EDITORIAL: Campanha Bolsonaro não explica Caixa 2, mas tenta destruir jornalista

Em vez de responder às acusações, equipe de Bolsonaro tenta difamar a repórter Patrícia Campos Mello

Celso Freitas e Adriana Araújo, âncoras do Jornal da Record

Numa conversa com estudantes, a jornalista Patrícia Campos Mello, da Folha de S.Paulo, declarou ser uma pessoa de esquerda, que sempre votou no PT. A campanha de Bolsonaro aproveitou o vídeo em que ela faz a revelação para desqualificar o furo de reportagem que se tornou a manchete principal da Folha nesta quinta-feira (18/10). “Empresas bancam disparo de mensagens anti-PT nas redes” é a denúncia de Patrícia.

Trata-se de crime eleitoral gravíssimo. Empresa custear pacotes no WhatsApp, que divulgam mensagens de candidatos, é contra a regra eleitoral, configura fraude e pode levar à cassação da candidatura. A lei proíbe que empresas doem dinheiro a candidatos. O Tribunal Superior Eleitoral precisa tomar as medidas cabíveis contra esta falcatrua.

O esforço feito por um grupo de empresários que patrocinam a ação no WhatsApp – que Patrícia escancara – explica a onda favorável ao capitão do Exército nos dias que antecederam a votação do primeiro turno. Seu time atua, mais uma vez, no campo que domina melhor: mente para tumultuar, vergonhosamente, o processo eleitoral.

Em vez de se explicar, de contar como montou a fábrica de fake news que tem ludibriado os eleitores, disparado ódio e disseminado medo, a tropa do capitão tenta desqualificar a jornalista. Como todo cidadão brasileiro, Patrícia tem o direito de fazer escolhas, de decidir em quem votar. Não existe jornalista sem convicção, isso é uma coisa. Outra coisa é a denúncia que ela faz na Folha, totalmente baseada em informações, que ela comprova.

Trata-se de situação bem diferente do que se vê no Grupo Record, comandado pelo bispo Edir Macedo, que apóia escancaradamente o capitão e não se faz de rogado na hora de mentir em favor de seu candidato. Edir Macedo pauta o jornalismo da Record da seguinte forma: a cada duas reportagens, notícias ou postagens enaltecendo Bolsonaro, entram no ar duas batendo em Haddad. Espancamento público, “notícias” sem lastro. É isto que a campanha do PSL protagoniza: em um momento tortura os brasileiros com mensagens fraudulentas, no outro tenta destruir quem revela de que é feita a mentira do candidato-militar.

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#EleNãoEditorialEleições 2018
Um comentário
  • rosangela sousa
    19 outubro 2018 at 9:07
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    A rede Record, que tanto criticou a Globo está agindo da mesma forma, partidária do Bolsonaro, tá dando nojo de assistir aos telejornais da mesma, hj no fala Brasil, achando que seria manchete de abertura do mesmo, nem foi citado o escândalo do zap, sai logo de lá, pois achava um jornal tão bom , mas virou a mesma coisa da Globo.

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