Internação de Bolsonaro vira tábua de salvação política

Entre a internação de Bolsonaro e a viagem de Mourão para a África, existe um mundo de crimes cometidos pelo Executivo. Procura-se um governo para o Brasil
Internação de Bolsonaro depois da crise de solução
Internação de Bolsonaro depois da crise de solução

Não cabe desconfiar, por antecipação, da gravidade dos motivos que levaram à nova internação de Jair Bolsonaro –embora tudo que o envolva sempre esteja cercado de névoas. Principalmente para quem não é do ramo da medicina.

Por Ricardo Melo

Tampouco cabe torcer para que o capitão convidado a se retirar do Exército deixe o Planalto por problemas de saúde. Que ele se recupere o mais rápido possível para que possa responder, são e salvo, pela montanha de crimes cometidos contra o povo brasileiro.

É inegável, porém, que o evento, politicamente falando, acontece num momento em que o presidente está acuado por todos os lados.

Diante de parte do povo, doenças, como sempre, tendem a amenizar os delitos de pacientes. Trata-se de um instinto de compaixão natural de todo mundo que guarda algum sentimento humanitário. Sentimento que sempre faltou a Bolsonaro e escancarado durante a pandemia que assola o planeta.

Internação para o milico de extrema-direita e escárnio para o povo

O milico de extrema-direita e a turma que ele comanda são os maiores responsáveis pela morte de mais de 530 mil brasileiros e o desespero de famílias inteiras –além do processo sistemático de destruição das poucas conquistas democráticas e sociais pós-ditadura militar.

Nenhuma dessas famílias e as vítimas da Covid tiveram direito ao tratamento VIP destinado ao presidente eleito com base em fake news.

Ao contrário: viram-se privadas de oxigênio, de leitos em hospitais, de vacinas, de alertas sobre o potencial mortífero do coronavírus e de auxílio financeiro à altura da gravidade do momento.

Enquanto centenas de milhares de covas iam se abrindo, estes brasileiros foram e são alvo de troças e desprezo por parte do Planalto e sua tropa. Dispensável lembrar as frases e atitudes de Bolsonaro a respeito.

Coincidência ou não, a internação de Bolsonaro ocorre num momento em que até setores que o apoiaram resolvem abandonar do barco que aderna a olhos vistos. A CPI da Covid tem demonstrado que a pandemia serviu ao governo para negócios escusos, em que a vida de cada cidadão foi cotada a um dólar.

Percebe-se que não apenas a doença foi minimizada e ridicularizada como considerada uma oportunidade para engordar os cofres de empresários, de Bolsonaro e de militares que invadiram os gabinetes do serviço público.

Os depoimentos no Congresso são inequívocos: uma coleção de mentiras e contradições poucas vezes vistas em Brasília.

A verdade é que o país está literalmente desgovernado. Sendo mais claro. O programa em vigor não vai muito além de ceifar o pouco que os pobres e a classe média ainda têm. Do ponto de vista ideológico, a diretiva é o obscurantismo em todos os sentidos.

Orações substituíram propostas de superação dos problemas reais e bem mais terrenos. Cada ministério faz o que quer. O “posto Ipiranga” Paulo Guedes chega ao ponto de falar que errou na dosagem da reforma tributária que tramita há séculos no escurinho do Parlamento.

Independentemente da internação de agora, Bolsonaro já evidenciou problemas clínicos bem mais severos que soluços. Um desequilíbrio patológico, a sede pelo dinheiro público e incapacidade de dirigir honestamente uma barraca em calçada que seja. Seu prontuário criminal é de fazer inveja a Al Capone.

Bolsonaro atualmente vive da caça a apoios de comandantes militares desqualificados, ministros do Supremo “terrivelmente” bolsonaristas e apoio de gente como Arthur Lira, presidente da Câmara investigado por desvio de dinheiro do povo e que abafa mais de uma centena de pedidos de impeachment.

Pergunta que não quer calar: se a situação do presidente é tão grave, como seu substituto imediato, o vice Mourão, foi liberado para viajar para Angola mesmo depois de saber da hospitalização do superior?

A doença, providencial ou não, parece ser um último recurso para tentar salvá-lo, a famiglia e acólitos da barra dos tribunais. A foto estampada nas redes sociais, explorada por Bolsonaro e filhos, beira o desespero. Os textos que a acompanham, idem.

Que a moléstia não seja grave, seja qual for a causa, para que esta “anistia clínica” não sirva para livrá-los dos rigores da lei e da democracia. Doente ou não, Fora Bolsonaro Já.

Leia mais textos de Ricardo Melo AQUI

COMENTÁRIOS

POSTS RELACIONADOS

Lula acerta na economia?

Até agora o governo Lula 3 se configura como independente e assertivo na área econômica. Pode-se dizer que fosse economista, o Lula atual seria um desenvolvimentista, keynesiano e heterodoxo.