Por que criminosos do esporte, como Bruno e Robinho, votam em Bolsonaro?

Por que esportistas envolvidos em atos criminosos, infrações, injúrias preconceituosas, declaram voto em Bolsonaro?
Bruno declarou voto em Jair Bolsonaro. Foto: Renata Caldeira/ TJMG
Bruno declarou voto em Jair Bolsonaro. Foto: Renata Caldeira/ TJMG

Para as pessoas que ainda têm dúvidas sobre o caráter do presidente Jair Bolsonaro, tem uma situação muito interessante para vocês analisarem. Por que esportistas envolvidos em atos criminosos, infrações, injúrias preconceituosas, declaram voto no perverso Bolsonaro?

Por Walter Casagrande Jr., via Uol

Primeiro vou explicar o porquê dessa escolha.

Obviamente, Jair Bolsonaro faz tudo, na maioria das vezes com abuso de poder, para defender um familiar ou um apoiador de seus planos malignos.

Deu anistia a Daniel Silveira, condenado por ataques e ameaças aos ministros do STF. Colocou 100 anos de sigilo para as investigações contra ele e os filhos no caso das rachadinhas. Também colocou em sigilo os gastos do cartão corporativo usado por ele. Usa e abusa da sua posição de presidente para ajudar pessoas condenadas ou investigadas por algum crime.

São tantos atropelos à lei e tantas imoralidades que são cometidas por esse governo que tem muita gente do esporte com o nome sujo na praça que também quer se aproveitar — ou até já está se beneficiando — dessa onda de impunidade. A lista é grande e famosa. Vamos lá?

Os dois primeiros da lista são os piores, os mais perversos, autores de crimes hediondos, condenados pela justiça.

O criminoso Bruno, perigosíssimo, disfarçado de goleiro, foi o mentor de um crime sem precedência no futebol. Mandou matar e sumir com o corpo da mãe de seu filho, Eliza Samudio. A garota que tinha 25 anos foi morta, esquartejada, e os seus restos mortais jogados para cães. Bruno foi condenado a 22 anos e 3 meses de prisão por sequestro e assassinato.

Esse monstro declarou voto para Jair Bolsonaro.

O segundo da lista é o estuprador Robinho, condenado a 9 anos de prisão por participação em um estupro coletivo na cidade de Milão (Itália). Passeando pelas praias do litoral sul de São Paulo, soube que o seu pedido de extradição chegou à Justiça brasileira. Como o Brasil não pode extraditar seus cidadãos, o Ministério Público de Milão pede que a pena seja cumprida por aqui.

Robinho também é um eleitor de Bolsonaro — declarou seu voto poucos dias antes do pedido de extradição. Talvez tente uma troca de favores, apesar de a decisão sobre o cumprimento da pena não depender do presidente. Mas como Bolsonaro tem o histórico de não respeitar as leis, Robinho tem alguma chance de continuar curtindo a vida e não pagar sua pena.

Neymar não poderia ficar de fora, até porque já pediu que o presidente perdoasse sua dívida de impostos. E agora, no dia 17 de outubro, tem início o julgamento final sobre a transferência para o Barcelona do dono da camisa 10 amarela da seleção, que já foi do Pelé.

Conforme escreveu o Bruno Andrade aqui no UOL, o julgamento pode durar até 10 dias. São 37 acusações, por exemplo, a de corrupção entre particulares. A justiça espanhola está pedindo dois anos de prisão e uma indenização de aproximadamente 150 milhões de euros (R$ 760,7 milhões).

Neymar continua sendo infantil, mimado, porque a primeira coisa que fez foi pedir dispensa do julgamento — que foi negada por se tratar de uma investigação criminal.

E o que ele tem em comum com Bruno e Robinho? Declarou voto (mesmo sem votar), com uma dancinha de deboche, ao mesmo Jair Bolsonaro.

Resta saber se ele também fará a “careta de deboche” para o juiz como ele faz para as câmeras quando marca seus gols nos times franceses ou no Maccabi Haifa.

Saindo do campo de futebol para as quadras de vôlei. Maurício Souza e Tandara têm diversas coisas em comum, e só uma diferença.

Maurício abusou de falas homofóbicas nas suas redes sociais, até chegar ao ponto de se ofender com o beijo gay do filho do Superman numa história em quadrinhos. Foi demitido do seu clube e suas portas se fecharam no esporte, mas antes de tudo isso já era um súdito do “minto”.

Tandara foi pega no doping durante a Olimpíada de Tóquio/2020 sendo suspensa por quatro anos devido a isso. Mas, assim como Maurício Souza, se incomodou com o desenho animado Peppa Pig por ter um casal gay. Isso, para ela, mostra maus costumes para as crianças. Ela também fez comentários homofóbicos, sendo muito criticada por isso.

Também há mais duas coincidências: ambos receberam apoio da ex-jogadora Ana Paula Henkel e os dois também foram candidatos a deputado federal.

E qual a diferença entre os dois? Infelizmente, Maurício Souza se elegeu pelo PL de Minas Gerais, mas Tandara, felizmente, não se elegeu pelo MDB de São Paulo.

Vamos para as pistas?

Emerson Fittipaldi é uma figura que já há muito tempo anda em dívida com a justiça brasileira. Ficou público em 2016 que sua dívida é de 27 milhões de reais. A justiça determinou o bloqueio de 390 mil reais em 26 contas do piloto bolsonarista, mas só encontraram R$ 256,13.

Neste ano foram realizadas eleições em diversos países, entre eles, a Itália. E aí esse senhor foi para a Itália tentar uma “boquinha” no Senado, pelo novo partido fascista italiano. E, claro, se ganhasse, fugiria do processo daqui. Mas não conseguiu realizar o seu plano.

Existem outros esportistas de outras modalidades que também apoiam o sociopata Bolsonaro, mas até o momento nenhum problema com a Justiça apareceu. Torço para que não apareçam, até porque nem todo bolsonarista deve alguma coisa para a Justiça e precisa fazer troca de favores com o sr. perversidade.

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