Documentário faz registro inédito do Rap Nacional

Pré-lançamento de “O Rap pelo Rap” contou com mais de 500 pessoas em dia de exibição, shows e debates

A Casa Fora do Eixo São Paulo, que tem se fortalecido cada dia mais como palco da cultura alternativa e, principalmente, do rap e do dub, recebeu no último domingo a pré-estreia do filme “O Rap pelo Rap”. Com a mediação de Ísis Carolina, a exibição continuou com um debate entre o público e diversas personalidades do rap. Thiago Rednigazz, Gabriel Flash, Marcelo Gugu, Livia cruz, ZRM e DJ Dandan, esquentaram as discussões sobre o documentário do qual fizeram parte. Em seguida, uma festa de pura energia tomou conta da casa quando com as apresentações de DJ Dandan, ZRM e Síntese + Inglês no Pub.

Dirigido por Pedro Fávero, o documentário de longa-metragem conta parte da história do rap a partir das vozes dos próprios protagonistas do movimento.

A ideia foi concebida em 2013 durante o projeto de TCC do diretor, na faculdade de Rádio e TV. Na época, ele já era bastante envolvido com rap e percebeu que pouco informação se encontrava sobre o tema na internet, principalmente sob o gênero do documentário, “Minha maior motivação foi ainda não existir um trabalho assim, então pensei em fazer esse registro inédito unindo minhas duas paixões: rap e documentário”, completou.

Para o DJ DanDan, DJ do Criolo, o ponto mais importante desse trabalho é que foi feito um registro dessa geração para as gerações futuras, que poderão acessar essa informação como ferramenta de pesquisa histórica.

 Segundo ele, “Existe uma falha no registro do início da cena hip-hop no Brasil, no anos 80, e muita gente não tem conhecimento daqueles que iniciaram. Essas pessoas precisam saber que, especialmente nos anos 90, a galera era tirada dos palcos e era presa por falar a realidade. Nossa militância era muito séria. Falávamos muito das questões raciais, sociais e principalmente do preconceito com a música rap. Hoje existe, mas muito menos que antes. Derrubamos a porta das outras classes sociais que não nos ouvia”.
 

DanDan ainda sugeriu que se fizesse uma edição especial sobre as mulheres no rap. “Isso como referência para que as pessoas que assistirem saibam que os palcos não são ocupados apenas por homens. As mulheres têm uma importância histórica em nossa cultura”. Segundo Mariana Lacava, assessora de imprensa do filme, esse diálogo foi colocado diversas vezes durante a produção “Existe uma análise que precisa ser feita sobre o que a gente conhece sobre rap e sobre o que o diretor teve acesso. Ele fez tudo sozinho, não teve auxílio de ninguém. Em Bauru não aconteceram shows de MCs mulheres. Isso mostra que a cultura da cidade está pouco desenvolvida nesse sentido e nunca lembra da mulher”, concluiu.

Sem qualquer tipo de financiamento, o filme foi produzido pela Fitaria Filmes de forma totalmente independente. “Eu não tinha dinheiro para viajar. Entrevistava as pessoas quando elas estavam em Bauru. Com a câmera de um amigo meu, foi o jeito que encontrei de levantar o documentário sem gastar um real”, afirmou Pedro.

A pré-estreia aconteceu após o circuito de um ano por festivais em diversos estados, como São Paulo, Bahia, Amapá e Goiás. Neste último, conquistou o prêmio de melhor documentário no Festival Vera Cruz. Ainda neste mês, os produtores do filme continuam a procura por cineclubes, salas e semanas de hip-hop para exibí-lo e já garantiram que vão disponibilizar o conteúdo por DVD e pela internet, no canal youtube.com/orappelorap.

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