Clube de Militares faz carta defendendo os “bons costumes”, e internautas se indignam

Carta divulgada na segunda-feira (19) defende a “Pátria e Família”, mas internautas apontam falhas dos militares
Militares batem continência para Jair Bolsonaro. Foto: Marcos Corrêa/PR

A Comissão Interclubes, que abriga os clubes Militar, da Aeronáutica e Naval do Rio de Janeiro, divulgou uma carta aos sócios na última segunda-feira (19). O texto defende os “bons costumes” e ataca a esquerda brasileira. Contudo, internautas destacaram a discrepância entre as palavras dos militares e as últimas notícias sobre as instituições.

Por: Dani Alvarenga

O documento apresenta posicionamentos contra movimentos progressistas também, que, de acordo com os militares, atentam contra “valores tradicionais que cultuam a Religião, a Família e a Pátria”. Afirmam, ainda, que “há uma tentativa explícita de destruir os conceitos de cidadania e patriotismo”.

Por meio das redes sociais, muitos ressaltaram uma inconsistência no discurso: “Essa conversa fiada de Deus, Pátria e Família nada mais é do que a tentativa de manter as mordomias adquiridas desde os tempos das capitanias hereditárias”, relatou um usuário. 

Foram destacadas também as revelações dos gastos feitos pelos militares com picanha, leite condensado, cerveja, conhaque, uísque, próteses penianas e Viagra. Enquanto essas despesas eram feitas com dinheiro público, a população sofria com os altos preços dos alimentos e remédios. Confira a carta e os comentários feitos por internautas:

Na carta elaborada pelos chamados “militares de pijama”, foi feito um chamamento para que os leitores reflitam sobre o futuro que desejam para o país. Eles também aproveitaram para exaltar as manifestações do Dia da Independência. O 7 de setembro foi marcado por discursos bolsonaristas, que foram qualificados pelos autores do documento como um “resgate de conteúdos cívicos, morais e éticos”.

 Os clubes Militar, da Aeronáutica e Naval do Rio de Janeiro são compostos por oficiais aposentados, que aproveitam sua posição para participar da política brasileira. O Regulamento Disciplinar do Exército interpreta os pronunciamentos e posicionamentos políticos como transgressão disciplinar quando é feita por oficiais da ativa. Portanto, os “militares de pijama” exercem essa função, influenciando os que ainda atuam nas instituições. O chamado para apoiar Jair Bolsonaro nas eleições de 2022 reflete os privilégios que a instituição obteve durante o governo. Durante o mandato, o número de militares em cargos de confiança mais do que dobrou. Em 2020, durante a pandemia de coronavírus, dados do Portal da Transparência do Governo Federal mostraram pagamento de supersalários a grupos das Forças Armadas, chegando a até 1 milhão de reais como remuneração.

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