Nike é acusada de racismo religioso na customização de camisas da Copa

A empresa vetou os termos “Ogum” e “Exu”, mas permitiu “Jesus” e “Cristo”; Nike tem histórico de exploração do trabalho
A camisa da Nike pode ser customizada, mas não aceita nomes como "Ogum" e "Exu"
A camisa da Nike pode ser customizada, mas não aceita nomes como "Ogum" e "Exu"

A Nike, empresa de artigos esportivos, é acusada de racismo por vetar nomes como “Ogum” e “Exu” na customização de camisetas da Copa. As críticas, compartilhadas pelas redes sociais, apontaram que “Jesus” e “Cristo” eram termos permitidos. Fornecedora dos uniformes da seleção brasileira, a Nike afirmou em nota que não permite termos de cunho “religioso, político, racista ou ofensivo”. Nomes relacionados à política, como pré-candidatos à presidência, também foram vetados pela empresa.

Por Thaís Helena Moraes

Na madrugada desta segunda-feira (15), o youtuber Felipe Neto compartilhou um vídeo que aponta o racismo religioso cometido pela Nike. No vídeo, um trecho do podcast Com Todo Respeito, os apresentadores constatam que os nomes “Ogum”, “Ex” e “Maomé” são vetados na customização, enquanto “Jesus” e “Cristo” são aceitos.

Além dos termos religiosos, outras palavras ligadas à política brasileira foram proibidas. Entre elas estão nomes de candidatos à presidência, como Lula e Bolsonaro, além dos termos “bolsomito”, “petista” e “comunismo”.

Em nota, a empresa afirma que “não permite customizações com palavras que possam conter qualquer cunho religioso, político, racista ou mesmo palavrões”. Segundo eles, “o sistema é atualizado periodicamente visando cobrir o maior número de palavras possíveis que se encaixem nesta regra”.

Internautas questionaram se a permissão do nome “Jesus” seria em razão do sobrenome do atacante da seleção brasileira, Gabriel Jesus. No entanto, outros usuários apontaram que “Cristo” não é um sobrenome comum, e, apesar de ter cunho religioso, foi permitido. Dessa forma, só foram vetados nomes que fazem alusão a religiões não cristãs e de matriz africana. 

A Nike e o trabalho escravo

No passado, a Nike já foi acusada de explorar o trabalho de minorias muçulmanas. Em 2020, o governo americano identificou que milhares de uigures, minoria praticante do islamismo na China, foram transferidos para trabalhar em fábricas por todo o país, incluindo as da Nike. Detidos pelo governo chinês em campos de “reeducação”, as condições de trabalho dos uigures eram análogas à escravidão.

ATUALIZAÇÃO (16/08)

Após denúncias nas redes sociais, a Nike modificou seu sistema de customização de camisetas. Agora, o site da marca aceita os nomes “Ogum”, “Exu” e “Maomé”, além dos outros termos de cunho religioso já permitidos.

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