Evangélicos rejeitam presença de Bolsonaro em cultos

Bolsonaro e Michelli ao lado de Márcio Valadão, no ato pelos 50 anos de ministério do pastor
Bolsonaro e Michelli ao lado de Márcio Valadão, no ato pelos 50 anos de ministério do pastor, na Igreja Batista Lagoinha

Causou escândalo a presença do presidente Jair Bolsonaro e da primeira dama, Michelle, no culto realizado no domingo (7 de agosto) na Igreja Batista Lagoinha, liderada pelo pastor-presidente Márcio Valadão. Foi um culto especial, já que homenageou os 50 anos de ministério de Valadão.

Nas reproduções abaixo, vc verá algumas das manifestações de repúdio dos religiosos que assistiram à cerimônia presencialmente ou online. O maior incômodo dos fiéis de Valadão foi causado pelo que eles enxergaram como a instrumentalização da Igreja para fins políticos. Um deles chegou a chamar o culto de “cultomício” destinado a favorecer a candidatura de Bolsonaro.

Também foi notado (e repudiado) o fato de seguidores de Bolsonaro terem gritado “Mito! Mito! Mito!” dentro da Igreja. Para muitos dos que escreveram sobre a live, trata-se de uma forma de adoração, algo incompatível com a noção de templo –que deve ser consagrado à glória de Deus, Jesus Cristo e o Espírito Santo. E exclusivamente a estes.

Bolsonaro e Michelli falam aos fiéis da Lagoinha, igreja fundada pelo pastor Márcio Valadão
Bolsonaro e Michelli falam aos fiéis da Lagoinha, igreja fundada pelo pastor Márcio Valadão

Apenas duas pessoas manifestaram incômodo pelo fato de a Igreja Lagoinha ter entre seus pastores nada mais, nada menos do que o ex-ator Guilherme de Pádua, que ficou famoso como o assassino frio da atriz Daniella Peres, em 1992. Na época, os dois contracenavam como par romântico na novela “De Corpo e Alma”, de autoria de Glória Perez. Esse fato não foi o foco das críticas porque, para os cristãos, a remissão dos pecados é possível mediante a conversão, o novo nascimento e o batismo com o Espírito Santo. Esse teria sido o caso, segundo a igreja Lagoinha, de Guilherme de Pádua, hoje pastor e um ferrenho apoiador de Jair Bolsonaro.

Guilherme, hoje pastor ao lado de Valadão
Guilherme, hoje pastor ao lado de Valadão

Um pastor evangélico de outra denominação criticou o fato de setores de esquerda terem focalizado a adesão de Guilherme de Pádua à Lagoinha, para criticar a presença de Bolsonaro no ato comemorativo pelo jubileu do ministério de Márcio Valadão: “Não imaginam o valor positivo que tem para uma comunidade evangélica o fato de o assassino global ter-se arrependido e agora ser pastor.” Para esse religioso, “a esquerda precisa, em relação aos evangélicos, ouvi-los mais, para entender o que passa pela emoção e sentimento deles.”

É por isso que publicamos as reações a seguir. E para mostrar que entre os evangélicos há muitas vozes dissonantes sobre o apoio irrestrito dado a Bolsonaro por várias lideranças religiosas.

No fim desses depoimentos, vc poderá encontrar a íntegra do ato comemorativo do pastor Márcio Valadão. As falas de Bolsonaro e de Michelli podem ser encontradas a partir dos 47 minutos e 47 segundos!

Íntegra do ato comemorativo do pastor Márcio Valadão. As falas de Bolsonaro e de Michelli podem ser encontradas a partir dos 47 minutos e 47 segundos!

Leia mais sobre o culto na Lagoinha AQUI e AQUI

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