A “guerra” não funcionou antes. Não vai funcionar agora

Dentro de sua conhecida estratégia de “guerra” contra os estudantes que ocuparam as escolas, agora a secretaria de Estado da Educação vem com mais um golpe. Trata-se de tentar imputar ao movimento em defesa da escola pública e gratuita a pecha de vândalos e ladrões

Por Jornalistas Livres

Pois foi isso o que a Secretaria da Educação, desde a segunda quinzena de dezembro sob o comando de Cleide Bauab Eid Bochixio, fez nesta quarta-feira (6 de janeiro), ao soltar um comunicado oficial a respeito da desocupação da E.E. Fernão Dias Paes, de Pinheiros, uma das escolas que foram referência na luta contra a “reorganização” que o governo de Geraldo Alckmin tentou impor.

Imagens: Jornalistas Livres | Edição: Marcela Montserrat

Com 1.700 alunos, o Fernão Dias foi entregue depois de 55 dias de ocupação à vice-diretora, na presença de um representante da Diretoria de Ensino, de alunos, de um pai, uma mãe e do frei Agostino, além de um membro da Rede Jornalistas Livres, que registrou toda a vistoria técnica realizada.

Imagens: Jornalistas Livres | Edição: Marcela Montserrat

Após mais de uma hora percorrendo todas as instalações da escola (entre as 18h50 e as 19h50 do dia 5 de janeiro), a vice-diretora não deu por falta de nenhum item do patrimônio escolar.

“Andamos por toda a escola, entramos em todas as salas, até na sala da vice-diretora e da diretora, cujas portas estavam bloqueadas por livros didáticos ali colocados pelos alunos. Tais livros foram retirados pelo representante da diretoria de ensino, ajudado pelos estudantes. A vice-diretora reclamou apenas da “bagunça”. Disse que seus objetos haviam sido mexidos, mas ressaltou que não faltava nada.”

Quando a vistoria já se encaminhava para o seu fim, peritos da polícia civil chegaram à escola e solicitaram a presença de representante da diretoria de Ensino.

Neste momento, a vice-diretora fez a sua segunda queixa. Ela questionou os alunos por que um jogo de camisas do time do Fernão Dias estava jogado em cima de uma mesa e não dentro do armário, como deveria.

Nosso jornalista livre ressalta que “em nenhum momento”, a vice-diretora reclamou da falta de qualquer objeto. “Nada.”

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Foto: Sato do Brasil

Como a vistoria havia sido realizada e documentada em todas as dependências da escola, os alunos resolveram fazer a entrega das chaves para o representante da Diretoria de Ensino, que afirmou que a escola estava sem nenhum dano e em condições de ser utilizada já no dia seguinte à desocupação, como de fato ocorreu.

Qual não foi a surpresa, portanto, quando a Secretaria da Educação emitiu comunicado com os seguintes dizeres:

“Ao longo da ocupação, qualquer funcionário ligado à escola ou à Secretaria ficou impedido de entrar no prédio escolar. Por isso, uma equipe designada pela Diretoria de Ensino e a direção da escola só puderam averiguar a situação do prédio com uma vistoria técnica iniciada ontem e encerrada apenas hoje. Foram registradas a falta de um notebook, um televisor e um projetor de imagens. Outros dois itens foram encontrados danificados: uma televisão, utilizada no teatro, e uma impressora. Estes itens não estão na lista anunciada pelos estudantes, que deverão ressarcir a administração da escola pelos danos causados. O prejuízo com esses equipamentos fica em cerca de R$ 5 mil.”

Trata-se de uma desfaçatez incrível!

Por saber que havia um Jornalista Livre acompanhando a vistoria no dia 5, o comunicado da Secretaria da Educação agora diz que uma tal “vistoria técnica” foi iniciada no dia 5 e só encerrada no dia 6. E imputa aos estudantes a responsabilidade pelo suposto sumiço de um notebook, um televisor e um projetor de imagens. Também afirma que uma televisão, utilizada no teatro, e uma impressora teriam sido danificados.

Ora, a Secretaria da Educação deveria saber que acusar é fácil. Mas é a ela que cabe o ônus da prova. E se os tais itens já estavam quebrados? E se o notebook nunca existiu? Ou desapareceu antes da ocupação?

Tentar criminalizar o movimento com acusações infundadas apenas levará a uma radicalização maior da luta e ao fechamento do já difícil diálogo entre os secundaristas e uma secretaria que confessadamente promoveu e promove uma “guerra” aos estudantes.

Não funcionou antes. Não vai funcionar agora.

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Foto: Sato do Brasil

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