manter toda a comunidade segura.”

Ele deu como exemplo um artigo sobre a pandemia de gripe que ocorreu em 1918 nos Estados Unidos (clique aqui para ver a referência do médico), que comparou o que ocorreu nas regiões que agiram somente quando a gripe atingiu as escolas (‘reação’) e as que fecharam antes. Resultado? Os locais que fecharam as escolas antes salvaram mais pessoas.

St. Louis fechou as escolas um dia antes do pico da epidemia, por 143 dias, enquanto Pittsburgh fechou por sete dias depois do pico e somente por 53 dias. Qual foi a diferença? A taxa de morte em St. Louis foi um terço da taxa de Pittsburgh. Um terço!

Tendo em conta que esses dados estão disponíveis para qualquer um na internet, que a origem dessas pesquisas é confiável, que a Europa está realizando essas ações (inclusive explicando para os cidadãos, como fez Macron), é sábio reabrir as escolas agora, sabendo que o pico da doença ainda não chegou ao Brasil?

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2 comentários:
  • Bruna Bonancin
    26 março 2020 at 19:43
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    Eu discordo que o risco de morte seja apenas para os idosos. Estão desconsiderando as inúmeras crianças que possuem doenças crônicas também, como crianças com cardiopatias congênitas graves, com hipertensão pulmonar, com asma, com câncer etc!!!! Se essas crianças se contaminarem, certamente, será fatal para elas.

  • Camila Tenorio Cunha
    27 março 2020 at 8:21
    Comente

    Bruna, sabemos que não é só em idosos, mas é o que a direita tem falado para justificar que as aulas e o comércio podem funcionar. “Já que idosos ficam em casa mesmo. ” O que ainda assim seria terrível. lógico, mas é o que estão falando porque na Itália o maior número de mortos foi entre idosos. Ocorre que o vírus já está mudando e agora tem sido pessoas entre 30 e 39 anos o maior número.

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