As perguntas que Leo Péricles, Sofia Manzano e Vera fariam no debate

Todos candidatos trariam questões que não apareceram no debate da Bandeirantes, um deles não perguntaria a Bolsonaro
Vera Lúcia, Leonardo Péricles e Sofia Manzano foram excluídos do debate [Foto: Divulgação]
Vera Lúcia, Leonardo Péricles e Sofia Manzano foram excluídos do debate [Foto: Divulgação]

Após o primeiro debate entre os presidenciáveis, realizado por um grupo de empresas de comunicação, no último domingo (28), surgiram, nas redes sociais, questionamentos sobre a ausência de três candidatos de esquerda no encontro: Vera (PSTU), Sofia Manzano (PCB) e Leo Péricles (UP).

Por Igor Carvalho, do Brasil de Fato

O excesso de candidaturas de direita – grupo que inclui Jair Bolsonaro (PL), Felipe D’Avila (Novo), Simone Tebet (MDB) e Soraya Thronicke (UB) – aliada à previsibilidade das questões trazidas por jornalistas da mídia tradicional, limitou os temas em debate.

Algumas questões foram tratadas quase que exclusivamente do ponto de vista liberal – e até mesmo em versões radicais dessa linha, como as insistentes propostas de D’Ávilla sobre privatizar serviços públicos.

Por outro lado, questões como igualdade racial, direitos dos povos indígenas, reforma agrária e a revogação das reformas trabalhista e previdenciária ficaram de fora.

Por isso, o Brasil de Fato quis saber das três candidaturas excluídas do debate, a quem eles perguntariam e quais questões elaborariam, caso fossem convidados para o encontro. A regra é a mesma do evento, apenas duas perguntas por candidato.

Por lei, a organização do evento é obrigado a convidar os candidatos dos partidos que têm representantes na Câmara dos Deputados. Mas, deixa aberta a possibilidade para que outras candidaturas sejam chamadas para participar do encontro.

Sofia Manzano foi a única que não perguntaria a Bolsonaro. Leonardo Péricles não indagaria o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Todas as questões trazidas pelos candidatos seriam inéditas no debate, mostrando que haveria outra perspectiva para tratar os problemas do país.

O que Leo Péricles diria no debate

Pergunta para Bolsonaro: Você tenta se passar por “forte” para oprimir negros, mulheres, a população LGBT e pobres, apoiando torturadores e retirando direitos trabalhistas, quando na verdade é o presidente mais fraco e submisso aos generais e ao Centrão, submisso a uma minoria de banqueiros que lucram bilhões com a dívida pública e com a entrega de estatais como a Eletrobras ao capital financeiro internacional. Além disso é o governo mais corrupto da história do nosso país. Existem fartas denúncias da CPI da Covid que indicam propinas por dose de vacina, denuncia de corrupção no MEC, superfaturamento em leite condensado etc, etc. É também o governo das próteses penianas e de supersalarios para enriquecer os generais. Em um tribunal que fosse democrático e popular, que pena você mereceria?

Pergunta para Felipe D’ávilla: A maioria da população é contra as privatizações e demais medidas neoliberais desde o final da década de 90, como mostram as principais pesquisas. Inclusive, essas medidas que o seu partido defende levaram o Brasil ao desastre econômico em que se encontra, aumentaram nossa dependência, reforçaram o desemprego e a desindustrialização do país. Ou seja, suas ideias representam os interesses de meia dúzia de ricaços como você. Que democracia é essa que você defende?

O que Sofia Manzano diria no debate

Pergunta para Lula: O senhor fala muito, nessa campanha, como foi o seu governo e sempre remete a uma lembrança do passado e não apresenta propostas concretas para o futuro. Durante todo o seu governo, o senhor fez os mais altos superávits primários, ou seja, deixou de usar recursos públicos, que poderiam ser gastos para melhorar a Saúde e Educação. Tudo isso, para sobrar recursos públicos para pagar os juros da dívida pública, que enriquecem os banqueiros. Se vencer a eleição, o senhor revogará o Teto de Gastos? O senhor pretende continuar fazendo ajuste fiscal?

Pergunta para Simone Tebet: Na sua vida política, a senhora sempre fez parte da bancada ruralista, que pede a suspensão das terras indígenas e o pagamento de indenização para fazendeiros invasores. Também está aliada em seu estado com políticos que perseguem o Conselho Indigenista Missinoário (Cimi), entidade que denuncia a violência contra os povos indígenas. Se a senhora for eleita, o que fará para acabar com a violência e assassinato dos povos indígenas e a invasão por ruralistas das terras dos povos originários?

O que Vera Lúcia diria no debate

Pergunta para o Bolsonaro: Você falou que os quilombolas não valiam sequer o peso que tinham. Com isso, ofendeu a todos os negros do Brasil. Eu sou negra e racismo é crime. Se dependesse de mim, você estaria preso, não só por ser corrupto (como se demonstra no caso das rachadinhas, das vacinas e do orçamento secreto), mas por ser racista. O que tem a dizer um racista como você aos negros do Brasil, a maioria do povo brasileiro?

Pergunta para Lula: Estamos de acordo que é necessário tirar o genocida Bolsonaro do poder. Mas, para nós, não basta só isso. É necessário enfrentar a burguesia que esteve com ele e agora está com sua candidatura. Nós propomos revogar as reformas trabalhistas e previdenciárias de Bolsonaro e Temer, assim como as privatizações, incluindo a da Vale do Rio Doce e a privatização passo a passo da Petrobras que está em curso. E você Lula, o que faria com as reformas e as privatizações?

Edição: Nicolau Soares

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