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Um bloco de carnaval como luta política, como forma de criar novos caminhos físicos e novas formas de pensar, como método para mostrar o que é rico culturalmente e pobre de recursos, uma aula da Guarda de Moçambique.

Na última segunda-feira (08 de fevereiro) estivemos no espaço da Guarda de Moçambique Nossa Senhora do Rosário – Irmandade Os Carolinos, uma das mais antigas do curral, localizada no bairro Aparecida em Belo Horizonte. Chegamos lá juntos com outros tantos foliões a convite do bloco Filhxs de Tcha Tcha, que tem em sua proposta central, levar os foliões a conhecerem as múltiplas cidades existentes na mesma Belo Horizonte e alertar para a questão da moradia. Fizeram isto em 2014, ao realizar a saída a partir da Ocupação Rosa Leão, na região da Mata do Isidora, em Santa Luzia, na época ameaçada de despejo e em 2015 na mesma área, mas nas ocupações Vitória e Esperança.Jpeg

Neste ano o local escolhido também tinha suas características peculiares, dentre eles a riqueza cultural do espaço, uma mostra claríssima do sincretismo religioso brasileiro,  o baião de dois, prato típico e que foi essencial para sustentação dos foliões que foi servido pela Irmandade antes da saída do bloco,  e até mesmo o fato dos fundos arrecadados com a venda de lanches, baião e bebidas  ser destinado para melhorias na sede e subsidio para a Festa-Grande (festa da Guarda), a ser realizada em Outubro, mas o motivo de escolha não foi nenhum destes.

De acordo com os organizadores do bloco, a escolha do local se deu como uma maneira de trazer a atenção para  a luta d’Os Carolinos, que devido a falta de presença do poder público, convive há décadas com um córrego beirando seus terrenos, o que não necessariamente seria ruim, se não fosse a ausência de tratamento adequado do esgoto, oriundo por sinal não apenas das casas que naquela rua, mas de todo entorno, o que o tornou um “esgoto a céu aberto”.

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E foi a partir deste local que o bloco partiu, fazendo com que foliões de diversos  locais de Belo Horizonte se deparassem com esta Belo Horizonte que é um contraste por si só. Riquíssimo de cultura e ao mesmo tempo esquecido pelo poder público.

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Saímos, ocupando as ruas de BH, fazendo um novo trajeto, um novo caminho diferente do de muitos foliões, uma disrupção, que no mínimo deixará nas memórias dos foliões que o espaço da Guarda existe, é lindo e merece mais atenção do poder público.

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 #OutrosCarnavales

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