Empresário que obrigou funcionários a votar em Bolsonaro pagará indenização

O empresário também deve postar nas redes sociais um vídeo que expõe que a prática de assediar trabalhadores é ilegal
Adelar Eloi Lutz, o empresário que obrigou seus funcionários a gravarem o voto em Bolsonaro. Foto/Reprodução
Adelar Eloi Lutz, o empresário que obrigou seus funcionários a gravarem o voto em Bolsonaro. Foto/Reprodução

Adelar Eloi Lutz, o empresário do setor do agronegócio do oeste da Bahia que pressionou funcionárias a gravar o voto em Jair Bolsonaro, vai pagar R$ 150 mil por danos morais coletivos. Em áudio vazado nas redes sociais, o ruralista afirma ter orientado suas funcionárias a colocarem o celular no sutiã para poder filmar o voto na urna eletrônica e, assim, comprovar que tinham votado em Bolsonaro.

O empresário assinou um acordo que prevê que, além da multa, ele faça uma retratação pública, reforçando o direito de liberdade de voto. O Termo de Ajuste de Conduta (TAC) foi assinado juntamente com o Ministério Público do Trabalho (MPT-BA), responsável por apurar o caso. Segundo os termos do acordo, o dinheiro pago por Adelar Eloi Lutz – R$ 150 mil – deverá ser depositado em até 30 dias na conta do Fundo de Promoção do Trabalho Decente (Funtrad). O Funtrad é um instrumento que capta recursos destinados à implementação de ações que promovem trabalho decente no estado da Bahia.

Além disso, o empresário tem 48 horas – contadas a partir da assinatura do termo – para veicular em suas redes sociais um vídeo que expõe que a prática de assediar trabalhadores é ilegal. 

Na última quarta-feira (19/10), o G1 teve acesso ao áudio do ruralista, em que confessa ter exigido dos trabalhadores de sua empresa provas de que votaram em Bolsonaro no primeiro turno. “Tinha cinco [funcionários que não concordavam], dois voltaram atrás. Das outras 10 que estavam ajudando na rua, todos tiveram que provar, filmaram nas eleições. Se vira, entrem com o celular no sutiã, que seja, vai filmar, se não, rua” disse Adelar Eloi Lutz.

Em outro trecho da gravação, o empresário afirma que duas mulheres não iriam registrar seu voto em vídeo, mas que votariam em Bolsonaro no segundo turno. “Duas não queriam e estão para fora, hoje já estão falando ‘eu vou votar no Bolsonaro agora’. Então vota, primeiro prova, que nós contratamos de novo”, afirmou.

No dia em que o portal teve acesso ao áudio, o empresário afirmou que sua fala não passava de uma “brincadeira”. Em uma de suas redes sociais, Lutz publicou um vídeo explicando o ocorrido. “Mandei para várias pessoas, mas não sei como foi parar em outros lugares. Jamais ia fazer isso [demitir alguém]” disse. 

Para se defender, o empresário ainda disse que tem funcionários que votam em Luiz Inácio Lula da Silva, candidato do PT, e que não os demitiu. “Eu tenho gente que está trabalhando aqui que a família toda é PT, eu botei para fora? Eu não, só disse que tem que analisar e tal, mas não tem pressão nenhuma”.

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