Polícia mata jovem negro na cidade de Martin Luther King

Rayshard Brooks foi morto com um tiro nas costas em Atlanta, nos EUA, na sexta-feira. Tinha 27 anos e havia acabado de voltar do aniversário de sua filha

Rayshard Brooks, jovem morto pela polícia em Atlanta, EUA

Rayshard Brooks estava dormindo no estacionamento de um restaurante drive thru, dentro de seu carro, quando funcionários chamaram a polícia alegando que ele estava atrapalhando outros clientes que queriam  parar o carro ali. A reclamação resultou em sua morte com um tiro pelas costas nesta sexta-feira 12.06, na cidade de Atlanta. Ao contrário do que aparece nas imagens de vídeo da abordagem, os policiais disseram que ele estava bêbado e drogado. Pai de quatro filhos, Brooks tinha apenas 27 anos e havia saído do aniversário de oito anos de sua filha mais nova.

Não é um caso isolado na cidade de Atlanta, na Georgia, onde nasceu o pastor ativista Martin Luther King, a mais proeminente liderança dos movimentos civis dos EUA de 1955. Segundo o jornal Atlanta Constitution, esse é a 48º abordagem em que policiais atiram em suspeitos APENAS neste ano no município. Quinze  desses episódios resultaram em morte. A chefe do departamento de polícia local, Erika Shields, que estava nesse posto desde 2016, pediu demissão após morte de Brooks na sexta-feira.

No sábado, a indignação tomou conta da população. Enquanto ainda há protestos em todo país por causa do assassinato de Geoge Floyd, manifestantes em Atlanta queimaram o restaurante onde a morte de Brooks o correu. A prefeita da cidade, Keisa Lance, mulher negra, fez um discurso em que ressaltou papel de mãe de quatro filhos negros nos EUA. “Rezo por meus filhos todos os dias”, ela manifestou. E fez uma crítica aos protestos com fogo no estabelecimento comercial. Veja o vídeo original e leia a tradução do pronunciamento da prefeita Lance abaixo:

Antes de tudo, sou uma mãe de 4 garotos negros nos Estados Unidos. Um deles tem 18 anos de idade e quando eu vi o assassinato de George Floyd, senti a dor da mãe dele. Ontem, quando ouvi rumores de protestos violentos em Atlanta, fiz o que uma mãe faria, liguei para o meu filho e perguntei: onde você está? Hoje não é um bom dia para um menino negro estar na rua.

Eu não ligo como nós estamos hoje nos Estados Unidos, eu vivo isso todos os dias, eu rezo pelos meus filhos todos os dias. O que eu vejo acontecendo nas ruas de Atlanta hoje não é Atlanta, isso não é um protesto, não é o espírito de Martin Luther King Jr, isso é o caos.

Um protesto tem objetivo. Quando Marthin Luther King foi assassinado nós não fizemos isso com a nossa cidade. Então, se você ama essa cidade, essa cidade que tem um legado de prefeitos negros, de chefes de polícia negros e pessoas que se importam com essa cidade, onde mais de 50% dos negociantes são pequenos negociantes, você deveria ir para casa, rezar e pedir para alguém como o reverendo Beasley venha falar com você e te dê algumas instruções de como um protesto deve ser, e como você pode realmente transformar os Estados Unidos.

Essa mulher, chefe de polícia, fez um vídeo ontem sobre como estava horrorizada ao assistir a morte de George Floyd. Essa mulher fez isso. Vocês não estão honrando a memória de Martin Luther King e o movimento pelos direitos civis. Vocês não estão representando nada enquanto esse líquido marrom correr pelas suas mãos, quebrando janelas dessa cidade.

Quando vocês queimam nossa cidade, vocês estão queimando nossa comunidade. Se você quer mudar os Estados Unidos, se registre e vote. Apareçam no dia 9 de junho! O façam em novembro. É essa a mudança que precisamos nesse país. Vocês estão desonrando nossa cidade, desonrando a memória de George Floyd e de qualquer outra pessoa que foi assassinada nesse país. Nós somos melhor que isso. Nós somos melhor como cidade, nós somos melhores como país. Vão para casa.

Da mesma forma que não pude proteger o meu filho ontem, não posso protegê-los nessas ruas. Vocês estão jogando facas nos nossos policiais, vocês estão queimando carros, vocês quebraram o prédio da CNN. Ted Turner começou a CNN aqui em Atlanta, há 40 anos, porque ele acreditou em quem nós somos como cidade.

Tivemos um repórter negro que ficou preso hoje de manhã com a sua câmera (no prédio), eles estão contando nossas histórias, e vocês estão destruindo o prédio deles. Este não é o legado dos direitos civis nos EUA. Isso é o caos e vocês estão se unindo a ele. Isso não vai mudar nada, nós não estamos mais falando da morte de um homem inocente, nós estamos falando de como vocês estão queimando carros de polícia nas ruas de Atlanta, Georgia. Vão para casa.

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Direitos HumanosNegras e Negros
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