Editora independente destaca obra de primeira romancista brasileira

crédito da imagem: editora Mondru

O Núcleo Negro do Jornalistas Livres conversou com Wesley Barbosa, da Barraco Editorial, para saber mais sobre a publicação. Maria Firmina foi a primeira romancista brasileira e era uma mulher negra filha de uma ex-escravizada.

Importancia das editora independentes

A editora independente acabou de anunciar a publicação do livro “Maria Firmina dos Reis, Presente!”, uma peça que invoca a presença da escritora Maria Firmina dos Reis, autora do romance “Úrsula” (1859). A obra expõe o pensamento e os poemas da autora em uma reconstrução dramático-poética, simulando um encontro do público com a escritora e professora maranhense falecida em 1917. O objetivo é entrelaçar passado, presente e futuro para criar uma imagem viva de Maria Firmina dos Reis, apontando para o amanhã, conforme destacou a escritora e jornalista Eliana Alves Cruz, vencedora do prêmio Jabuti.

Maria Firmina dos Reis foi a primeira escritora a publicar um romance e só esse fato já deveria ser de conhecimento nacional, mas parece que a maioria das pessoas não sabem disso. Daí, a importância de nossa editora publicar livros sobre ela e deste ato partir de uma editora antirracista, como a Barraco Editorial, que não pretende embranquecê-la além de exaltar a sua importância como artista e pessoa preta.” disse Wesley Barbosa ao Núcleo Negro dos Jornalistas Livres.

Primeira escritora abolicionista do Brasil

Maria Firmina dos Reis (1825-1917) foi a primeira escritora abolicionista do Brasil, apesar de ser uma figura esquecida e invisibilizada na história. Negra, filha de uma ex-escravizada, ela escreveu uma refutação às “Cartas a Favor da Escravidão” de José de Alencar e imaginou um Brasil livre do escravismo no século XIX. Sua obra representa uma nova forma de pensar onde as correntes e açoites da escravidão não mais flagelariam corpos negros.

A performance da memória é um elemento marcante da textualidade negra, destacando um passado que ainda não passou e conectando-o ao cotidiano do Brasil contemporâneo. “Maria Firmina dos Reis, Presente!” é mais do que uma peça-manifesto; é uma exposição da vida e dos escritos harmônicos da autora, agora publicados pela Barraco Editorial.

Wesley Barbosa, fundador da Barraco Editorial em 2023, enfatiza o objetivo da editora de ecoar a cultura negra periférica e disseminar a luta antirracista. Ele se interessou em publicar o livro após assistir à peça.

A minha reação a peça foi de espanto e identificação. Eu sempre falo que escrever  é uma maneira de não deixar que escrevam a minha história por mim e ver a Lena Roque em cena só me deu a certeza que eu estava diante de um monólogo potente e engajado com a causa antirracista. Espero ter a oportunidade de ver a peça mais uma segunda vez.” Relata Wesley Barbosa.

Lena Roque e Marcelo Ariel: autores da publicação (acervo pessoal)

A dramaturgia da peça é assinada por Lena Roque e Marcelo Ariel. Roque, com 37 anos de experiência como atriz, diretora, dramaturga e roteirista formada em Artes Cênicas pela ECA/USP, também dirige o espetáculo. Ariel, poeta, ensaísta e teatrólogo, contribui com uma gramática cênica sobreposta por camadas de signos e sequências imagéticas. A peça utiliza poesia e textos em prosa retirados do universo literário de Maria Firmina dos Reis, além de citações, dados históricos e depoimentos pessoais, conectando-os com fundamentos da ancestralidade.

A obra

Lena Roque narra e canta a vida de Maria Firmina dos Reis em um contexto que pode ser chamado de ‘poema cênico-musical’, destacando a atualidade e a força política do pensamento da autora. O livro, que busca desconstruir a invisibilidade e os estereótipos racistas ainda presentes hoje, será lançado pela Barraco Editorial em junho e já está em pré-venda no site da editora.

Leia mais: Editora independente destaca obra de primeira romancista brasileira

Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Jornalistas Livres

COMENTÁRIOS

POSTS RELACIONADOS

Que tipo de profeta e sacerdote era Ezequiel?

Frei Gilvander Moreira¹ Para atender a orientação do Movimento Bíblico integrado por várias organizações bíblicas, em 2024, o livro de Ezequiel foi escolhido pela Conferência