Queda de Bolsonaro depende das ruas

Chefe dos milicianos parte para o tudo ou nada
Escárnio: Pazuello e Bolsonaro, os dois sem máscara. Foto de Fernando Frazão/Agencia Brasil
Escárnio: Pazuello e Bolsonaro, os dois sem máscara. Foto de Fernando Frazão/Agencia Brasil

Seria para rir não fossem as quase 500 mil mortes patrocinadas por este governo genocida. Mais de um ano depois do evento de uma pandemia mundial, o ministro da Saúde atual anuncia um programa de testagem em massa. A medida foi recomendada em março de… 2020! Enquanto isso, uma montanha de kits apodrecia nos armazéns oficiais e lá permaneceu.

Por Ricardo Melo

Campanhas de prevenção e alerta para a população foram deixadas nas gavetas. Centenas de milhares de covas abertas depois, o luto tomando conta de milhares de famílias, o Planalto divulga tímidas peças publicitárias sobre a Covid-19.

Vacina? Para que vacina? “Todo mundo vai morrer mesmo”, disse o genocida acomodado no Planalto. E assim aconteceu. O descaso do governo diante da imunização, se havia alguma dúvida, emerge a cada depoimento na CPI.

Para tentar se safar do cadafalso, assessores de primeira e segunda linha, despreparados até para receitar mercúrio cromo, mentem, mentem e contam mais mentiras. Debocham do povo sem a menor cerimônia. Espezinham as famílias dos mortos. Tudo documentado. “Missão cumprida”, como proclamou o funesto Eduardo Pazuello.

Este é um personagem inesquecível. Não conhecia o SUS, mesmo assim virou ministro da Saúde. Um milico sem nenhuma qualificação a não ser a de zelar pela limpeza de casernas.

Fez o que sabia fazer: eliminar o número de vivos, asfixiar populações como em Manaus e bater continência para os criminosos que “mandam”.

Se o Exército já andava desmoralizado, Pazuello deu mais uma contribuição inestimável. Desfilou sem máscara num shopping da cidade em que ajudou a matar centenas de brasileiros. Teve chiliques na CPI, afastou-se da verdade descaradamente.

Não satisfeito, compareceu a um comício sem máscara ao lado do que “manda”. Até discursou. Às favas o regimento do Exército que proíbe generais da ativa de participar de manifestações políticas.

Pazuello disputa com Ricardo Salles quem é o mais delinquente. O ministro do ½ ambiente é figura carimbada nos prontuários policiais. Incriminado já no governo paulista, soltou a boiada como anunciou.

Agora foi pilhado pela própria PF em conluio com garimpeiros ilegais e madeireiros infratores na tarefa incessante de destruir a floresta amazônica, liquidar povos indígenas e engordar os cofres de seu escritório de advocacia particular.

Gabinete da laia de Bolsonaro

Bolsonaro sabe muito bem de quem se cerca. Montou um gabinete de gente da sua laia. Quem sair da linha pega o caminho da rua. Vocês já perceberam quantas mudanças foram feitas neste pouco período de governo? Só de ministros da saúde foram quatro.

Nos escalões inferiores, perdeu-se a conta. Ministros da Educação, comando das Forças Armadas, direção da PF, gabinete civil, chefia do Inep, superintendências do Ibama etc etc.

Tudo não passaria da obra de um desequilibrado se o Brasil não estivesse sangrando por conta dessa sucessão de desatinos. Mas não.

O resultado deste mandato é metade da população rebaixada à condição de fome (“insegurança alimentar” como preferem os acadêmicos luxuosos), desemprego acelerado, desamparados ocupando as calçadas, cancelamento do Censo, ENEM sob ameaça, universidades aos frangalhos. No plano internacional, o Brasil está reduzido a uma espécie de Somália.

Bolsonaro sabe disso. Resolveu partir para o tudo ou nada. Provoca como pode. Despreza todas as diretivas sobre a pandemia, desrespeita as instituições que sobraram e rasga a Constituição.

Promove aglomerações, passeia sem máscara, combate o isolamento social, faz troça de quem pretende viver em vez de morrer. Defende as roubalheiras de sua família com a ajuda da “justiça”, bancas milionárias e um Congresso servil.

E o mercado financeiro sorri…

O tal mercado financeiro comemora. As bolsas e o dólar não estão nem aí. Bancos lucram como nunca. Alguém pode explicar como a inflação não para de subir numa situação em que a população passa fome, ou seja, a “demanda” está muito abaixo da oferta?

Uma pista: a oferta está destinada aos países que tomaram providências contra a pandemia e têm condições de comprar. Já no Brasil, a miséria grassa a céu aberto e depende da esmola oficial cada vez menor.

Blindado pelo capital gordo, juízes obedientes e um parlamento emasculado, Bolsonaro vai tocando o barco para o naufrágio do país. Tem um procurador-geral que não passa de um lambe-botas do chefe.

Aras está mais preocupado em perseguir colunistas que dizem a verdade do que em processar infratores como Bolsonaro. Já a dita oposição refestela-se em discursos e posa para fotos indiferente aos milhares de mortos diários. A obsessão é 2022.

Não! O que pode virar este jogo são as ruas. Com todas as precauções necessárias, é preciso ocupar os espaços públicos para demonstrar que não é possível aguentar este governo nem mais um dia. Esperar até as “eleições” é decretar diariamente, de caso pensado, o óbito de milhares de brasileiros.

Chega de discursos e apertos de mão, almoços bem fornidos com aliados do impeachment de uma presidenta que jamais prevaricou.

O que o povo pede é coragem. Mãos à obra

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