Ex-bispo da Igreja Universal declara apoio a Lula no segundo turno; “Vai fazer política justa para ricos e pobres”

Romualdo Panceiro declara apoio a candidatura de Lula e rebate igreja evangélica

Romualdo Panceiro, ex-bispo da Igreja Universal do Reino de Deus e considerado por muito tempo braço direito de Edir Macedo – atual líder da igreja evangélica – esteve com o candidato à presidência Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nesta quarta-feira (05/10). Hoje a frente da Igreja das Nações do Reino de Deus, o bispo declarou seu apoio a candidatura do petista e ressaltou que o apoio evangélico a reeleição de Jair Bolsonaro (PL) é algo relacionado a “poder” e “influência”.

“O que o pessoal quer? Poder, influência. Estão em jogo verbas que o governo pode dar para favorecer emissoras etc. Hoje a verba, que a gente chama de pão, é repartida talvez de forma injusta. Pedaço maior para fulano e um menor para beltrano. Na época do Lula, o pedaço de pão era repartido de forma justa”, adiciona o religioso.

Panceiro também expõe sua identificação com as propostas de Lula e seu plano de governo. “Vai fazer política justa para ricos, pobres. Ele é uma pessoa do bem, uma pessoa de Deus. Nada contra o Bolsonaro. Mas não sou do tipo de ficar em cima do muro. Ou vou para um lado ou para o outro, não sou morno”, ele destaca.

“Quem vota no Lula não é cristão? [risos] Essa coisa aí de ‘deixei de ser cristão porque estou apoiando Lula’, sabe o que é? É fanatismo. Não dependo da opinião de quem quer que seja para viver a minha fé.”, declara Panceiro. A fala do bispo menciona os recentes casos de declarações de líderes evangélicos que afirmam a seus fiéis que votar em Lula ou em candidatos do Partido dos Trabalhadores seria uma forma de pecado.

Igreja promove “punição” pra quem vota no Lula

A Assembleia de Deus em São Paulo, liderada pelo pastor José Wellington Bezerra da Costa, decidiu nesta terça-feira (04/10), em reunião interna, que irá punir membros que “defenderem pautas de esquerda dentro da cosmovisão marxista”. A Folha de S.Paulo teve acesso aos áudios da reunião, que revelam que um dos principais objetivos dos dirigentes da igreja era impedir voto em Lula. No mesmo dia, um pouco antes da decisão, Jair Bolsonaro havia visitado o espaço, quando participou de um culto para fies.

A principal base de apoiadores do presidente Bolsonaro é a igreja evangélica. Com pautas conservadoras e que buscam barrar a propagação da “ideologia de gênero” – ideal baseado em falsas notícias sobre doutrinação nas escolas – o candidato do PL tem uma intenção de voto de 69% dentre aqueles que se identificam como evangélicos, de acordo com a última pesquisa IPEC. “Amanhã esse pessoal que está com Bolsonaro e detesta Lula, esse pessoal que vem com essa ideia de gênero, que é mentira, todo mundo vai apoiar Lula”, coloca o bispo Romualdo Panceiro, trazendo a tona o apoio desse grupo a Lula na época de seu governo.

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