Do ouro da alma que foge, roubado é, cala toda arte

Pensei no ouro que sai da Terra Indígena, pensei numa abelha que cai na água e o peixe a come. Pensei em Holanda e Espanha que brigam pelos direitos do mar. O ouro e as virtudes, tudo tão metálico na floresta que finda. 

Um cafuné na cabeça de malandro é o ouro ilegal da terra indígena, que denunciam agora na Itália. Agora, entendo a  música de Milton Nascimento e Leila Diniz. Tudo escandaliza a vida, nos roubam a Itália e tantos outros que nos amam na cultura, e do ouro ou madeira não abrem mão.

Sempre vivemos um estupro, desde Portugal, Espanha, Holanda ou França. Nosso caminho é ferro mesmo,  entre a América que há e também com a China será. Vão-se nossas pedras, metais, os frutos da terra, o ouro e o sol da soja, o branco algodão. Nem mais na mata habita minha fé, sertão seremos, mão na brasa e na mágoa.

Abaporu, irmão que nos come e consome, faca amolada, viúva da fé, do sal, do chão.

Cimento e asfalto, córrego, enchente urbana entre meu mundo de vírus. Ainda sangram a mata, metem mercúrio nas águas, pesticidas alimentam o capital transagro nacional, nunca desistem. Há orgasmo no campo, há pau de lei, jacarandá, ipê, mogno, massaranduba.

Há uma ruína na poesia que existe nos fatos, Pau-Brasil é a palavra que some e consome. Não é moderna a arte desse tempo, tudo mandaram arrancar de nossos artistas brasileiros que em Londres, Berlim ou Tel Aviv vivem, se calam, não querem afetar seus mercados.

Ouro e escândalo em mim é mato que queimam, louva-a-deus o dedo que sobra.

Imagens por Helio Carlos Mello©

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