Bolsonaro sequestra Dia da Independência para realizar campanha eleitoral

Bolsonaro em evento de comemoração do Bicentenário da Independência. Foto/ Reprodução AFP
Bolsonaro em evento de comemoração do Bicentenário da Independência. Foto/ Reprodução AFP

Durante evento em comemoração do bicentenário da Independência do Brasil, Bolsonaro utilizou o tempo de seu discurso como presidente para promover sua campanha eleitoral. É importante ressaltar que, enquanto desfilava e assistia as apresentações, Jair Bolsonaro utilizou a faixa presidencial. Entretanto, enquanto discursava sobre feitos do seu governo e sobre a possibilidade de uma reeleição, o presidente retirou a faixa, e falou como um candidato à reeleição. Tal atitude demonstra que Bolsonaro usurpou o tempo e o espaço de um evento público para promover uma campanha eleitoral a seu favor. 

Antes do início do desfile, Bolsonaro deu a seguinte declaração, citando momentos da história em que o Brasil passou por rupturas: “Eu quero dizer que o brasileiro passou por momentos difíceis. A história nos mostra: 22 – em provável referência à 1822, ano da independência –, 35 – provável referência à 1935, ano que o Brasil sofreu um falso ataque comunista, pretexto usada por Getúlio Vargas para aplicar um golpe de Estado –, 16 – em provável referência à 2016, ano em que Dilma sofreu o golpe e foi impeachmada – , 18 – em provável referência à 2018, ano da eleição de Bolsonaro – e agora 22. A história pode repetir. O bem sempre venceu o mal”. 

Michelle Bolsonaro também discursou. Com falas permeadas por ideologias religiosas, a primeira dama promoveu a campanha de Bolsonaro: “A todos aqueles que meditam, pelo nosso bem e pelo bem da nossa nação, estamos aqui lutando pelo bem maior, que é a nossa família e a nossa liberdade. Estamos aqui lutando por princípios e valores que Deus estabeleceu na Terra. Não estamos aqui por poder, e muito menos por status. Estamos aqui para cumprir um chamado, e um propósito que Deus estabeleceu para as nossas vidas. Contamos com o apoio de vocês, contamos com a energia boa que vem de vocês, que vocês possam replicar o amor, a paz, e a harmonia, em um dia tão simbólico para a nação que é a Independência dela. Nós declaramos que essa nação pertence ao senhor Jesus. Nós declaramos que essa nação é abençoada por Deus. O Agro é abençoado por Deus. A família é abençoada e é projeto de Deus. A vida, desde a concepção, é um projeto de Deus.”

Confira uma parte do discurso eleitoral de Bolsonaro: 

“[…] Tenho certeza, mais que oxigênio: a nossa liberdade é essencial pra nossa vida. Nenhum país do mundo tem o que nós temos. Temos tudo, para sermos ainda mais felizes ainda. Podem ter certeza. Com a graça de Deus, que me deu uma segunda vida, e pela missão que me deu, de comandar o nosso país, nós atingiremos juntos o nosso objetivo. Hoje vocês tem um presidente que acredita em Deus, que respeita os seus policiais e seus militares. Um governo que defende a família, e um presidente que deve lealdade ao seu povo. Vocês sabem a beira do abismo que o Brasil se encontrava, atolado em corrupção e desmando. Demos uma nova vida a essa esplanada dos ministérios, com pessoas competentes, honradas e patriotas. Começamos a mudar o nosso Brasil. Veio uma pandemia, lamentamos as mortes, veio aquela errada política do ‘fica em casa que a economia a gente vê depois’. Enfrentamos também consequências de uma guerra lá fora. Quando parecia que tudo estaria perdido para o mundo, eis que o Brasil ressurge, com uma economia pujante. Com uma gasolina das mais baratas do mundo, com um dos programas sociais mais abrangentes do mundo, que é o Auxílio Brasil. Com recorde na criação de empregos, com a inflação despencando, e com um povo maravilhoso entendendo aonde o seu país poderá chegar. Somos uma pátria, majoritariamente cristã, que não quer a liberação das drogas, que não quer legalização do aborto, que não admite a ideologia de gênero. Um país que defende a vida, desde a sua concepção; que respeita as crianças na sala de aula, que respeita a propriedade privada e combate a corrupção para valer. Isso não é virtude, é obrigação de qualquer chefe do Executivo. Sabemos o que temos pela frente, uma luta do bem contra o mal. O mal, que perdurou por 14 anos em nosso país, que quase quebrou a nossa pátria, e desejam voltar à cena do crime. Não voltarão! O povo está do nosso lado; o povo está do lado do bem. O povo sabe o que quer. A vontade do povo se fará presente no próximo dia 2 de outubro.”

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