Lançamento dos Diários de Celso Furtado #SP

Em breve, estréia da coluna de resenhas de livros dos Jornalistas Livres

Rosa Freire D’Aguiar, viúva de Celso Furtado autografa o livro "Diários Intermitentes 1937-2002", em São Paulo.

A Cia das Letras está lançando desde outubro Diários Intermitentes 1937-2002 de Celso Furtado, organizado por Rosa Freire D’Aguiar, viúva de Celso.

Rosa reiterou, no evento de 04.11.2019, na Livraria da Vila em Pinheiros (São Paulo) que os cerca de 13.000 livros da biblioteca de Celso (7 toneladas por sinal), estão a caminho do Instituto de Estudos Brasileiros (IEB-USP), para se tornarem parte deste acervo público. 

Além do lançamento, estão acontecendo palestras sobre Celso Furtado, um bom prenúncio da comemoração dos 100 anos de nascimento do autor em 2020.

O lançamento desta segunda-feira em São Paulo, contou com a participação de Rubens Ricupero (jurista, historiador e economista  que foi ministro do governo de Itamar Franco) e de Luiz Felipe de Alencastro (historiador e cientista político). 

Lançamento do livro, Diários Intermitentes 1937-2002, de Celso Furtado, com a presenças de Luiz Felipe de Alencastro (á esq.), Rosa Freire D’Aguiar e Rubens Ricupero (á dir), em #SP.

Rosa explica que o título Diários Intermitentes, reflete o fato de que Celso Furtado os escrevia em alguns momentos com mais intensidade do que em outros. Ela  definiu alguns como desabafo e outros como testemunhos históricos. Exemplos : quando voltou ao Brasil depois da segunda guerra, ou quando trabalhou na implantação da Sudene no Nordeste durante o governo Juscelino Kubitscheck, e em períodos do exílio. 

Mesmo sendo o livro uma importante fonte de pesquisa histórica, como afirmou Rubens Ricupero, ele não contém tantas revelações de bastidores e fofocas, como é comum neste gênero de livro, disse Rosa. Mas tanto ela como Rubens, citaram algumas  importantes passagens, revelações mesmo, durante o período da Constituinte (1988), no governo de José Sarney.

Os diários

Rosa destacou a qualidade literária dos diários, assim como as reflexões intelectuais de Celso. Contou também que ele tinha o hábito de fazer balanços anuais, e alguns dos textos do livro oferecem esta oportunidade, assim como os perfis de personalidades com as quais o autor conviveu, ou que são muito simbólicas do seu tempo. O livro também contém três trechos que seriam esboços de romances do autor. 

É importante destacar que Celso Furtado foi um  economista e intelectual brasileiro, que se propôs a executar o desenvolvimento com suas ideia concretas, e por isso foi extremamente perseguido. 

Sua participação na implantação da Sudene Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste, que criou em 1959, no governo de Juscelino Kubitschek, incomodou profundamente as oligarquias do Nordeste e seus coronéis. assim como sua participação como ministro do Planejamento em 1962, no governo de João Goulart. O nome de Celso Furtado era o número 20 na lista de cassação do AI-1, no golpe militar de 1964. Segundo Luiz Felipe de Alencastro, nem o embaixador americano Lincoln Gordon, figura crucial no golpe de 1964, concordava com essa cassação, já que ele não era ligado a nenhum partido, nem organização e tinha certa visibilidade internacional na época.

Ricupero falou da falta que ele faz no Brasil de hoje. Celso furtado morreu em 2004. Por sua visão crítica às “doutrinas do norte” e neoliberais, e pela sua capacidade visionária, Celso é “o símbolo de um outro Brasil, que acreditava em si mesmo”,  “o último gigante do desenvolvimento”, afirmou Ricupero.

Rosa comentou duas situações que considera bem simbólicas no que se refere a destruição da memória de Celso Furtado. Primeiro a mudança do nome do centro acadêmico da Universidade Federal de Santa Catarina, que curiosamente homenageava Celso Furtado, e foi rebatizado como Centro Acadêmico Roberto Campos , opositor ideológico de Celso. E segundo, a atitude da Petrobrás, sob o comando do atual governo, que resolveu rebatizar as termoelétricas, que no governo Lula tinham recebido  nomes de esquerda, entre elas Celso Furtado, Luiz Carlos Preste, Leonel Brizola.

Rosa, além deste livro, é responsável pela edição de diversas obras de Celso Furtado, entre elas a coleção temática Arquivos do Celso Furtado, e também é responsável pela organização do Banco de Artigos de Celso Furtado, que podem ser acessado por este NESTE LINK. 

A obra deste autor também pode ser acessada pelo em seu acervo online no Centro Internacional Celso Furtado NESTE LINK http://www.bibliotecacelsofurtado.org.br/

Os Jornalistas Livres convidaram Márcia Mendes de Almeida para ser livre na coluna de resenhas, e ela escolheu esta obra.  Sua primeira colaboração que deve ser publicada em breve. Márcia fez resenhas de livros nas décadas de 80 e 90 principalmente, contribuiu na revista Senhor, no Jornal da Tarde, e para a Carta Capital, mais recentemente.

Categorias
CulturaEconomiaGeralHistória do BrasilLIVROSSão Paulo
Seja o primeiro a comentar

Deixe uma resposta