Assassinatos, mentiras e ameaça: Bolsonaro joga sujo na reta final

O mundo de olho no Brasil e na cavalaria de Bolsonaro/Trump
Bolsonaro/Trump

As eleições brasileiras tornaram-se um assunto mundial após a derrota de Donald Trump em 2021 nos Estados Unidos. O que está em jogo não é pouco. O Brasil é o maior país da América Latina, tem uma fonte de riquezas ainda inexplorada, abriga a Amazônia e possui um mercado interno potencial de fazer inveja ao resto do planeta. 

Por Ricardo Melo

A direita mundial está em pânico. A mensagem de Trump rasgando elogios a Bolsonaro depois do 7 de setembro diz tudo. Apesar de derrotado em casa, Trump, magnata americano, ainda reúne milhões de seguidores e almeja voltar ao poder.

Depois dos resultados eleitorais que deram vitória a Joe Biden, Trump ainda tentou um golpe inédito em 6 de janeiro ao comandar a invasão do Capitólio. Fracassou num primeiro momento. Não se deu por rogado. Expulso da Casa Branca pelo voto, Trump surrupiou documentos secretos para uso particular e agora tenta escapar de uma penca de processos. A democracia americana fraqueja diante de tanta desfaçatez.

Agora, é Bolsonaro, seu aliado preferencial de outrora na América Latina, que carrega a tarefa de manter vivo o domínio de supremacistas brancos, do grande capital e da exploração desenfreada do povo pobre mundo afora. Engana-se quem pensa que os cartuchos já foram esgotados no Brasil. Pesquisas são pesquisas. Não são elas que decidem o jogo.

Bolsonaro e sua horda de alucinados partiram para o tudo ou nada. Além do combate às urnas eletrônicas, as mortes começam a se acumular. Nesta quinta-feira (08/09), um bolsonarista matou um petista a facadas em Mato Grosso do Sul. Tinha um machado para completar o “serviço”. 

Lembrem-se da morte do dirigente do PT fuzilado no Paraná quando comemorava seu aniversário, para não falar de Marielle Franco, de Bruno Pereira e Dom Philips e de muitos outros vitimados com a conivência do Planalto e também, cada uma a sua maneira, de instituições que deveriam defender a democracia. 

O 7 de setembro reforçou o recado. “Temos que extirpar essa gente”, bradou o capitão expulso do Exército ao lado de um empresário investigado por articulações golpistas, o “Louro José” Luciano Hang, das lojas Havan. O “salve geral” foi enviado aos bolsonaristas como licença para cometer atrocidades contra quem se opuser à direita e à extrema direita. Não por acaso, o deputado estadual cearense Francisco de Assis Cavalcante Nogueira, mais conhecido como Delegado Cavalcante (PL-CE), bolsonarista-raiz, achou-se à vontade para, em seu discurso no mesmo 7 de setembro, ameaçar: “Se a gente não ganhar nas urnas, nós vamos ganhar na bala”

Bolsonaro usou o 7 de setembro como um comício televisionado ao vivo a favor de suas barbaridades, temperado com o machismo de sempre e custeado pelo dinheiro do povo. Usa as canetadas para distribuir dinheiro a rodo (só até dezembro), financiar um orçamento clandestino e obstruir investigações sobre o crescimento astronômico do seu patrimônio e da família em dinheiro vivo! Nada acontece: Supremo, Tribunal Eleitoral, grande mídia & cia escondem-se atrás de prazos processuais e minudências judiciais para deixar o fogo se alastrar. 

É preciso ampliar os horizontes sobre o que está acontecendo. A grande imprensa internacional, controlada por uma “direita civilizada”—vigiada por sociedades com tradição mais ou menos democráticas–, alerta insistentemente para os riscos da jornada bolsonarista. A publicação mais enfática a respeito foi a revista britânica “The Economist”, que pode ser acusada de muita coisa, menos de ser porta-voz da esquerda. Nesta semana, dedicou reportagem de capa às eleições brasileiras. 

O texto termina assim: “O melhor resultado seria o sr. Bolsonaro perder por uma margem tão ampla que ele não possa plausivelmente alegar ter vencido, seja no primeiro turno em 2 de outubro, ou (mais provável) em um segundo turno em 30 de outubro. Serão semanas tensas e perigosas. Outros países devem apoiar publicamente a democracia brasileira e deixar claro aos militares brasileiros que qualquer coisa que se assemelhe a um golpe faria do Brasil um pária. Os eleitores brasileiros devem resistir à atração de um populista desavergonhado. Eles, e o país, merecem coisa melhor.”

A “Economist” não virou a casaca. Apenas enxerga o que boa parte da imprensa brasileira trata cheia de dedos. Bolsonaro é um risco não apenas para o país, mas para os grandes negócios das multinacionais e do dinheiro gordo. 

O capitalismo está às voltas com uma crise que não para de crescer, feita de descontrole financeiro, desastre ambiental, insurreições, inflação descontrolada e piora generalizada das condições de vida do povo pobre e mesmo da classe média –ambos a maioria.

O mundo ainda vive as ondas de choque do crash de 2008, que assinou novo atestado de óbito do neoliberalismo. Naquela crise, os mandatários supostamente “anti-estatizantes” despejaram montanhas de dinheiro público para salvar bancos e capitalistas à beira do naufrágio. O governo americano e seus congêneres chegaram a comprar grandes empresas prestes a falir para depois devolvê-las a responsáveis pela catástrofe.

Agora, temos outro momento bastante grave. O capitalismo precisa da rapina desenfreada e selvagem para sobreviver, mas precisa também de “certo consenso” para que a exploração seja suavizada e pareça aos explorados o curso natural das coisas. Só que é possível enganar poucos durante algum tempo, muitos durante pouco tempo, mas não todos durante todo o tempo.

As grandes potências internacionais hoje lutam em torno de uma saída palatável para manter seus privilégios e suas fontes de recursos. A guerra da Ucrânia continua, sabiam? Disputa por combustíveis, gás e cerco à Rússia e à  Ucrânia. Milhares de mortos, milhões de refugiados em plena Europa. Alguém ainda fala disso? A mídia se encarregou de abafar o caso. 

Hoje o Brasil não está apenas na mira dos EUA; o destino do país interessa à União Europeia, China, Rússia e sobretudo a gente oprimida por anos de submissão aberta ou disfarçada.  É a velha luta de classes que está em curso. O Brasil neste momento está no centro do tabuleiro. A derrota de Bolsonaro será um respiro para quem ainda almeja um presente melhor e um futuro promissor.

Será só um primeiro passo, porém sem ele não se darão o segundo nem os posteriores. Os petistas ou não petistas devem ter isso em mente nesta reta final de campanha. Todo esforço é pouco para deter um retrocesso que só significará mais fome, miséria, obscurantismo, discriminação e desencanto. Aqui e alhures.

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