Em nova manobra, Cunha desrespeita regimento e elege chapa da Comissão do impeachment

Cunha e oposição aprovam chapa para nomear membros para a comissão de avaliação de impeachment de Dilma. Total de votos da chapa da oposição e aliados de Cunha é inferior ao necessário para impeachment

Allan Ferreira do Imargens, especial para os Jornalistas Livres, colaboraram: Cesar Locatelli e Kátia Passos

Apesar da possível ilegalidade do pedido de abertura do processo de impeachment iniciado por Eduardo Cunha (veja aqui o parecer de juristas de diversas instituições a respeito do caso), o presidente da Câmara dos Deputados logrou instalar, com a ajuda da oposição, chapa composta por deputados favoráveis à tese do impeachment.

O regimento interno da Câmara prevê que os líderes dos vários partidos presentes na casa devem nomear representantes para a comissão. A manobra de Cunha consistiu em permitir que a oposição lançasse uma chapa avulsa. A bancada governista insistiu na chapa regimental, mas foi derrotada em votação secreta.

Assista ao vídeo com o pronunciamento de Cunha sobre a composição da comissão:

Por 272 votos a 199 dos 473 parlamentares presentes, foi aprovada chapa composta por parlamentares como Jair Bolsonaro (PP/SP) e Major Olímpio (PMB/RJ), dentre outros favoráveis a teses polêmicas como a da intervenção militar, conforme se observa de manifestações dos mesmos nas redes sociais.

A deputada Jandira Feghali do PCdoB chamou atenção para o fato de que a oposição não dispõe de votos para promover um impeachment, (veja aqui) e destacou que a ação de Eduardo Cunha fere o regimento da casa:

Amanhã será definido o preenchimento das demais vagas para compor a comissão especial que deverá contar com um total de 65 deputados e suplentes. O PT e partidos contrários à tese do impeachment não apresentaram nomes para a chapa promovida por Eduardo Cunha.

A chapa eleita por deputados da oposição [que derrotou a chapa governista por 73 votos de diferença] foi a seguinte (em ordem alfabética por legenda e deputado):

DEM
Mendonça Filho (PE)
Rodrigo Maia (RJ)

PEN
André Fufuca (MA)

PHC
Kaio Maniçoba (PE)

PMB
Major Olimpio (SP)

PMDB
Carlos Marun (MS)
Flaviano Melo (AC)
Lelo Coimbra (ES)
Lúcio Vieira Lima (BA)
Manoel Júnior (PB)
Mauro Mariani (SC)
Osmar Serraglio (PR)
Osmar Terra (RS)

PP
Jair Bolsonaro (RJ)
Jerônimo Goergen (RS)
Luís Carlos Heinze (RS)
Odelmo Leão (MG)

PPS
Alex Manente (SP)

PSB
Bebeto Galvão (BA)
Danilo Forte (CE)
Fernando Coelho (PE)
Tadeu Alencar (PE)

PSC
Eduardo Bolsonaro (SP)
Marco Feliciano (SP)

PSD
Delegado Éder Mauro (PA)
Evandro Roman (PR)
João Rodrigues (SC)
Sóstenes Cavalcante (RJ)

PSDB
Bruno Covas (SP)
Carlos Sampaio (SP)
Nilson Leitão (MT)
Paulo Abi-Ackel (MG)
Shéridan Oliveira (RR)
Valdir Rossoni (PR)

PTB
Benito Gama (BA)
Ronaldo Nogueira (RS)
Sérgio Moraes (RS)

SOLIDARIEDADE
Fernando Francischini (PR)
Paulinho da Força (SP)

Nesta quarta-feira serão apresentados os demais nomes de composição da comissão especial que analisará o impeachment. Entretanto, deputados contrários à ação de Cunha afirmaram ter feito pedido para que o STF verifique a legalidade da sessão desta terça-feira (8/12), que definiu a Chapa 2 proposta pela oposição.

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