A Paraíso do Tuiuti desceu o morro e calou os paneleiros

O Botequim do Mumu bate um papo com Candeia e juntos comentam o desfile da Tuiuti

O Brasil Racista

O Brasil Racista

A Tuiuti merece mais que o título. Ela tem que ser reverenciada pela obra por décadas e estudada nas escolas. Diz o sábio mestre, Candeia ao amigo Carlos Mumu Oliveira. Dois símbolos de um Rio de Janeiro que combate e sorri. Na mesa de um bar esta estória se deu de forma “real” como homenagem ao desfile que emocionou e deu recado ao mundo.

Carlos Mumu Oliveira e Candeia

Logo, Candeia, já emenda: “Passa a porção de manjuba, meu amigo, que hoje o papo é sério”.

Candeia mastiga, toma um gole da sua cerveja e continua sua análise. “Vi esse desfile em lágrimas e pensei: Isso é o nosso Quilombo”.

Mumu acena positivamente como quem concorda por ser verdade e não porque a companhia é ilustre. Mumu é Mangueira. Candeia Portela.

Mas os dois não se constrangem em dizer “Hoje a Tuiuti nos representa”, diz Candeia, que de pronto Mumu completa:”Ela fala de nós e com a gente”.

Nessa fala do manguerense já se mostra que as cores ali defendidas seriam do azul e amarelo. Diferentemente dos que vestem verde e amarelo como ostentação, ignorância e burlesca no pior sentido.

Os que manipulados pela Fiesp foram às ruas numa gigantesca carna-falsomoralismo-alienante. Nesse papo de dois grandes comunicadores, o Morro tem Voz.

Fantoches do sistema

Fantoches do sistema

Ele desce para gritar que panela não é adorno, adereço. É símbolo de fome e resistência. Assim continua o mestre.

Flamenguista descarado e escancarado, Mumu manda: “Como em jogo de futebol, onde o pequeno cala um estádio do tal time ‘grande’, assim o fez a Tuiuiti quando calou a Rede Globo. Calou aqueles que bateram panela e incendiaram de esperança quem chora por causa do aumento do busão ou sobe cansado o morro de rua de terra após o dia de trabalho na casa do doutor”.

E continua: “Os pequenos que estudam na escola que para aquela gente tem que ser sem partido, sem história, sem geografia, sem educação física, sem livros e sem saber”.

Os patos!

Os patos!

Embalado por mais um gole da esperança, conclui: “Diria que a Tuiuti seria a segunda parte da música “Cale-se”, do Chico Buarque. Ou seria a continuação da escola de samba GRES Quilombo criada por você, mestre Candeia”. Candeia sorri. Escrever este papo de duas memórias do Rio que gostamos não foi fácil.

Pois trazer Candeia é trazer uma parte nossa, que incomoda porque nos faz pensar. Já o segundo, nos faz rir, não da imagem fácil do racista ou preconceituoso.

Nos faz rir pela inteligência. Assim são Candeia e Mumu. Um deu vida a um Quilombo e o segundo nos ensina com bom humor como viver em um Quilombo.

Desse papo e do desfile da Tuiuti tirou-se a lição de casa que panelas não devem ser usadas como adorno de um carna-hipocrisia-partidária-em forma de pato.

A escola ensinou e fez chorar esses dois marmanjos. Assim como os mais de 50 milhões que viram um golpe de dados de que não devemos e não vamos desistir.

O Brasil é verde, amarelo, azul, branco e muito, mas muito preto (a). Dos campos de algodão à fábrica ou do navio negreiro ao camburão, continuaremos resistindo.

Nossas correntes foram quebradas mais uma vez com o samba, ou hino, da Tuiuti.

Tuiuti nos lembrou que lado cada qual está(ão). Nós somos o povo que usa a panela para nos sustentar para um dia de labuta.

Brasil Racista!

Brasil Racista!

Eles usam a panela para brincar. Os de cá, rapaz, a panela de fome. Os do outro lado da ponte, que vão de camisa da seleção na Paulista usam a panela como adereço, assim como levam serpentina e apito para brincar mais um carnaval.

Cada qual usa a panela de uma forma. O do lado de cá é um lamento (Grito de sim, nós podemos/ Unidos somos mais fortes / De quem quer maneira eu canto).

Voltando aos anfitriões do bar da vida. Candeia por fim fala: “Vamos ser Reis todos os dias na universidade”…

E passa a cerveja para o amigo Mumu, que complementa, enquanto batuca ouvindo o samba-hino campeão da Tuiuti de 2018.

“O carnaval de 2018 marca a volta da escola de samba como elemento de conscientização. As mensagens de Salgueiro, Mangueira, Tuiuti e Beija-Flor precisam retornar no próximo sábado. Há tempos eu não via tanta troca de ideias, tantos debates e reflexões a respeito dos desfiles. Impossível passar despercebido pelas ‘Pietás’ de Salgueiro e Beija-Flor, que traziam nelas toda dor das mães que perderam seus filhos pra violência. Doeu ver alunos armados em sala de aula? Assalto? Corrupção? Ficou incomodado? Então, o ‘tiro foi certo’, pois os noticiários já não nos tocam mais, tamanha a recorrência desses fatos”.

Carlos Mumu, continua: “Chorou com a comissão de frente da Tuiuti? Ótimo! Chore e se lembre que enquanto estamos aqui lendo, tem gente em pleno século 21 sendo açoitada, humilhada em troca de esmolas disfarçadas de salário”.

E complementa: “Riu do prefeito no papel de Judas? Não ria, é sério! Somos traídos dia a dia por este senhor que dizia que iria cuidar das pessoas. Aliás, ele e seus assessores postaram nota, fazendo-se de vítimas do desfile da Mangueira. Prova de que a crítica doeu e ligou o sinal de alerta deles. Ponto pra nós! Tudo o que foi mostrado está longe de ser uma hipérbole, é real em grandes quantidades sim! Um primeiro passo foi dado. Que venham outros em 2019. Quem não viu, que veja no sábado.

E quem viu, veja novamente. As escolas de samba precisam ficar à frente do seu povo. O recado começou a ser dado nesse ou naquele desfile!”

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Carnaval da Resistência
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