FEMINICÍDIO: Assassino de ex-namorada negra em Blumenau é identificado

Testemunhas e amigos nomeiam Eduardo Siqueira, bolsonarista convicto, preso em fuga ontem pela PM, como o feminicida
Daiana Silva era cabeleireira especializada em cabelos afro
Daiana Silva era cabeleireira especializada em cabelos afro

Daiana Silva, 27 anos, natural de Minas Gerais, foi vítima de feminicídio ontem, (26/11), em frente ao Salão de beleza Espaço Margarete, onde estacionava a moto para trabalhar, no centro de Blumenau, cidade localizada no Vale do Itajaí. O assassino é Neylor Eduardo de Siqueira Dias, o ex-namorado, 33 anos, que a matou com 11 facadas na região do pescoço, colo e tórax diante de testemunhas. Seu nome foi mantido em sigilo até agora pela PM, mas colegas e amigas de Daiana identificaram o feminicida nas redes sociais.

Jornais locais e o G1 estão expondo a vítima e omitindo o nome do assassino, que fugiu do local em uma moto, ainda com as mãos sujas de sangue. Foi preso em fuga e identificado pela Polícia Militar ontem mesmo, poucas horas depois.

Encontrado em casa, no bairro Fortaleza. Eduardo Siqueira aparece nas redes sociais com ostensiva propaganda de Bolsonaro. Ele teria esfaqueado a vítima por não aceitar o fim do relacionamento, segundo a polícia.

Modelo fotográfica, Daiane era uma cabeleireira especialista em cabelos cacheados e crespos, ativista negra, que considerava a valorização estética dos cabelos afro naturais uma questão de afirmação racial e politica. Natural de Sete Lagoas (MG), ela veio há um ano trabalhar em Blumenau.

FEMINICÍDIOS EXPLODEM COM BOLSONARISMO

Santa Catarina se torna a cada dia mais um lugar perigoso para mulheres. Os índices de feminicídio em Blumenau aumentaram mais de 50% de 2018 para 2019, período coincidente com a eleição de Bolsonaro, que fez em Blumenau e no Vale do Itajaí uma das maiores votações do país.

Em setembro deste ano, Margarete Zanella foi morta pelo companheiro que não aceitava a separação. Ainda em 2019, Marise Mette e Bernardete Libardo também foram assassinadas pelos seus companheiros. Mais de um ano após matar a ex-namorada Bianca Wachholz, Everton Balbinott foi condenado a 26 anos de prisão.

ATO DO 8M REPUDIA VIOLÊNCIA CONTRA MULHER

O 8M Blumenau/Santa Catarina prepara manifestação por justiça para Daiana e todas as mulheres vitimas de feminicídio na cidade e no estado. O ato está sendo chamado para as 18 horas, na Praça Dr. Blumenau, na rua XV de Novembro.

Sob o lema “Justiça para Daiana, Justiça para todas”, o evento organizado pelo 8M Blumenau/Santa Catarina, quer também chamar atenção para o tema de violência contra a mulher, que muitas vezes termina em feminicídios.

Em nota pública, o movimento destaca a necessidade de respeito ao distanciamento social durante o ato além do uso de máscaras. Georgia Faust, uma das organizadoras do evento, fala sobre a necessidade de prevenção de crimes de violência contra mulheres, num estado que já acumula 46 feminicídios somente em 2020 e 196 desde 2017.

“Perdemos mais uma! Cada vez que uma mulher é assassinada, morre um pouco de cada mulher que sobrevive. O feminicídio não é um ato pontual e isolado, ele é apenas o ápice de uma cultura que normaliza relacionamentos abusivos, e de uma política de estado que não leva esse assunto a sério. Santa Catarina e Blumenau não têm se preocupado com as mulheres, e tampouco têm apresentado políticas públicas minimamente eficazes para combater a cultura machista tão característica de um estado conservador. Desde 2017, 198 mulheres foram assassinadas pelos seus companheiros, namorados ou ex-parceiros. Somente em 2020, Daiana foi a 46ª vítima.”

Daiana Silva era cabeleireira especializada em cabelos afro

“Não queremos mais medidas punitivas, já temos legislação para esses crimes. Queremos ação do executivo no sentido de prevenir as violências, de acolher as mulheres vítimas de relacionamentos abusivos com uma rede forte e bem equipada, de educar meninos e meninas sobre consentimento e não-violência, com um currículo que fale sobre gênero, de termos uma Secretaria de Estado de Políticas Públicas para Mulheres e um Conselho dos Direitos da Mulher em Blumenau. São coisas tão simples de se fazer, e o fato de não serem feitas comprova o descaso com que as mulheres catarinenses e blumenauenses são tratadas. Parem de nos matar!”.

Prisão do acusado de feminicídio

Raquel Wandelli / Jornalistas Livres

Local do crime

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