Este é Patrick Macedo Ramos Paiva de 33 anos. Em uma das fotos ele está com a saúde normal e seus 65 quilos habituais. A outra foto retrata o mesmo Patrick, depois de sair da Colônia no dia 04 de maio deste ano, uma das unidades prisionais em Santa Isabel, onde se encontra o Presídio de Americano no Estado do Pará.
Por João Paulo Guimarães, dos Jornalistas Livres
Patrick, sobrevivente aos maus tratos no Estado do Pará. Foto: João Paulo GuimarãesPatrick, sobrevivente aos maus tratos no Estado do Pará. Foto: João Paulo Guimarães
“Não há no nosso protocolo tortura e espancamento. Não é esse o nosso protocolo. Nós temos hoje um protocolo que garante como nunca dignidade ao preso.” Jarbas Vasconcelos – Secretário de Administração Penitenciária
O uso feito, pelo Secretário de Administração Penitenciária, da palavra “dignidade”, em uma entrevista ao vivo para o TeleJornal Bom Dia Pará, não é apropriado para a realidade na qual o sistema carcerário do Pará vive. A barbárie, a tortura, a privação dos direitos básicos e o assédio a profissionais do sistema penitenciário, assim como aos advogados dos reclusos, se transformaram em política pública no Estado do Pará, sancionada pelo Governador Hélder Barbalho.
Patrick foi preso por dois assaltos. Um dos assaltos foi em uma escola na Ilha de Mosqueiro. Desse, Patrick assume a autoria. O outro assalto, à casa de um policial militar, ele nega. Diz que foi coagido a assumir. Pegou 13 anos. Já estava preso há quatro anos e dois meses e lhe faltariam apenas 15 meses para que alcançasse a liberdade condicional. Patrick cumpria pena na Cadeia da Vila em Mosqueiro quando foi transferido para a Colônia em Americano, onde ficou por um ano e oito meses.
No dia 15 de fevereiro foi constatado que Patrick adquiriu pneumonia. O quadro evoluiu para a tuberculose. Ele conta que havia feito um teste para trabalhar na área externa do presídio como “roçadeiro” e passou, mas no exame final a médica constatou que ele não poderia trabalhar devido à perda exagerada de peso.
O detento não recebia medicamentos baratos como o sulfato de salbutamol, que funciona em quadros de asma, bronquite ou enfisema pulmonar, nem tampouco um simples Tylenol, analgésico para febre ou dores de cabeça. Foi internado em Castanhal e dois dias depois saiu para tratamento domiciliar.
Ao sair, Patrick não foi pesado. Agentes avisaram-no que conheciam sua família e que se falasse algo sobre como foi tratado lá dentro eles saberiam onde encontrá-lo.
Patrick, sobrevivente aos maus tratos no Estado do Pará. Foto: João Paulo Guimarães
Patrick conta que ainda vive sob o terror psicológico constante mesmo dentro de casa. O medo de, ao acordar, ser mandado de volta para o Presídio de Americano, a lembrança das torturas e situações que ocorriam antes dos Procedimentos (ações executadas pelos agentes prisionais para se certificar de que os reclusos não estejam portando armas brancas ou celulares), tudo isso aterroriza Patrick. Nos procedimentos, os presos são obrigados a ficarem nus, sentarem no chão com as mãos na cabeça, de pernas abertas para que cada preso na fila fique encaixado no outro, dificultando ações com movimentos rápidos, de modo a aumentar a segurança dos agentes.
“Lá, eles batiam nas celas com as armas, acordavam a gente de madrugada, entravam nas celas de quatro a cinco horas da manhã já com bomba de efeito moral e spray de pimenta. Alguns presos se defendiam com o colchão e esses que se defendiam eles tiravam da cela e batiam mais. E então ficava todo mundo nu concentrado num campo. Todos os pavilhões. Um colado no outro. Toda essa violência pra tomar café às seis e meia. Diziam que não era pra olhar para eles senão a gente ia apanhar. Todo o tempo eram ameaças.”
Patrick terá de fazer pelo menos seis meses de tratamento para recuperar a saúde e seu advogado vai tentar conseguir um laudo médico para que ele não retorne à detenção. Em sua casa, Patrick conta que dormia no chão do corredor das celas, onde existe uma enorme população de ratazanas. Como esses roedores transmitem a leptospirose, essa é uma doença muito comum entre presos e agentes. Ele também conta que eram 240 presos só em uma das celas, dormindo sem colchão e na maioria das vezes com o chão molhado. A capacidade de cada cela é de 160 presos.
Patrick, sobrevivente aos maus tratos no Estado do Pará. Foto: João Paulo Guimarães
Torturas no sistema prisional do Pará
A tragédia de Patrick, infelizmente, é vivida cotidianamente pelos cerca de 20 mil detentos do Pará. Para que se tenha uma idéia, o Estado detém um recorde sinistro: lá os presos morrem 5 vezes mais que média verificada em presídios do país. Em julho de 2019, uma rebelião no presídio de Altamira acabou com 58 detentos mortos, boa parte esquartejada e degolada.
Na origem dessa situação de violência estão a tortura, a privação dos direitos básicos e o assédio a profissionais do sistema penitenciário, assim como aos advogados dos reclusos. Segundo a revista eletrônica Consultor Jurídico, advogadas de presos têm sito obrigadas a se submeter a revista íntima como pré-condição para que entrem na carceragem para atender a seus clientes. Para piorar, os defensores não têm conseguido nem sequer se reunir reservadamente com os presos, já que são obrigados a se encontrar com eles em locais abertos, cercados por agentes penitenciários.
À Consultor Jurídico, Viviane de Souza das Neves, uma das denunciantes da revista íntima das advogadas, afirmou que imposições absurdas como essa estão sendo adotadas desde que o atual secretário da Administração Penitenciária, Jarbas Vasconcelos, assumiu o posto, em janeiro de 2019. “A gestão começou a afetar diretamente as pessoas custodiadas, as famílias das pessoas custodiadas, e aqueles que frequentam as unidades prisionais, que são os advogados criminalistas”, diz. E acrescenta:
“Não estamos mais conseguindo entrar no presídio a hora que a gente precisa, não conseguimos mais ter entrevistas com nossos clientes de forma pessoal e reservada, estamos tendo que nos submeter à revista. Estamos sendo hostilizados, tratados como braços das facções, como criminosos.”
Por outro lado, agentes prisionais em estado probatório, uma vez aprovados em concurso estadual e feito o curso de quatro meses ministrado pelo Comando Operações Penitenciárias (COPE), são impossibilitados de assumir cargos dentro das unidades prisionais porque o secretário Jarbas Vasconcelos prefere contratar em regime de comissionamento (em confiança).
Não é caos. É política pública anti-direitos humanos, para manter os detentos dóceis e fragilizados no intuito de se garantir a ordem e a aprovação da sociedade, que quer os presos longe do convívio sociais -custe o que custar. O governador Helder Barbalho também coloca-se, assim, a favor das diretrizes truculentas da administração no Governo Federal.
A violência física, a tortura, a privação de sono e de alimentação, além de abusos sexuais, enquadrados como estupro, são uma realidade infernal dentro dos estabelecimentos prisionais administrados pela Secretaria de Administração Penitenciária do Pará.
Aqui está uma lista de algumas das práticas da SEAP, lidas pela Deputada Federal Sâmia Bomfim, na Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher em audiência pública que ocorreu na Câmara Federal:
Superlotação
Falta de acesso à água
Falhas na assistência médica
Número limitado e restrito de refeições
Maus tratos a presos com transtornos mentais
Espancamentos com cabos de vassoura
Existência de um calabouço de tortura
Uso de spray de pimenta tanto para homens quanto para mulheres (detentos e parentes apontaram a morte, por asfixia, de um interno após o uso de spray de pimenta)
“Deus é maravilhoso”
“Estou levando meu filho para morrer em casa” (Dona Risoneide Alvez – Mãe de Patrick)
Dona Risoneide Alvez Ramos Paiva tem 50 anos. Perdeu recentemente o marido, mas é uma mulher simpática e alegre, mesmo vivenciando a realidade relatada aqui. A mãe de Patrick conta como foi reencontrar o filho nesse estado:
“A última visita que fiz pra Patrick ele estava bem, tomado banho, tirado a barba e de cabelo cortado. Duas visitas que eu fiz pra ele, ele tava bem. Isso foi antes da intervenção da Força do Departamento Penitenciário Federal, enviada para o Pará depois do massacre de Altamira. Depois da intervenção, eu fiquei seis meses sem ver ele. Quando eu vi o Patrick nessa situação, dia 6 de maio, meu mundo desabou. Você olha pro lado olha pro outro e diz: O jeito é levar pra morrer em casa. Mas Deus é maravilhoso e ele tá aí. Pesando 36 quilos.”
Foto: João Paulo Guimarães
Outro lado. A secretaria de administração penitenciária tenta explicar a situação:
A SEAP, há alguns dias, através de duas notas oficiais, negou todas as acusações e diz se encontrar em meio a um complô de forças antagonistas que têm o interesse em enfraquecer a administração carcerária do Estado do Pará. Também critica as denúncias e desmerece advogados de detentos assim como nega a utilização de protocolo interno de tortura e maus tratos para com os reclusos.
Jarbas Vasconcelos, titular da SEAP, em entrevista ao vivo para o Bom Dia Pará no dia em que o Massacre de Altamira, o segundo maior massacre do Brasil, fazia um ano.
E triste muito triste mas existe sim tortura la em americano a última vez que vi meu filho ele me relatou todo o o sofrimento que eles tem passado ali dentro desde que estão mostro chamado Jarbas Vasconcelos assumiu eles são torturados e maltratados psicologicamente mas parece que ninguém tá vendo eles eraram sim mas já tão pagando por seu erros mas Deus vai fazer justiça o homem pode não ta vendo tudo que tá acontecendo mas Deus está ele é fiel a mão de Deus vai pesar sobre eles logo logo
Existem torturas sim, humilhação passam fome ficam dois dias sem beber água, dorme no chão não escovam os dentes vivem descalço só com um par de roupas fedendo porque as famílias são proibidas de levar tanto o material de higiene quanto uma roupa não podem leva sandália lençol não podem leva pasta de dente escova de dentes não podem leva uma comida sem poder vê os filhos as crianças perguntam pelos seus pais e choram pra querer vê. os presos estão definhando la dentro não sabemos até quando iram suporta a tantas torturas físicas e psicológicas já se faz Um Ano de intervenção Um Ano de sofrimento.
Eles querem hotel 5 estrelas como era antigamente, onde saiam a tarde para roubar e matar inocentes e voutavao de manhã sorrindo tirando onda com a cara da sociedade.
Pela reportagem acima, qualquer leitor se emociona e passa a odiar a gestão dos presídios do Pará. O personagem do caso contraiu AIDS antes de ser preso e por essa doença ele se encontra debilitado. Infelizmente o Comando Vermelho e as organizações criminosas usam pessoas (servidores, familiares, “advogados”,…) e até matérias jornalísticas para desestabilizar a administração. São contumazes nisso! Vamos continuar a promover igualdade de tratamento, legalidade, reinserção social e disciplina. Os tempos sombrios não irão voltar!
Se entrarem nas casas penitenciárias do estado do Pará todos vão ouvir a mesma história desse rapaz , sim pq sabemos que e assim que ele tratam os que estao pagando pelos seus crimes, acham que não e suficiente estar preso que tem que passar por todo tipo de humilhação , o estado e conivente com tudo que acontece dentro dos presídios tanto que e impossivel nao reconhecer que esse rapaz foi torturado e uma ignorância dizer que isso foi por causa de uma doença que cada dia mata menos por causa dos seus metados de tratamento , o estadu diz que tem responsabilidade com os presos mais a verdade e que os familares que arcam com os presos a unica despesa e da comida azeda crua que eles mandam pra eles morrerem mais rapido .
Desde 1979, ano da Revolução Islâmica, o Irã e a sociedade iraniana são rotulados mundo afora como símbolos de terrorismo, de crueldade, de violência, de preconceito. Essa imagem foi sendo sistematicamente construída pelo mainstream ocidental, através das grandes mídias e do cinema, sobretudo a partir dos Estados Unidos e da Europa, em especial o Reino Unido, de seus aliados em outros continentes e dos vizinhos árabes da civilização persa. Para além das mudanças internas promovidas pelas lideranças xiitas que assumiram o poder, o Irã, antes totalmente subjugado aos interesses dos Estados Unidos e da Inglaterra, tornou-se o país mais anti-imperialista do mundo, minando o poder do Império na Ásia Ocidental. A região passou a ser taxada de Oriente Médio a partir do final do século XIX, refletindo a visão eurocêntrica do continente, que se considerava a grande referência histórica e cultural do planeta. O isolamento do país na região se expressa na criação do Conselho de Cooperação do Golfo, em 1981, constituído pela Arábia Saudita, Bahrein, Catar, Emirados Árabes, Kwait e Omã. O surgimento da instituição reflete a desconfiança desses países em relação à Revolução Islâmica, mas é instigado pelos Estados Unidos. Em 1980 emerge a “Doutrina Carter”, segundo a qual o país usaria força militar para defender seus interesses no Golfo Pérsico, mirando sobretudo o petróleo e em contraposição à invasão do Afeganistão pela União Soviética. A partir da chamada “Guerra do Golfo” (1990-1991), bases estadunidenses foram instaladas em todos os países do Conselho.
Irã Mall Foto: Eduardo Campos
A construção da imagem do Irã como um Estado terrorista contradiz sua história. Desde o final do século XVIII o país não ataca nenhum outro, a não ser revidando agressões sofridas. É oponente declarado das facções islâmicas extremistas e sectárias, como os salafistas, aos quais se vinculam o Al-Qaeda e o Estado Islâmico. Essa falsa imagem do país forjada pelo Ocidente atingiu diretamente os iranianos, que passaram a ser vistos como um povo violento, atrasado e preconceituoso. A iranofobia é uma junção de estereótipos, xenofobia e islamofobia. O que a torna mais grave ainda é o fato de ter sido assimilada por parte expressiva do mundo progressista, em função da escassez ou mesmo da inexistência, até recentemente, de canais globais de alcance significativo capazes de fazer uma contraposição efetiva ao mainstream. Ao contrário da visão propagandeada, os iranianos são muito inteligentes e cultos. Amantes das artes, são historicamente conhecidos por sua tapeçaria única, destacando-se também sua arquitetura, a poesia, a música, a caligrafia como arte visual e a produção de filmes excepcionais. Seu lazer inclui também a prática sistemática dos piqueniques envolvendo familiares e amigos.
Destaca-se ainda em sua cultura a celebração do Ano Novo, o Nowruz, que se inicia entre 20 e 21 de março, quando começa a primavera, e se estende por 13 dias. Na véspera da última quarta-feira do ano persa realiza-se um ritual de fogo por todo o país, chamado “Chaharshanbe Suri”, que tem origem no zoroastrismo. As pessoas acendem fogueiras em espaços abertos ao longo da noite e saltam sobre as chamas para se purificar e afastar o que de negativo aconteceu no ano que se passou e emanar energias positivas e saúde para o ano que se inicia.
Ritual de fogo “Chaharshanbe Suri” Foto: Eduardo Campos
A sociedade apresenta traços de modernidade que contrastam com outros de natureza conservadora. O homem é considerado o provedor da família e tem que oferecer um dote à mulher quando se casam, mas contingente significativo de mulheres já tem seu lugar no mercado de trabalho. As mulheres, a despeito das restrições que lhes são impostas pela República Islâmica, cujas normas têm forte componente machista, ocupam posição de relevo em várias áreas, constituindo cerca de 60% dos estudantes universitários do país, com destaque para sua presença nas áreas de Engenharia e Ciências.
O índice de natalidade é baixo e o de alfabetização próximo dos 90%, sendo de quase 100% entre os jovens. A taxa de divórcio é elevada, superior a 50% em algumas grandes cidades, sendo parte dessa taxa derivada da pressão da mulher sobre o marido para pagar o dote ou aceitar a separação. As taxas de feminicídio não são conhecidas, mas não há indícios de que sejam elevadas. A legislação, contudo, é leniente com o marido que mata a esposa quando o adultério é inequivocamente comprovado, sendo perdoado ou recebendo uma pena leve, pelo fato de a traição da mulher, e apenas dela, ser considerada crime contra a honra. Um dado curioso é que, apesar de o aborto e a homossexualidade serem vedados, o Irã é um dos países do mundo em que mais se realizam cirurgias de mudança de gênero, parte das quais custeadas pelo Estado. Está também no topo das rinoplastias, cirurgias para remodelar o nariz, percebidas cotidianamente nas ruas de Teerã. Em sentido contrário, raramente se encontra no Irã um homem usando gravata, vista como símbolo de opressão e da influência imperialista ocidental. Os iranianos são doces, acolhedores e generosos, talvez como nenhum outro povo em todo o planeta. Estrangeiros que visitam o país são frequentemente convidados para jantares e chás em suas casas e, por vezes, até mesmo a se hospedarem nelas. Tratamento especial é dispensado aos visitantes, quaisquer que sejam eles, parentes, amigos ou aqueles até então desconhecidos. São sempre servidos em primeiro lugar e alvos de permanente atenção dos anfitriões. A origem dessa hospitalidade e simpatia está na cultura persa e se expressa em um gesto de cortesia conhecido como “taarof”. Quando uma pessoa oferece alguma coisa a outra a praxe é inicialmente ouvir um “não, obrigado” como resposta. Se ela insiste é uma demonstração de que não se trata de uma oferta retórica, mas efetiva. Esse gesto polido é comum até mesmo quando se tem que fazer um pagamento de uma compra ou serviço prestado, quando o credor costuma recusar o dinheiro na primeira tentativa de quitação da dívida. Mas há um fator adicional à cultura persa que ajuda a entender a postura simpática dos iranianos em relação aos estrangeiros que visitam o país: a consciência de que são um povo estereotipado, hostilizado e objeto de profundo preconceito ao redor do mundo. Sentem-se todos extremamente injustiçados com a visão discriminatória de que são vítimas, sejam os apoiadores da República Islâmica sejam seus opositores, que concordam, em maior ou menor grau, com críticas dirigidas ao sistema de poder e não admitem ser confundidos com ele. Nem tudo, entretanto, são flores na sociedade iraniana para os não nativos no país. Os árabes, com quem são confundidos com frequência, são alvos de um enorme preconceito, cuja origem remonta ao passado de ambas as civilizações. Pertencem a grupos étnicos, linguísticos e culturais distintas, sendo a maioria dos iranianos de origem persa, havendo também um contingente significativo de azeris e curdos e em menor grau de outras etnias. Essa diversidade inclui até mesmo árabes, que constituem cerca de 2% da população nativa. Adicionam-se às diferenças históricas as religiosas e as disputas pela hegemonia da região. Os iranianos que professam o islamismo são adeptos da corrente xiita, enquanto a maioria dos países árabes são de maioria sunita, exceção feita ao Iraque e ao Bahrein. Há também zoroastristas, judeus e cristãos no país e um número expressivo de seculares e ateus nas camadas mais jovens. A guerra em curso e a primeira ofensiva conjunta dos Estados Unidos e Israel contra o país, em junho de 2025, estão tendo um papel importante na desconstrução dessa falsa imagem do Irã e de seu povo. A mídia convencional do Ocidente já não consegue esconder que o Irã é a vítima e não o algoz, ainda que continue se esforçando para sustentar que, em última instância, o país é o responsável pelos conflitos na região, e não a aliança entre o Império e os sionistas. A unidade dos iranianos contra as agressões de que são alvos é um outro fator importante de desmascaramento da mídia mainstream. Não se trata de ignorar as contradições do país, o descontentamento de parcela considerável da população com a República Islâmica, mas de defender a sua soberania e da compreensão majoritária de que cabe aos iranianos, e tão somente a eles, resolverem os seus problemas internos. O expressivo fortalecimento da mídia alternativa tem também cumprido um papel de grande relevo nesse processo. Cresce significativamente o alcance de canais progressistas no youtube, a plataforma substack, os sites contra-hegemônicos. Não por acaso, recente pesquisa feita a partir dos Estados Unidos constatou que Israel é hoje o país mais odiado do planeta, além de ter perdido o apoio da maioria da população estadunidense, o que seria impensável até alguns anos atrás. O resgate das enormes qualidades do povo iraniano, de sua inteligência, de sua sabedoria e de sua cultura não deve ser visto apenas como uma reparação das injustiças que contra ele têm sido cometidas ao longo das últimas décadas, mas como um aprendizado para os segmentos progressistas da sociedade mundial que se deixaram enganar pelas falácias da mídia convencional do Ocidente. Ao mesmo tempo é imprescindível reconhecer e valorizar as ações anti-imperialistas da República Islâmica do Irã, independentemente de diferenças culturais ou mesmo ideológicas que se possa ter com ela.
Assassinato de 168 meninas, além do aiatolá Ali Khamenei, no primeiro dia dos bombardeios americanos-sionistas contra o Irã, mobiliza o país persa e engaja as crianças
O Irã se prepara para uma colossal manifestação de unidade nacional a ser realizada durante as cerimônias fúnebres do aiatolá Ali Khamenei, que se iniciarão na próxima sexta-feira (3), quatro meses depois de seu assassinato, no dia 28 de fevereiro, o primeiro dia da guerra mais recente dos Estados Unidos e Israel contra o país persa. Há quatro meses, o presidente Donald Trump anunciava seu principal objetivo: derrubar a teocracia xiita, que governa o Irã desde a revolução islâmica de 1979, e se apossar das suas imensas reservas petrolíferas nacionais. Quatro meses depois, o Irã segue insubmisso já que logrou impor duras derrotas à coalizão EUA-Israel. E é nesse quadro, tendo conquistado um acordo de paz ainda frágil, que o Irã se organiza para receber estimados 20 milhões de peregrinos nas cerimônias fúnebres que homenagearão Ali Khamenei.
Uma pequena amostra desses preparativos foi o que os observadores brasileiros puderam testemunhar na noite de ontem, sob lua cheia e temperatura de 34 graus Celsius. Em uma praça no norte da capital Teerã, todas as noites desde o assassinato do dia 28 de fevereiro, se reúnem iranianos — a maioria deles praticantes da fé xiita — para homenagear o aiatolá Ali Khamenei, as 168 meninas com idades entre 7 e 12 anos, mortas por bombardeio americano no mesmo dia na escola primária feminina Shajareh Tayyebeh em Minab, no sul do Irã, e centenas de outras vítimas da guerra.
A delegação brasileira está hospedada em um hotel localizado a aproximadamente cem metros de um prédio que foi destruído por um bombardeio. As ruínas são visíveis. O clima nas ruas é de calma, mas de luto evidente. As cerimônias noturnas reúnem centenas de pessoas — e, em algumas cidades, milhares. Em Teerã, cidade de 10 milhões de habitantes, essas manifestações ocorrem simultaneamente em várias praças, espalhadas por vários bairros. Os participantes cantam, empunham bandeiras do Irã e choram abertamente. É impressionante o envolvimento das crianças iranianas nessas cerimônias.
O assassinato das 168 meninas na escola de Minab, gerou uma mobilização expressiva entre o público infantil. Na praça onde estive, crianças participavam da cerimônia: agitavam bandeiras, brincavam e cantavam músicas em homenagem às colegas mortas e ao líder supremo morto. “Podia ser eu”, disse um menino de 15 anos à reportagem, depois de sair com uma miniatura do drone Shahed-136, fabricado no Irã, arma de guerra “revolucionária”, segundo o comandante Robinson Farinazzo, da Marinha brasileira. Com um custo estimado entre US$ 20 mil e US$ 50 mil, o Shahed conseguiu confundir os sistemas de defesa dos EUA e esteve envolvido na derrubada de aeronaves norte-americanas e no ataque a navios cargueiros que se aventuraram pelo estreito de Ormuz, controlado pelo Irã. Cada miniatura do Shahed, impresso em 3D, e vendida na praça, saía pelo equivalente a US$ 3, mesmo preço da miniatura do míssil Fattah-1, outra jóia do arsenal iraniano, um míssil “hipersônico” que viaja em direção ao seu alvo a uma velocidade cinco vezes maior do que a velocidade do som (cerca, 6.100 km/hora). Os meninos adoram.
Segundo a organização do enterro, o corpo do aiatolá Khamenei, em caixão fechado, deixará Teerã nos próximos dias e percorrerá cidades do Irã e do Iraque (Najaf e Karbala), onde se encontram santuários sagrados do islamismo. O enterro ocorrerá no local que ele determinou em testamento.
Segundo a agência de notícias iraniana Fars, uma cerimônia de homenagem para líderes estrangeiros e autoridades de alto escalão está prevista para 3 de julho em Teerã. Cerimônias públicas de despedida estão marcadas para os dias 4 e 5 de julho no Imam Khomeini Mosalla, na capital. Uma procissão fúnebre em Teerã está agendada para 6 de julho. Outras cerimônias estão programadas para 7 de julho em Qom, 8 de julho em Najaf e Karbala, e 9 de julho em Mashhad, cidade no nordeste do Irã, terra natal de Khamenei. Ele será sepultado no Santuário do Imam Reza, um dos locais mais sagrados do Islã xiita.
Em tempo: estou usando véu, em sinal de respeito aos preceitos religiosos xiitas. Também me visto de forma respeitosa em relação dos preceitos religiosos quando compareço a cerimônias católicas, evangélicas, judaicas ou do candomblé. Mas, andando pela cidade de Teerã, vi muitas (muitas mesmo) mulheres sem véu. Trata-se de um sinal evidente de distensão da norma.
Por Laura Capriglione é enviada especial a Teerã, para a TVT e Jornalistas Livres
Quando o escritor francês Honoré de Balzac teve acesso ao vídeo da audiência de Mariana Ferrer, ele decidiu escrever o Código dos homens honestos, isso nos idos de 1875, mas só agora estou tornando públicas suas palavras, que estavam sob segredo de justiça.
Em uma análise bastante rigorosa, Balzac lembra, em primeiro lugar, que sabemos perfeitamente bem que “em princípio, ficou estabelecido que a justiça seria para todos, mas […]” . A tradução é de Léa Novaes, pois Balzac tinha dificuldade em escrever em português.
Dito isso, ele fala da figura do procurador. Em tempos idos, diz Balzac, os procuradores “levavam tão a sério o interesse de um cliente que chegavam a morrer por eles”. Além disso, eles “nunca frequentavam a sociedade”, e se a frequentassem eram vistos como “monstros”, mas hoje, “hoje tudo está monetarizado: já não se diz que Fulano foi nomeado procurador-geral, vai defender os interesses de sua província […]. Não, nada disso; o senhor Fulano acaba de conquistar um belo posto, procurador-geral, o que equivale a honorários de vinte mil francos […]”.
Balzac ia falar da figura do juiz e do defensor público, mas depois de tudo que assistiu ficou sem as palavras justas para descrevê-los.
Então, o escritor francês decidiu se debruçar sobre o papel do advogado, que “frequenta bailes, festas […] despreza tudo o que não é elegante”. E, diz Balzac, “Justiça seja feita aos advogados […]! São os decanos, os chefes, os santos, os deuses da arte de fazer fortuna com rapidez e com uma sagacidade que os torna merecedores de muitos elogios”.
Enfim, “de todas as mercadorias deste mundo, a mais cara é sem dúvida a justiça”.
Não citei na íntegra o texto do Balzac, porque foram esses os únicos fragmentos aos quais tive acesso, os outros foram apagados.
*Formada em Direito, em 1992, na Universidade Federal de Santa Catarina
Leila Castro
04/08/20 at 7:45
E triste muito triste mas existe sim tortura la em americano a última vez que vi meu filho ele me relatou todo o o sofrimento que eles tem passado ali dentro desde que estão mostro chamado Jarbas Vasconcelos assumiu eles são torturados e maltratados psicologicamente mas parece que ninguém tá vendo eles eraram sim mas já tão pagando por seu erros mas Deus vai fazer justiça o homem pode não ta vendo tudo que tá acontecendo mas Deus está ele é fiel a mão de Deus vai pesar sobre eles logo logo
Karine Souza
04/08/20 at 8:10
Existem torturas sim, humilhação passam fome ficam dois dias sem beber água, dorme no chão não escovam os dentes vivem descalço só com um par de roupas fedendo porque as famílias são proibidas de levar tanto o material de higiene quanto uma roupa não podem leva sandália lençol não podem leva pasta de dente escova de dentes não podem leva uma comida sem poder vê os filhos as crianças perguntam pelos seus pais e choram pra querer vê. os presos estão definhando la dentro não sabemos até quando iram suporta a tantas torturas físicas e psicológicas já se faz Um Ano de intervenção Um Ano de sofrimento.
Walcicley
04/08/20 at 8:24
Eles querem hotel 5 estrelas como era antigamente, onde saiam a tarde para roubar e matar inocentes e voutavao de manhã sorrindo tirando onda com a cara da sociedade.
Servidores do Bem
05/08/20 at 9:49
Pela reportagem acima, qualquer leitor se emociona e passa a odiar a gestão dos presídios do Pará. O personagem do caso contraiu AIDS antes de ser preso e por essa doença ele se encontra debilitado. Infelizmente o Comando Vermelho e as organizações criminosas usam pessoas (servidores, familiares, “advogados”,…) e até matérias jornalísticas para desestabilizar a administração. São contumazes nisso! Vamos continuar a promover igualdade de tratamento, legalidade, reinserção social e disciplina. Os tempos sombrios não irão voltar!
No Pará quem manda na cadeia é o Estado!!!
natiely
14/08/20 at 10:39
Se entrarem nas casas penitenciárias do estado do Pará todos vão ouvir a mesma história desse rapaz , sim pq sabemos que e assim que ele tratam os que estao pagando pelos seus crimes, acham que não e suficiente estar preso que tem que passar por todo tipo de humilhação , o estado e conivente com tudo que acontece dentro dos presídios tanto que e impossivel nao reconhecer que esse rapaz foi torturado e uma ignorância dizer que isso foi por causa de uma doença que cada dia mata menos por causa dos seus metados de tratamento , o estadu diz que tem responsabilidade com os presos mais a verdade e que os familares que arcam com os presos a unica despesa e da comida azeda crua que eles mandam pra eles morrerem mais rapido .