Mas e o Lula, hein? E o PT? Para quem pergunta do Lula e do PT no 29M

Por Luiza Abi Saab, Maíra Santafé e Martha Raquel Rodrigues

No último domingo (30), foi publicado no site dos Jornalistas Livres um artigo de opinião, que não é uma posição coletiva. Por este motivo nós subscritas*, que fazemos parte do coletivo Jornalistas Livres, divulgaremos nossa leitura sobre as manifestações do dia 29/5.

O presidente Lula foi questionado no texto (e, diga-se de passagem, na mídia conservadora e de direita) por não estar presente nas manifestações e por não se posicionar. Comecemos pelo primeiro erro de leitura: Lula se posicionou e vem defendendo o impeachment abertamente desde o início desta discussão. Abaixo, destacamos a fala do presidente Lula sobre as manifestações, em entrevista à TV FORUM, no dia 27 de maio de 2021:

“Vocês podem ter certeza que eu vou estar junto com vocês nessas mobilizações. Elas vão acontecer. Agora mesmo, no sábado, vai ter movimentação aqui em São Paulo, convocado pelo movimento sindical e pelos movimentos sociais. E eu acho que já vai ter bastante gente. Eu só não quero é que as pessoas assumam de forma irresponsável, sabe? Aglomeração… Porque nós não podemos ser transmissores do COVID. A gente pode até não pegar, mas a gente pode transmitir e eu não gostaria que isso acontecesse com as pessoas. Mas não fique preocupado, companheiro. O momento tá difícil, mas fique certo que a gente vai juntar muita gente porque nós precisamos derrubar o Bolsonaro, tirá-lo da presidência e precisamos melhorar a vida do povo brasileiro”

O segundo ponto é sobre sua presença. Embora sempre tenha se posicionado a favor do impeachment, o presidente Lula respeitou as manifestações da população, tomando o cuidado de não ter qualquer protagonismo nestes atos legítimos, puxados pelo povo que não aguenta mais ver gente morrendo de vírus e de fome em nosso país. O presidente Lula tem profundo respeito pelas lutas populares e provavelmente não arriscaria ser chamado de oportunista e, muito menos, de fazer deste movimento legítimo um “palanque eleitoral”. Indagar sua ausência nas manifestações parece falta de entendimento da conjuntura, se não ingenuidade política.

Acreditamos, inclusive, que se o presidente Lula estivesse presente nas manifestações, as críticas continuariam, mas em outro tom. Talvez o chamassem de oportunista ou de irresponsável por estar promovendo aglomerações. Talvez criariam qualquer outro discurso, para apontar o dedo para a pessoa que tem chances reais de vencer o bolsonarismo em 2022. Tudo o que estamos escrevendo aqui a respeito da postura do presidente Lula são suposições, mas uma coisa é certa: ele apoiou as manifestações, colocou sua posição publicamente e continua com uma preocupação genuína com a população pois, ao contrário do genocida que ora carrega a faixa presidencial, Lula reforça a importância do uso da máscara e do distanciamento, como forma de proteção coletiva.

Também gostaríamos de lembrar que Lula não fala (e sequer tenta) em nome do PT. Dito isso, relembramos que o PT emitiu nota oficial de apoio às manifestações (https://pt.org.br/apoio-as-manifestacoes-de-29-de-maio-solidariedade-ao-povo-que-sofre/) e teve diversos representantes presentes em cidades e capitais do Brasil. A própria presidenta do partido, Gleisi Hoffman,divulgou, convocou e COMPARECEU ao ato da Av. Paulista em São Paulo.

O fato é que Lula nunca se mostrou confuso e/ou contraditório em suas falas sobre o atual governo e as ações para derrubar Bolsonaro. Como grande humanista que é, sempre se solidarizou e mobilizou a população de diversas formas, até mesmo de formas indiretas: quem não se lembra do efeito pós-discurso de Lula na sede do Sindicato dos Metalúrgicos no dia 10 de março de 2021? No dia seguinte, o Zé Gotinha estava de volta às redes do governo federal e a vacina era campanha prioritária.

É preciso saber reconhecer e saber superar. Lula pode até não acertar sempre, mas na luta ele nunca faltou.

*Luiza Abi Saab, Maíra Santafé e Martha Raquel Rodrigues

Esclarecimento: gostaríamos de deixar claro que este é um artigo de opinião e não reflete a posição do coletivo, que é plural, com diversas tendências políticas diferentes e militantes de vários partidos do campo progressista, além de companheiras e companheiros que não estão ligados a nenhum partido, mas que se identificam com nossos ideais. Estamos unidos, mesmo com nossas diferenças políticas, na luta por uma sociedade mais justa e igualitária; pela volta da democracia, que foi gravemente ferida com o golpe de 2016; e pelo impeachment de Bolsonaro que, com seu negacionismo e desprezo pela vida da população, vem agravando o número de mortes pela pandemia do coronavírus.

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