MPF abre investigação sobre as falas de Nelson Piquet que pede morte de Lula

Piloto aposentado de Fórmula 1, e motoristas de Bolsonaro na posse de 2019, fala em vídeo “É Lula lá no cemitério”
Ex-piloto de Fórmula 1, Nelson Piquet, faz declarações em manifestação bolsonarista Créditos: Reprodução

O Ministério Público Federal (MPF) deu início a uma investigação sobre declarações feitas pelo ex-piloto da Fórmula 1 bolsonarista, Nelson Piquet, sob suspeita de incitação ao crime e fomentando animosidade entre as Forças Armadas e os Poderes. O piloto aposentado foi apelidado de “motorista de Bolsonaro” após ter dirigido o carro do político do PL em sua posse como Presidente da República em janeiro de 2019. O órgão abriu o inquérito após receber uma representação com a gravação do bolsonarista. No vídeo, Piquet fez alegações antidemocráticas e pediu a morte do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT). 

“Vamos botar esse Lula, filho de uma p…., para fora”, declarou em manifestação bolsonarista três depois de Luiz Inácio Lula da Silva vencer as eleições. O ex-piloto ainda incitou: “É Lula lá no cemitério, filho de uma p….”. A gravação foi feita durante uma das manifestação antidemocrática bolsonaristas que contestava o resultado das eleições e pedia por intervenção militar, que acontecem há 5 dias em alguns pontos do país. 

Confira o vídeo (abaixo):

De acordo com o MPF, as declarações do ex-piloto bolsonarista não se limitam à mera liberdade de expressão diante do descontentamento do resultado das eleições, o que seria seu direito constitucional como cidadão. As falas registradas em vídeo tratam-se de incitações de ódio contra Lula e contra a democracia, claramente institucionais.  Além disso, “foram ditas em gravação realizada em público e durante atos com milhares de pessoas, evidenciando-se a ciência de que viriam a ser difundidas ou divulgadas.” 

Em último lugar, a Procuradoria ressaltou que Nelson Piquet é uma pessoa de notoriedade pública e, por isso, “deveria saber que suas declarações têm o potencial de alcançar centenas de milhares de pessoas”. Esse fato se agrava em um ambiente que já se manifesta um pedido por intervenção militar por bolsonaristas há 5 dias. 

“Nessa linha, há fortes elementos extraídos das circunstâncias em que foram proferidas as declarações que autorizam a necessidade de investigação dos fatos”, afirmou o procurador Paulo Roberto Galvão de Carvalho, que assina o pedido.

Até o momento, o motorista de Bolsonaro não se pronunciou sobre o caso.

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