Digam ao povo que avance

É a juventude que vem na larga avenida, indígena, tão forte. Como água de rio, numa enchente de gente, ocupam o asfalto.

É o Eixo Monumental de Brasília e creio que o urbanista Lúcio Costa ficaria tão contente em tarde assim, ver descer uma multidão toda linda, pintada nos corpos, cheias de plumas. Gente que, quanto mais canta e dança, mais forte fica.

Milhares de indígenas ocuparam Brasília, e protestaram em marcha, diante do Congresso Nacional, nesta quarta-feira.  É o Abril Indígena e O Acampamento Terra Livre.

Foi bonita a marcha, das janelas dos edifícios e nas calçadas, populares saudavam a causa com acenos, palmas e palavras de apoio. A Esplanada dos Ministérios se encheu de cantos tão antigos, música originária de um Brasil que persiste e entre encantados se expõe ao planeta e à nação denuncia que as terras indígenas são das etnias espalhadas por todo país, várias delas aguardando reconhecimento e homologação.

Moradores e trabalhadores do Eixo Monumental observam os índios em movimento

Diante do Congresso, todo cercado é vigiado pela polícia, isolando os indígenas à uma contemplação distante das casas do povo. Ao longe, o Senado Federal e a Câmara dos Deputados pareciam discos voadores, cenário ideal para protesto em forma de ritual indígena, que carregaram bela alegoria do Planeta Terra, indicando aos governantes que é o direito à uma vida saudável que a todos importa.

Os limites estabelecidos pelas forças de segurança
Uma bandeira tingida de suor e sangue

No acampamento, tenho a impressão de estar numa universidade de saberes, pois grande é o empenho de lideranças indígenas e anciãos em informar seus povos. Ricas são as discussões, enquanto mulheres se pintam para a guerra, uma delicadeza e carinhos na atitude de afirmar direitos. 

Acuabe Charrua e seu canto de proteção
Elizeu Xavante

Tanto tem o país a aprender com os indígenas, sua força, sua elegância. Digam ao povo que avance.

Mulheres Kayapó fazem suas pinturas de guerra

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