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Há um mês, Uberlândia, no Triângulo Mineiro, vive uma revolução nas instituições de ensino. Vinte e nove escolas secundárias, das 34 existentes, e duas com ensino fundamental foram ocupadas pelos estudantes. Paralelamente, professores, técnicos administrativos e alunos da Universidade Federal de Uberlândia – UFU, assim como professores da rede estadual, fizeram suas assembleias e decretaram greve. Estudantes da UFU também ocuparam alguns blocos do campus Santa Mônica. Os motivos são levemente diferentes para cada categoria, mas giram basicamente na luta contra o incrível arrocho fiscal, social e de direitos em implantação pelo governo golpista. Com isso, na última sexta-feira 11 de novembro, Dia Nacional de Luta, eles se uniram para uma grande manifestação pelo centro da cidade. A marcha, que teve início na Praça Clarimundo Carneiro, contou com performances teatrais dos estudantes que ocupam a UFU, palavras de ordem e muita disposição sob um sol escaldante. Os manifestantes chegaram a fechar o Terminal Central de ônibus da cidade e se dispersaram na Praça do Fórum Abelardo Penna, que domingo 13/11 receberá a performance CEGOS, desenvolvido pelo grupo Desvio Coletivo, rede de criação artística que atua na zona de fronteira entre teatro, performance e intervenção urbana (https://www.facebook.com/events/337713349941113/).

Marcha contra retirada de direitos reuniu mais de 2000 pessoas em Uberlândia, fechando o Terminal de Central de Ônibus por 20 minutos - 11/11/2016 25/10/2016 - Foto: www.mediaquatro.com
Marcha contra retirada de direitos reuniu mais de 2000 pessoas em Uberlândia, fechando o Terminal de Central de Ônibus por 20 minutos – 11/11/2016 25/10/2016 – Foto: www.mediaquatro.com

As lutas são, de fato, semelhantes. Todos os movimentos são contra, por exemplo, a PEC 55 (antiga 241, que pretende congelar os investimentos sociais por 20 anos mas não os aumentos nos gastos com pagamento de juros), a MP 746 (de reforma do ensino médio, prevendo a não obrigatoriedade de disciplinas como Artes, Filosofia, Educação Física, História Africana e Afrobrasileira) e os Projetos de Lei da chamada Escola Sem Partido (censurando conteúdos em sala de aula contra o preceito constitucional da liberdade de ensinar e aprender). Mas há também demandas específicas, como as contrárias aos cortes anunciados nas universidades (de verbas, em torno de 45%, e vagas), à Reforma da Previdência, à mudança na lei de exploração do Pré-Sal, à terceirização das atividades-fim das empresas, e a favor da democratização dos meios de comunicação, das reformas agrária e urbana, entre outras. Ativistas e sindicalistas já vinham protestando contra o golpe e o governo ilegítimo de Michel Temer na cidade. Mas as ocupações, e principalmente as desocupações, nas escolas secundárias foram um ponto de virada no movimento. Na sexta todos gritavam junto que esse não é o fim da luta, mas apenas o começo.

Estudantes secundaristas em frente ao Museu da Cidade de Uberlândia - 11/11/2016 - foto: www.mediaquatro.com
Estudantes secundaristas em frente ao Museu da Cidade de Uberlândia – 11/11/2016 – foto: www.mediaquatro.com

Oficina de cartazes em ocupação de escola secundária em Uberlândia - 25/10/2016 - foto: www.mediaquatro.com

No auge das ocupações das escolas, há duas semanas, o Ministério Público Estadual resolveu entrar de sola. No dia 03/11 o promotor da Vara da Infância e Juventude afirmou na mídia local que os estudantes estão sendo manipulados e convocou unilateralmente o retorno às aulas pedindo aos pais para irem no dia 07/11 desocupar as escolas e enviando ofícios aos diretores. Vendo que poderia criar um fato que não se sustentaria (e ainda poderia provocar conflitos), no dia 04/11, após uma manifestação dos estudantes em frente ao Fórum, ele encenou ter sido ameaçado, pediu proteção policial e suspendeu o pedido aos pais. Os alunos reagiram e divulgaram uma exemplar nota pública demonstrando suas motivações e grande conhecimento de como as propostas do governo golpista irão afetar suas vidas. A íntegra da nota pode ser lida em https://www.facebook.com/ocupatudoudia/posts/1682273685420174.

Ocupação não é bagunça. Secundaristas se dividem em comitês de comunicação, segurança, limpeza e cozinha. Uberlândia - 23/10/2016 25/10/2016 - Foto: www.mediaquatro.com
Ocupação não é bagunça. Secundaristas se dividem em comitês de comunicação, segurança, limpeza e cozinha. Uberlândia – 23/10/2016 25/10/2016 – Foto: www.mediaquatro.com
Alunos e funcionários preparam as refeições e almoçam juntos na ocupação da Escola Estadual Inácio Castilho - 25/10/2016 25/10/2016 - Foto: www.mediaquatro.com
Alunos e funcionários preparam as refeições e almoçam juntos na ocupação da Escola Estadual Inácio Castilho – 25/10/2016 25/10/2016 – Foto: www.mediaquatro.com

A investida reacionária, no entanto, se intensificou. No dia 08/11, o juiz José Roberto Poiani expediu uma liminar ordenando ao Estado que promovesse em 24 horas, a partir da intimação, a “pacífica” retomada das escolas estaduais ocupadas (veja aqui). Intimidados, os alunos começaram a desocupar as unidades. Mas três permanecem ocupadas: Escola Estadual Messias Pedreiro, no Centro, E E de Uberlândia (chamada também de Museu, a primeira pública secundária da cidade – veja a recepção dos alunos à marcha que saiu da UFU dia 25 de outubro), também no Centro, e a E E Guiomar de Freitas Costa (conhecida como Polivalente), na zona norte. As três escolas foram as mais celebradas na sexta, mas ninguém esqueceu das lutas das demais. Algumas, inclusive, resolveram planejar reocupações para a próxima semana, levando adiante o lema de Ocupar e Resistir!

Aluno fazem aula de alongamento em escola ocupada em Uberlândia - 09/11/2016 25/10/2016 - Foto: www.mediaquatro.com
Aluno fazem aula de alongamento em escola ocupada em Uberlândia – 09/11/2016 25/10/2016 – Foto: www.mediaquatro.com
Alunos fazem lanche após oficina de comunicação na Escola Estadual Antônio Thomaz Ferreira Rezende, a Toninho. 25/10/2016 - Foto: www.mediaquatro.com
Alunos fazem lanche após oficina de comunicação na Escola Estadual Antônio Thomaz Ferreira Rezende, a Toninho. 25/10/2016 – Foto: www.mediaquatro.com

A força dos secundaristas, não somente aqui mas em todo o Brasil, tem dado novo ânimo aos cidadãos que têm protestado contra o golpe desde o ano passado e com mais força esse ano. Um exemplo foi a manifestação durante a passagem da tocha olímpica pela cidade (http://www.mediaquatro.com/single-post/2016/05/09/Mineiros-denunciam-golpe-na-passagem-da-Tocha). Outro, também com performance teatral, ocorreu dia 07/10 (veja em https://www.youtube.com/watch?v=8LERs0PkZdo). Apesar de impactantes, as manifestações vinham juntando cada vez menos gente. Com as ocupações dos secundaristas, muitos alunos do ensino superior montaram assembleias e ocuparam suas universidades. Segundo a União Nacional dos Estudantes, já são 204 universidades ocupadas (veja a lista atualizada https://www.facebook.com/uneoficial/posts/1428722550488532:0). Se o governo temerário acha que os alunos não sabem o que é uma PEC e que vai destruir a pouca estrutura pública de saúde, educação e proteção social sem luta, está muito enganado. O povo tá só começando.

Assembleia dos estudantes da UFU decide por greve - 20/10/2016 - foto: www.mediaquatro.com
Assembleia dos estudantes da UFU decide por greve – 20/10/2016 – foto: www.mediaquatro.com
Performance de estudantes de artes e teatro da UFU em frente à antiga prefeitura da cidade - 09/11/2016 25/10/2016 - Foto: www.mediaquatro.com
Performance de estudantes de artes e teatro da UFU em frente à antiga prefeitura da cidade – 09/11/2016 25/10/2016 – Foto: www.mediaquatro.com

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