O jardim encantado de Dona Isabel

Dona Isabel, a guardiã de um jardim encantado no centro de SP, pede água para regar sua floresta
No centro de São Paulo, ao lado do minhocão, Dona Isabel é a criadora e guardiã de um jardim encantado. Ela pede água para regar sua floresta. Foto de Tatiana Lobão/ Jornalistas Livres

Com Reportagem de Tatiana Lobão, edição de vídeo de Joana Brasileiro e texto de Flavia Martinelli, para os Jornalistas Livres

Em um canto esquecido do Minhocão, bem embaixo do viaduto-ícone da maior aberração urbanística paulistana, floresce uma horta fértil. Enquanto milhares de carros passam apressados, bananeiras crescem em muda ou em pencas, pés de milho se esticam em busca do sol, ervas perfumadas de todo tipo resistem ao monóxido de carbono. Ali, flores misteriosamente insistem em colorir. É possível ver um maracujazeiro maroto trepando num fio de eletricidade abandonado. E, também ali, entre limoeiros e mexericas no pé, entre margaridas, couves, alfaces ou espadas de São Jorge, surge Isabel Clementina Ferreira carregando baldes de água para alimentar tanta fartura.

De olhos espertos, sotaque amineirado e a destreza das formigas, dona Isabel apresenta com orgulho seu canteiro encantado aos Jornalistas Livres. “A água que vem aqui vem lá do céu, ó”, diz enquanto mostra um depositório improvisado num isopor que guarda a chuva. Ela até conta com a ajuda das torneiras da delegacia vizinha, o 77 DP. Mas sem abusos. Gostaria mesmo é de ter uma mangueira de água à disposição para as plantas. Enquanto não há política pública a respeito dos bravos guardiões do verde da cidade, ela aceita doações de litros de água em garrafas para seguir em sua floresta. 

Conheça essa protetora urbana da agroecologia no vídeo e leve seu galão de água no canteiro ao lado do 77º DP (Alameda Glete, 827 – Campos Elíseos). São Paulo agradece e Dona Isabel e sua floresta vão sorrir ainda mais. 

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