Alunos de colégio de elite compartilham conteúdo racista, nazista e misógino

Alunos criaram o grupo após vitória de Lula e compartilharam referências a Hitler
[Imagem: Reprodução]
Colégio Visconde de Porto Seguro (Unidade Valinhos) [Imagem: Reprodução]

“Quero que esses nordestinos morram de sede”, compartilhou um dos membros do grupo. Outro postou uma foto de Adolf Hitler acompanhada pelo texto “se ele fez com judeus, eu faço com petistas também”. Estudantes do Colégio Visconde de Porto Seguro (Unidade Valinhos) criaram um grupo de Whatsapp no último domingo (30) com cerca de 30 alunos após a vitória de Lula nas últimas eleições. O grupo ganhou o nome de “Fundação Anti Petismo” e tinha como objetivo organizar uma manifestação contra os resultados democráticos do domingo. 

Por Júlia Galvão

Os alunos passaram a compartilhar mensagens de extremo ódio contra a população negra, pobre, nordestina e feminina. As conversas contavam também com apologia ao nazismo, principalmente pelo uso de “stickers” (figurinhas) de Adolf Hitler, um dos alunos chegou a defender uma “Fundação Pró Reescravização do Nordeste”. 

Um estudante de 15 anos, Antonio Cremasco, que foi adicionado ao grupo sem o seu consentimento, se indignou com as mensagens e alertou os colegas que os conteúdos que estavam sendo compartilhados no grupo eram criminosos. Em resposta, os alunos diziam que as mensagens compartilhadas não eram nazistas mas “antipetistas”. 

Antonio mostrou o grupo à sua mãe Thais Cremasco, que é advogada, e disse aos colegas que iria denunciar o que estava acontecendo, além de reforçar que o comportamento presente nas mensagens possuía forte posicionamento nazista. Nesse momento, o aluno foi retirado do grupo e recebeu uma mensagem em uma conversa privada com um dos alunos que dizia “espero que você morra fdp negro”.

A mãe do estudante fez um boletim de ocorrência nesta segunda-feira (31) contra os alunos que compartilhavam as mensagens criminosas no grupo. O caso está nas mãos do Ministério Público (MP) que irá investigar o caso após o recebimento das provas (prints do grupo e das mensagens racistas recebidas pelo seu filho). 

Em um post em seu instagram, a mãe do aluno compartilhou algumas das mensagens que eram divulgadas no grupo entre os alunos. Confira: 

Thais comenta que os alunos da escola ainda não foram punidos pelos crimes que cometeram. “É uma escola alemã super rigorosa, outro dia uma aluna foi suspensa por cuspir um chiclete no chão. Por que, quando se trata de racismo, não conseguimos fazer com que respeitem a lei?”. 

Segundo o diretor do colégio, que até 2021 contava com mensalidades que chegavam a R$ 4.689, nada podia ser feito já que as mensagens não foram enviadas dentro do território da escola. Até o momento, apenas um dos alunos foi suspenso após ofender uma coordenadora quando chamado para depor o que havia acontecido. 

Em nota, o Colégio Visconde de Porto Seguro disse que repudia as mensagens que foram compartilhadas no grupo e que “os atos de injúria racial não são justificados em nenhum contexto”. Eles também reafirmaram que não permitem nenhum tipo de discriminação ou perseguição dentro do colégio.

Contudo, após a divulgação do ocorrido, diversos ex-alunos passaram a relatar o preconceito presente no local e dizem que o posicionamento da escola nunca foi suficiente para acabar com os casos. “Casos de racismo continuam pipocando nos corredores do Porto Seguro – no entanto, a instituição parece ainda não ter entendido que a solução só se torna real e um caminho a ser seguido quando o problema é reconhecido e conjuntamente enfrentado”, disse um ex-estudante em uma carta aberta divulgada nesta terça (1) . 

Thaís Cremasco comenta que ações racistas já haviam sido observadas anteriormente com seus filhos. Os ataques eram direcionados principalmente à sua filha, que é uma das poucas alunas negras da instituição. “Meus filhos são uns dos poucos alunos negros que já frequentaram essa escola. Eles têm o direito de estudar onde quiserem”, diz a mãe. Thaís fala também sobre outro momento em que teve que tirar seus filhos de uma escola por eles serem alvos de preconceito, dessa vez, a mãe deseja que os alunos preconceituosos sejam retirados da escola. 

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