Policiais agridem namorados em MG; governador diz confiar na seriedade da PM

Em Minas Gerais, um jovem de 22 anos leva socos da PM até desmaiar. Sua namorada, ao tentar intervir, também é agredida
Policiais agridem namorados - Foto: reprodução
Policiais agridem namorados - Foto: reprodução

Na madruga deste sábado (13), um video registrou o momento da agressão sofrida por um casal de namorados na cidade de Paineiras, na região central de Minas Gerais. Era por volta de 2h da manhã quando uma dupla de policiais abordou o casal. A palavra abordar aqui se trata de um eufemismo. O que vemos são dois agentes do Estado espancando covardemente um rapaz,  Marcos Mendonça Gonçalveis, de 22 anos. Um segurava, enquanto o outro projetava socos. O menino não resistiu e acabou desmaiando. Sua namorada, ao tentar intervir, também apanhou. Assim, foi jogada ao chão, uma menina de 18 anos, por um policial homem. Romeu Zema (NOVO), governador de MG, diz confiar na polícia.

A reportagem publicada no jornal O Tempo apurou o caso. Segundo o diretor de comunicação da Polícia Militar em Minas Gerais, Alisson Willian da Silva, a polícia havia sido chamada por conta de uma denúnica: bombas estariam sendo explodidas em praça pública. Entretanto, não há confirmação de que houve envolvimento do casal agrdedido. O coronel informou que apenas após apurar os fatos que poderiam ter certeza. Há também a justificativa de que a agressão foi uma reação. Hoje, às 13h, em suas redes sociais, o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (NOVO), escreveu:

Para o governador do estado não há nada de anormal na abordagem dos dois policiais. Pelo contrário, diz confiar na “seriedade e prontidão” da PMMG na investigação do caso. Mesmo que, de fato, o casal tivesse envolvimento com a denúncia, é inadmissível a abordagem violenta de qualquer um que seja. Não é função do policial militar sentenciar penas. Em um estado democrático, cabe aos juízes baterem os martelos.

Ademais, Zema não demonstra, em nenhum momento, soliedariedade com as vítimas. Claro, não é surpresa para ninguém que o político se comporte assim. Afinal, se porta da mesma maneira desde 2018 quando, nas eleições, já prometia a tolerância zero com o crime, defendendo que a polícia fizesse o que fosse preciso. Não foi, inclusive, Romeu Zema quem parabenizou a PM por operação com 25 mortos em Varginha? “Em Minas a criminalidade não tem vez”, teria dito o político na ocasião. No Brasil, não há pena de morte, mas Zema não se incomoda. Mesmo diante de uma operação criminosa, o governador, quem deveria salvaguardar a lei, faz pouco caso ao Estado de Direito. Sobre o ocorrido de sábado (9), em entrevista ao jornal O Tempo, Marcos afirmou que teve medo da morte. “Mesmo desacordado na viatura eles continuaram a me bater”.

Os dois policiais filmados na madrugada continuam à solta. Além disso, um dos PMs que está no vídeo já teria um longo histórico de denúncias. Como em centenas de outros casos, nada foi feito. Nos últimos meses, Zema, quem apoiou Bolsonaro nas eleições de 2018, continua dando sinais de cumplicidade em 2022. Não choca. No Brasil de Bolsonaro, o descaso com a vida humana é regra. Foram 600 mil vidas ceifadas que poderiam ter sido evitadas em uma pandemia extremamente cruel. Para o presidente restaram as piadinhas e o desdém. “Não sou coveiro”. Em um país em que a vida pouco vale, e que “policial que não mata não é policial“, o serviço feito no dia 13 em MG foi apenas mais um. O governador confia na seriedade da polícia. Destaca a denúncia sobre as bombas soltadas na praça, mas ignora a ação policial, que é só um detalhe. O que importa é o combate ao “crime”, seja como for.

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