O ALERTA QUE PEGASUS NOS TRAZ

O alerta que o espião Pegasus nos traz
Foto de PIRO4D por Pixabay

Pegasus, spyware ou software de espionagem tem sido usado por governos com tendências autoritárias

Já faz algum tempo que o software de espionagem Pegasus, desenvolvido pelo israelense NSO Group e vendido diretamente a serviços de inteligência de governos, tem merecido a atenção de jornalistas no Brasil e, de alguma maneira, de todos aqueles que adotam posições contrárias à de Bolsonaro.

Pegasus começou a chamar a atenção no Brasil após a denúncia de que o vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos) e filho 02 do presidente estaria atuando diretamente em negociações com a NSO, a empresa fabricante, o que foi considerado pelo GSI (Gabinete de Segurança Institucional), chefiado pelo general Augusto Heleno, como uma interferência no processo de licitação para compra de softwares de espionagem.

Na época, o que se justificou como interesse de Carlos Bolsonaro em interferir nas negociações era a possibilidade de criar uma agência de inteligência paralela, gerida pelo mesmo, e que fosse extremamente leal aos interesses do clã Bolsonaro. Após as denúncias, a empresa, que concorria com outras, se retirou da licitação.

Trazendo luz à ameaça que significava a negociação do spyware, informações publicadas recentemente pelo Projeto Pegasus, uma iniciativa composta por cerca de 80 jornalistas e 17 organizações de mídia e coordenada pelo Forbidden Stories, com apoio técnico da Anistia Internacional, constatou o que se especulava: Pegasus tem sido usado por governos com tendências autoritárias para vigiar desde chefes de Estado a ativistas e jornalistas.

A iniciativa revelou a existência de 50 mil nomes em lista vazada e a promessa do consórcio formado é liberar aos poucos os nomes que estão na lista. Nela já foram confirmados políticos como Emmanuel Macron (presidente da França); Rahul Gandhi ( principal opositor do primeiro-ministro da Índia); Cyril Ramaphosa (presidente da África do Sul); e Imran Khan (primeiro-ministro do Paquistão), além de mais de 180 editores, repórteres investigativos e outros jornalistas ao redor do mundo, entre eles Roula Khalaf, primeira mulher a ocupar o cargo de editora-chefe do “Financial Times”, de acordo com as revelações publicadas pelo jornal inglês “The Guardian”.

No entanto, é fato que a espionagem e seus escândalos não são de hoje, e o Pegasus não seria novidade relevante se não fossem dois fatores:

  • Comumente, as ferramentas de espionagem são desenvolvidas por agências governamentais, como a ferramenta da NSA, alvo do último grande escândalo de espionagem massivo. Já o Pegasus é uma ferramenta feita por uma empresa privada e vendida a governos diversos.
  • Em geral, até onde tínhamos conhecimento, softwares de espionagem (spywares) precisavam de alguma interação do usuário para se instalar no aparelho. Com o Pegasus isto é apenas uma opção. Uma outra é invadir por meio de vulnerabilidades em aplicativos e programas instalados no aparelho ou ainda por meio da conexão a algum site.

O primeiro fator descentraliza o poder de informações dos governos, e fortalece a capacidade de influência do setor privado. O segundo facilita o trabalho de espionagem, ao mesmo tempo que dificulta a vida daqueles que são potenciais alvos de espionagem. Além disso, a publicização de até onde tecnologias de vigilância avançaram nos deixa uma pergunta inevitável:

O que os concorrentes do Pegasus que permaneceram disputando a licitação no GSI são capazes de fazer?

Neste vídeo, em inglês, é possível ter uma ideia do alcance do espião:

Pegasus: a tecnologia de spyware que ameaça a democracia

O não-conhecimento aprofundado do Pegasus, bem como o de seus concorrentes, de certa maneira nos bloqueia, nos impede de ter defesas totalmente eficazes contra a vigilância, mas nos deixa o alerta de que todo o cuidado é pouco. E que em tempos de democracia ameaçada, toda informação sensível deve ser tratada com o máximo cuidado.

Ainda assim, caso se queira diminuir as chances de vigilância constante é possível adotar os seguintes procedimentos:


1) Mantenha seus softwares e aplicativos sempre atualizados. As atualizações corrigem vulnerabilidades, e te mantém protegido até que a próxima vulnerabilidade seja encontrada;
2) Não entre em sites que não tenham conexão segura (SSL);
3) Formate seu computador, celular e dispositivos regularmente;
4) Troque regularmente suas senhas;
5) Revise regularmente os aplicativos que têm acesso ao seu dispositivo;
6) Se for conversar sobre algum conteúdo sensível, mantenha o celular afastado.

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