Brasil tem inflação menor, mas comida sobe para os mais pobres

A deflação veio na queda dos preços da gasolina e energia elétrica; outros itens continuam avançando
Apesar da queda de preços da gasolina e energia elétrica, a inflação dos alimentos continua crescendo
Apesar da queda de preços da gasolina e energia elétrica, a inflação dos alimentos continua crescendo

Ontem, dia 10 de agosto, saiu o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), indicador da inflação no país, referente a julho. O governo comemorou muito o fato de que o IPCA caiu 0,68%, refletindo a queda nos preços combustíveis. Foi a menor taxa da série histórica desde 1980. “Deflação!”, compartilham os bolsonaristas nas redes sociais. A deflação, no entanto, não foi para todos. Para as famílias que recebem até três salários mínimos, houve uma alta de preços de 0,44%.

Por Patrícia Cornils e Thaís Helena Moraes

O cálculo é da Fundação Instituto de Política Econômica (FIPE), para mostrar a inflação por faixa de renda. Para as famílias que recebem mais de 10 salários mínimos, a inflação foi de 0,11%. “A política do governo é uma política normalmente baseada na concentração de renda e no privilégio dos mais ricos em relação aos mais pobres”, explicou Fausto Augusto Junior, diretor técnico do Dieese, em entrevista ao Jornal Brasil Atual.

Isso acontece porque os preços dos alimentos continuam subindo e os alimentos são onde as famílias mais pobres gastam a maior parte de sua renda. “O forte tombo do indicador acabou ‘escondendo’ a aceleração dos preços de alimentos, que passou de 0,80% em junho para 1,30% em julho. A inflação de serviços em 12 meses também acelerou (8,88%) diante do aumento da demanda e foi a maior desde junho de 2014 (9,20%)”, diz matéria do Valor Econômico sobre o tema. Só o leite subiu, em julho, quase 25%. Do total de produtos que forma o IPCA, 63% tiveram seus preços aumentados em julho.

Prejuízos a longo prazo

A política eleitoreira do governo Bolsonaro deverá ampliar ainda mais esse prejuízo das pessoas que ganham menos. Para reduzir os preços dos combustíveis, da energia e das telecomunicações, o governo federal colocou um teto no ICMS, principal imposto arrecadado pelos estados. Esses recursos vão deixar de ser aplicados em saúde, educação e assistência social – para reduzir o preço da gasolina.

Na prática, explica Fausto, essa política retira investimentos desses setores públicos e transfere para as pessoas de maior renda. A consequência disso está aí: apesar da deflação neste mês, a inflação continua subindo entre aqueles que ganham menos.

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