Bolsonaro voltou mais cedo para o Rio no dia do assassinato de Marielle, diz Tuíte

Presidente mentiu sobre estar em Brasília na tarde de 14 de março de 2018, segundo tuíte da jornalista da Folha na época

O presidente da República Jair Bolsonaro mentiu sobre estar em Brasília na tarde da data do assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes, segundo tuíte da jornalista Thais Bilenky, então repórter da Folha de S. Paulo. Às 12h28 do dia 14 de março de 2018, Thaís postou mensagem dizendo que, segundo a assessoria do então deputado, Bolsonaro antecipou a volta para o Rio de Janeiro após passar mal por intoxicação alimentar. No dia seguinte, a Folha repercutiu a informação, que foi confirmada pela assessoria do deputado.

Esta mensagem foi trazida à tona somente hoje cedo, pelo deputado federal David Miranda (PSoL) e pela ex-candidata a presidente Manuela D’Avila (PCdoB), em meio ao escândalo diplomático da invasão da Embaixada da Venezuela. Ela aponta contradição muito suspeita no depoimento do presidente às redes sociais e meios de comunicação. O porteiro do Condomínio Vivendas da Barra afirmou à Polícia Federal que a entrada do miliciano Élcio Queiroz, comparsa de Ronie Lessa e executor do assassinato, na casa 58 fora autorizada pelo “Seu Jair”, às 17h10 do dia 14. Às 3h50 do dia 29 de outubro, após reportagem no Jornal Nacional, JB gravou um vídeo exasperado da Arábia Saudita alegando aos gritos de “imprensa porca, canalha e imoral”, que estava no plenário em Brasília no dia do assassinato, ocorrido às 21h30. A postagem de Thais, hoje repórter da revista Piauí, ainda pode ser conferida na sua conta do Twitter. Durante a manhã, os próprios tuiteiros conferiram no site transparência da Câmara de Deputados que o seu gabinete comprou passagem de ida e de volta no mesmo dia 14.

A revelação da mensagem está liderando o Trend topics do Twitter desde o final da manhã. O sumiço de Carlos Bolsonaro das redes sociais nesta semana, com o encerramento de todas as suas contas, está sendo apontado pela opinião pública como apagamento de provas, já que ele falava do pai, de armas e da campanha à Presidência e ao Congresso Nacional. O filho 02 de Bolsonaro também foi pego em contradição. Primeiramente ele disse que estava na Câmara de Vereadores desde a tarde do dia do crime e depois afirmou que estava em casa, no Vivendas da Barra.

Além de remeter à óbvia e necessária investigação do retorno do ex-deputado ao Rio pelo voo da Gol, que necessariamente deve ter a viagem em seus registros, a revelação de hoje abre uma nova linha de apuração: quais consequências teve a intoxicação alimentar? Há registros de atendimento médico? Que relação ela pode ter com os supostos problemas gástricos de Bolsonaro anteriores à facada que catapultou a sua campanha?

Indícios há de sobra, mesmo com a adulteração de áudios e a destruição de provas. O que parece faltar é vontade política de investigar nas instâncias policiais e jurídicas. Como dizem os comentaristas das redes sociais, o que espanta é os tuiteiros acharem mais provas do que a polícia.

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2 comentários:
  • DAGOBERTO
    14 novembro 2019 at 13:35
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    Nesse mato tem cachorro. Muita coisa está deixando de ser dita, um grande perigo para todos.

  • 14 novembro 2019 at 14:27
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    Quem disse que mandante de crime tem que estar no local do ato? Justamente o contrário! Lógico que ele estaria longe! Brasília ou na China, tanto faz! Mandante manda matar de qq lugar !

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