CONTRA OS FECHAMENTOS DE SALAS DE AULA

Nós, professores da Escola Estadual Andronico de Mello, repudiamos veementemente a ameaça de fechamento de salas durante o ano letivo de 2017. Entendemos que essa medida fere diretamente a autonomia escolar, desrespeita a vida profissional e pessoal de seus docentes, assim como não considera o trabalho diário, projetos e desafios pedagógicos desenvolvidos ao longo do presente semestre. Interromper de forma abrupta e burocrática sem consultar as demandas da unidade escolar fere diretamente as expectativas e o planejamento que nos colocamos e nos colocaram no início desse ano letivo.

O fechamento de salas de aula, com as reacomodações necessárias que implicará, irá gerar dificuldades imprevistas aos desafios pedagógicos assumidos e planejados no início do ano letivo. Essa medida é considerada por esse grupo como incompatível e incoerente com os programas de Transparência e Gestão Democrática, Método de Melhorias de Resultados, Busca Ativa e Superação dos índices do IDESP, programas propostos pela própria Secretaria da Educação. Perguntamo-nos como continuar com esses projetos diante de uma mudança que afeta diretamente a demanda diretiva, a realidade pedagógica, a organização e a dinâmica discente específica da nossa escola?

Como docentes, sabemos que adaptar o trabalho pedagógico para cada sala de aula demanda um longo tempo de consolidação. Mudanças repentinas como essa proposta, nos direcionam para um caminho diferente do que acreditamos em nossas práticas diárias. Entendemos que elas devam ser respeitadas e consideradas, antes de mudanças realizadas pela administração estadual. Ponderamos que seguir normas e resoluções meramente técnicas de metragem do espaço não atende nossos desafios por uma escola e ensino de qualidade. Além disso, conforme encontramos nas sugestões do PNE, a exigência de um mínimo de 40 com possibilidades de extensão, está longe dos 35 alunos sugeridos pelos Fóruns de Educação e pelos documentos e metas assinados pelo próprio Estado de São Paulo.

Essa mudança também desconsidera totalmente a realidade profissional e a vida pessoal de seus docentes. Cientes da dinâmica anual do ano letivo, suas escolhas e planos não podem ser alterados de forma que intensifique, precarize e desrespeite os compromissos assumidos e que envolvem sua vida como educador que se estende muito além dos períodos das aulas. Fechamento de salas promovem mudanças do quadro de seus profissionais não apenas entre os períodos e turmas, mas também de unidade escolar. Não entendemos como isso pode ser compatível com a política de valorização e respeito pelo magistério divulgado pela Secretaria da Educação.

Por isso, aprovamos essa denúncia e a moção de repúdio a essas medidas que atingem a nossa escola e que irão apenas aprofundar as ações de desvalorização da Escola Pública.

A qualidade formativa não se traduz e se resume por acomodação quantitativa de pessoas em um espaço físico. Medidas como essa se estabelecem em um contexto e momento estranhamente inapropriado e de forma totalmente arbitrária.
São Paulo, junho de 2017

Assinam essa moção de repúdio.
Professores:
Alécio de Araújo
Alex Sandro S. Correa
Ariana Almeida Gomes
Cláudia B. de Freitas
Claunice Iheda
Cristina Regina Montovani
Eliana Salomão Canton
Filomena Pereira Leal
Frederico Morrach
Ione Silva Lisboa
Janaina Silva Mendes
Kátia Pisaruk
Luciana Fabiola Goncalves
Luis Antônio Fernandes
Marina Gonçalves Platera
Marlise Goulart Balienio
Neide Rodrigues Coelho
Nereu Van Loon Bodê da Costa Dourado
Paulo Henrique Pereira
Pedro Willian S.F.
Priscila Silva de Souza
Roseli Dias
Samanta Nunes de Arruda
Socorro Magda da Cunha
Tomas Nunes Castilho”

COMENTÁRIOS

3 respostas

  1. Fui aluna do Andronico. Excelente escola. Reduzir salas…reduzir possibilidades para educandos…é reduzir crescimento e empoderamento de pessoas que questionem os desmandos do nosso País!!!!

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