Prepare seu coração: ritmo da apuração de votos favorece virada tardia no 2° turno

Se o método de totalização dos votos for igual a 2018, só depois de 80% das urnas apuradas é que o quadro se definirá
Prepare seu coração: ritmo da apuração de votos favorece virada tardia no 2° turno. Imagem/Reprodução
Prepare seu coração: ritmo da apuração de votos favorece virada tardia no 2° turno. Imagem/Reprodução

Quando, de fato, saberemos quem sairá vencedor do segundo turno no domingo, dia 30? Quem lembra da tensão no primeiro turno, vai se recordar que na primeira hora de apuração no dia 02 de outubro, o candidato Jair Bolsonaro estava à frente por vários e excruciantes minutos até que começaram chegar votos de estados nos quais as pesquisas de intenção de voto apontavam vantagem para Lula.

Por Bia Abramo e Beatriz Pecinato

O ritmo da apuração obedece a critérios simples: depois contados, conferidos e liberados os boletins parciais pelos tribunais eleitorais regionais, eles são enviados de forma eletrônica para o Tribunal Superior Eleitoral em Brasília e começam a ser totalizados. Em geral, os estados com menor número de municípios e menos populosos, finalizam suas apurações antes que estados com maior números de eleitores.

Por isso é que, em geral, os resultados de estados da Região Norte e Centro-Oeste tendem a dominar os primeiros minutos ou as primeiras horas da apuração e, assim, dar a impressão de que o candidato com mais votos naquela região está na frente. De acordo com as últimas pesquisas de intenção de voto, a diferença entre o primeiro colocado, Lula, e o segundo, Bolsonaro, que está entre 0,4 e 0,6 pontos percentuais de acordo com as últimas pesquisas, pode dar a impressão – e, pior, o recado – de que o fascista vai vencer o pleito.

Muita calma nessa hora – ou melhor, nas horas entre o encerramento da votação, às 17h do domingo, dia 30, e a hora em que poderemos, enfim, respirar. Um exercício realizado por @atosrabi, doutorando em Ciências Políticas pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), mostra como o cenário de apurações de votos do segundo turno pode acontecer.

Se a votação do dia 30 repetir a evolução do primeiro turno, e o resultado dos votos for 53% para o candidato do Partido dos Trabalhadores e 47% para o candidato do Partido Liberal, a virada de votos aconteceria com 88,5% das urnas apuradas, semelhante ao cenário ocorrido em 2018.

Como foi o primeiro turno

O primeiro turno das eleições presidenciais terminou com 48% dos votos para Luiz Inácio Lula da Silva, candidato do PT, contra 43% dos votos para Jair Bolsonaro, candidato à reeleição pelo PL. No começo da apuração, o candidato do Partido Liberal saiu na frente. Ele venceu no Acre, Distrito Federal, Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Rondônia, Roraima, Santa Catarina e São Paulo. Só foi perto das 20:00 que Lula ultrapassou seu adversário na apuração de votos. Na contagem de votos desse ano, os votos do nordeste – em que Lula foi o mais votado em todos os estados – demoraram a ser contabilizados, e por isso a virada do candidato do Partido dos Trabalhadores foi tardia. 

Em 2018, Dilma (PT) superou seu oponente, Aécio Neves (PSDB), apenas às 19h32, com 88,9% das urnas apuradas. No início da apuração de votos, o candidato do PSDB ganhava com 67,7% dos votos, contra 32,3% dos votos na candidata do PT. Perto das 19h30, Dilma superou Aécio, obtendo 50,05% dos votos válidos. O último voto foi contabilizado às 2h13 da manhã, e 100% das urnas foram apuradas. Dilma venceu as eleições de 2018 com 51,64%. Ao todo, ela teve 54.501.118 de votos, enquanto o tucano obteve 51.041.155 votos.

Fonte: G1
Fonte: G1
Fonte: G1

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