“Vamos revogar o orçamento secreto. Queremos saber o que ele tá escondendo”, diz Lula em ato

Na "terra de Bolsonaro", neste domingo (18), Lula reuniu milhares de apoiadores no ato "Todos Juntos por Santa Catarina"
Lula em ato de Florianópolis - Foto: Ricardo Stuckert
Lula em ato de Florianópolis - Foto: Ricardo Stuckert

Nesta manhã de domingo (18), enquanto Bolsonaro está em Londres para enterro da rainha, Lula seguiu sua agenda de campanha em Florianópolis. O ato Todos Juntos por Santa Catarina começou às 11h e contou com a presença do vice Alckmin, da ex-presidenta Dilma, Manuela D’ávila, que foi vice de Haddad, e do senador Randolfe Rodrigues. Em discurso, Lula criticou a gestão de Bolsonaro e se comprometeu que, caso eleito, dará um jeito no centrão e revogará o Orçamento Secreto.

Na Praça Tancredo Neves, em Florianópolis (SC), Lula disse que entre as suas prioridades está “dar um jeito no centrão” e mexer no orçamento secreto. “A primeira coisa que vamos fazer é revogar o decreto do sigilo, nós queremos saber o que ele (Bolsonaro) está escondendo. (…) Se a gente ganhar, a gente vai ter que dar um jeito no Centrão, vai ter que mexer no orçamento secreto, vai ter que cumprir o piso da enfermagem, melhorar o piso dos professores”.

Comício de Lula em Florianópolis: “Todos Juntos por Santa Catarina” – Foto: Ricardo Stuckert

O Centrão ficou conhecido por ser um grupo de partidos de direita e centro-direita do congresso nacional. Esses parlamentares costumam se aliar aos presidentes eleitos que, em troca, devem atender as suas demandas. Em seu governo, Bolsonaro ganhou o apelido de “Tchutchuca do Centrão”. Já o Orçamento Secreto, decretado no governo Bolsonaro, impede que exista transparência nas negociações do congresso. Ou seja, não se sabe quanto se gasta e para onde o dinheiro está sendo destinado.

Segurando uma bandeira do Brasil e outra do Partido dos Trabalhadores, Lula também relembrou que a imagem do país não pertence a direita bolsonarista. “Normalmente, um fascista que não tem partido político, que nunca organizou partido político, que não gosta do povo, não respeita ninguém, diz o seguinte: ‘O meu partido é o Brasil’. Ele diz que o seu partido é o Brasil, e eu queria dizer para ele que o Brasil não é um partido. O Brasil é o nosso país. Essa bandeira aqui não é bandeira de um partido, é a bandeira de 215 milhões de brasileiros que amam esse país. Ele utiliza essa bandeira porque ele não tem orgulho de dizer ‘esse é o meu partido'”.

Em sua fala, o ex-presidente Lula também pediu para que as pessoas não se deixassem ser enganadas por um político que odeia o povo. “A gente não pode ser governado por uma mentira. Bolsonaro queria que o auxílio emergencial fosse de R$200. A oposição no Congresso brigou por R$ 600 e foi aprovado R$ 600, ele reduziu para R$ 400 e como está com medo de perder no primeiro turno resolveu recriar o R$ 600 (…), mas só vai valer até dezembro, isso está na LDO, Lei de Diretrizes Orçamentárias. Ele não tem auxílio até janeiro, mas ele disse que vai continuar”.

Além disso, Lula disse que quer trazer de volta a dignidade do povo brasileiro que Bolsonaro tirou. “Não é bonito ser pobre. Nós todos que estamos aqui queremos ter um padrão de vida de Classe Média, a gente quer ter carro, televisão, a gente quer poder tirar férias, viajar de avião e não de ônibus. É um direito nosso.”

Nesta manhã (18), em Londres, Bolsonaro disse aos seus apoiadores que a vitória em primeiro turno era uma realidade, embora as pesquisas digam o contrário. Enquanto isso, em Florianópolis, o tom foi de luta e não de vitória. As falas dos convidados relembraram o esforço que ainda precisa ser feito nesses 13 dias que restam de campanha:

“Esse ano é o ano da liberdade do brasileiro. 13 dias de rua, 13 dias de campanha. (…) 13 dias de gás para quatro anos de paz”, disse Manuela D’ávila em Florianópolis.

Comício de Lula em Florianópolis: “Todos Juntos por Santa Catarina” – Foto: Ricardo Stuckert

O senador Randolfe Rodrigues defendeu que Lula é o cavaleiro da esperança dos dias atuais e que o que teremos nos próximos dias não são simples eleições, mas sim a decisão de qual Brasil queremos para o futuro. Em sua fala, questionou também a ideia de que exista uma polarização:

“Eu quero saber que polarização é essa enquanto um lado defende a vida dos brasileiros (…) e o outro defende a morte e debocha do sofrimento dos brasileiros durante a pandemia do Covid-9 como o canalha fascista e seus asseclas fizeram (…). Eu quero saber o que é polarização quando nós temos 33 milhões de compatriotas nossos passando fome por causa dos canalhas que estão no palácio do planalto, enquanto o outro lado erradica a fome. Eu quero saber o que é polarização quando um lado defende torturador, ditadura, o fim da constituição de 1988 e o fim da democracia, enquanto o outro tem duas pessoas que surgiram da democracia brasileira, tem Geraldo Alckmin e Luiz Inácio Lula da Silva”.

“Dilma guerreira da pátria brasileira”, assim foi recebida a ex-presidenta no comício em SC. Em seu discurso, Dilma reforçou a ideia de um voto útil em Lula e defendeu que precisamos romper o ciclo de ódio que começou com a eleição de Bolsonaro. “O Brasil precisa desse voto, dessa nova oportunidade. Isso será algo extremamente importante para cada um de nós. Vamos romper esse circuito de ódio, de miséria, de doença, de morte que começou aqui no país.”, disse Dilma.

Alckimin, em sua fala, acentuou o prejuízo e os estragos do governo Bolsonaro. “O que foi feito no Brasil inteiro foi o desemprego entre os jovens, mais de 30%. Foi a fome, que já tinha ido embora, agora são mais 33 milhões de pessoas. Inflação no café da manhã, do leite, da manteiga. Negacionismo: o Brasil tem 3% da população do mundo, mas teve 10% de mortes da Covid-19 no mundo. (…) Vitor Hugo dizia que nada segura a ideia que chegou em seu tempo. Chegou o seu tempo, presidente Lula, chegou o tempo de fortalecer a democracia, chega de quem gosta de tortura, quem admira a ditadura não devia nem pedir voto do povo”.

Na sexta-feira (16), Lula participou de atos em Porto Alegre e, no sábado (17), em Curitiba. Saindo de Florianópolis, Lula viajará para São Paulo e encontrará nesta segunda (19) ex-candidatos a presidência.

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