Borba Gato: a estátua de um genocida, estuprador e escravagista que merece arder em chamas

É brutal nos forçar a con­viver com es­tá­tuas, ge­no­cidas, es­tu­pra­dores, ca­ça­dores de in­dí­genas e po­pu­lação negra para es­cra­vidão, in­va­sores de nossas terras e des­trui­dores da na­tu­reza

Por Casé Angatu, in­dí­gena e mo­rador no Ter­ri­tório Tu­pi­nambá em Oli­vença, Ilhéus (BA)*

Muitos fa­laram da bru­ta­li­dade que foi co­locar fogo na es­tátua de Borba Gato, lo­ca­li­zada em Santo Amaro, Zona Sul da ci­dade de São Paulo/SP. En­tre­tanto, poucos dizem da bes­ti­a­li­dade de cons­truir e er­guer uma es­tátua para um dos ge­no­cidas/et­no­cidas dos Povos Ori­gi­ná­rios e que es­cra­vizou in­dí­genas, ne­gros/ne­gras, vi­o­lentou kuña, kuñatã, ku­rumin e awá gwarïnï (mu­lheres, me­ninas, me­ninos, guer­reiras e guer­reiros) de di­fe­rentes et­nias, bem como fez parte do início da des­truição da Na­tu­reza En­can­tada.

Muitos pa­recem ig­norar a es­tu­pidez au­to­ri­tária que é manter es­tá­tuas e es­paços (ruas, praças, vi­a­dutos, ci­dades, bairros, es­colas, uni­ver­si­dades) com nomes de ge­no­cidas/et­no­cidas e ações feitas através da pri­meira forma que esse país co­nheceu da cruel regra, hoje de­no­mi­nada como “ex­clu­dente de ili­ci­tude”: as cha­madas “Guerras Justas”, de­cre­tadas pelos in­va­sores eu­ro­peus em nome da Coroa Por­tu­guesa e do Deus deles contra os Povos In­dí­genas e Ne­gros das Terras Bra­silis – para muitos de nós Pin­do­rama (Terra das Pal­meiras – Terra Sem Males) .

Não foram “Guerras” e nem “Justas” a bar­bárie im­posta pelos in­va­sores. O que ocor­reram foram al­guns dos mai­ores mas­sa­cres da his­tória hu­mana. Claro que pro­ta­go­ni­zamos nossa re­sis­tência: Con­fe­de­ração Ta­muya (1554-1567), Cerco de Pi­ra­ti­ninga (09/07/1562), Le­vantes dos Goi­tacá (séc. XVI), Con­fe­de­ração dos Ka­riri (entre 1683 e 1713), Re­volta de Mandu La­dino (1712 a 1719), Guerra dos Sete Povos (1753-1756), Re­volta de Mar­ce­lino em Oli­vença (Ilhéus/BA – dé­cada de 1930), entre tantas re­voltas e al­gumas delas ainda des­co­nhe­cidas.

Cer­ta­mente, como hoje, nossos an­ces­trais foram des­critos como vi­o­lentos, ca­ni­bais, sel­va­gens. Assim são de­no­mi­nados os que se re­voltam contra a bar­bárie dos in­va­sores, des­trui­dores da Na­tu­reza, ge­no­cidas, et­no­cidas. Por isto digo: a re­beldia é justa contra os opres­sores e seus sím­bolos. Como dizia o grande Ca­cique Xicão Xu­kuru: “Mas­sa­crados sim, ex­ter­mi­nados não” (per­doem se não são exa­ta­mente essas as pa­la­vras desse grande Ca­cique). Os in­va­sores e seus re­pre­sen­tantes, como Borba Gato, não fi­zeram “Guerra Justas” e sim mas­sa­cres ge­no­cidas, es­cra­vidão, es­tu­pros e ini­ci­aram a des­truição da Na­tu­reza.

Guerras fi­zeram nossos an­ces­trais e ainda fa­zemos nós in­dí­genas há qui­nhentos anos: guer­re­amos pela re­sis­tên­cias e (re)exis­tên­cias para não sermos mas­sa­crados, es­cra­vi­zados, vi­o­len­tados e ex­tintos. Ba­ta­lhas que não de­se­já­vamos, mas ne­ces­sá­rias para termos nossos di­reitos ori­gi­ná­rios de volta, in­cluindo a Terra/Na­tu­reza Sa­grada. Se de­no­minam Borba Gato e ou­tros como “ban­dei­rantes” (no­mi­nação in­ven­tada para ame­nizar a vi­o­lência que fa­ziam) quero também chamá-los de bes­tiais mi­li­ci­anos ge­no­cidas, es­tu­pra­dores e es­cra­va­gistas. Sim, não temos rancor, pos­suímos Me­mória. Em nome dessa me­mória, é brutal nos forçar a con­viver com es­tá­tuas aos ge­no­cidas, es­tu­pra­dores, ca­ça­dores de in­dí­genas e po­pu­lação negra para es­cra­vidão, in­va­sores de nossas terras e des­trui­dores da na­tu­reza.

Se querem falar de bru­ta­li­dade, falem o quanto é brutal ouvir nomes como Borba Gato, Fernão Dias, Amador Bueno, Mem de Sá, entre ou­tros. Este úl­timo, as­sas­sino. Mem de Sá chegou mesmo a narrar numa carta ao rei de Por­tugal a ação ge­no­cida que co­meteu em 1559 aqui em Oli­vença (Terra In­dí­gena Tu­pi­nambá – Ilhéus/BA), onde moro. Brutal é saber o que re­pre­sentam nomes como: Vi­tória do Es­pí­rito Santo, Vi­tória da Con­quista, Santa Cruz, Santa Cruz de Ca­brália, Monte Pas­coal, Porto Se­guro. Nomes que con­sa­gram as ações dos in­va­sores, ge­no­cidas e et­no­cidas.

Na sequência segue a ín­tegra de uma en­tre­vista minha (Casé An­gatu) feita pela ótima jor­na­lista Brenda Za­cha­rias (via skype) e os links das ma­té­rias que foram pu­bli­cadas em 23/06/2020 pelo jornal “O Es­tado de São Paulo – O Es­tadão”. En­tre­vista que agora foi em parte re­pro­du­zida a pro­pó­sito do fogo co­lo­cado na es­tátua de Borba Gato por ou­tros veí­culos, con­forme segue no final deste texto. Como as per­guntas para en­tre­vista foram en­vi­adas com an­te­ce­dência, es­crevi à base do que falei e estou apre­sen­tando abaixo na ín­tegra e com acrés­cimos.

Vale des­tacar que nas ma­té­rias foram ou­vidos ou­tros aca­dê­micos, in­dí­genas e re­pre­sen­tantes do mo­vi­mento negro. . As en­tre­vistas re­sul­taram em duas ex­ce­lentes ma­té­rias: “En­tenda quem foram os ban­dei­rantes e por que eles são ho­me­na­ge­ados em São Paulo (*1)” e “Es­tá­tuas ra­cistas devem ser der­ru­badas? Veja o que dizem his­to­ri­a­dores(*2)”. No final in­dico também dois ví­deos em que falo da atu­ação dos Ban­dei­rantes na ci­dade de São Paulo (*3) e no Mas­sacre do Rio Cu­ru­rupe (*4). . Meus agra­de­ci­mentos a Brenda Za­cha­rias por seu qua­li­fi­cado tra­balho.

Estátua de Borba Gato em chamas em Santo Amaro, SP – Foto de Sato do Brasil

Na sequência, a ín­tegra da minha en­tre­vista:

Brenda Za­cha­rias: Qual é o sig­ni­fi­cado ou o peso dessas ho­me­na­gens a ban­dei­rantes serem pres­tadas em ambientes pú­blicos? Faz sen­tido que estes sím­bolos es­tejam pre­sentes na vida ur­bana na forma de es­cul­turas, nomes de ruas e de es­paços pú­blicos?

Casé An­gatu: São as cha­madas dis­putas pelos lu­gares de me­mória, es­paços iden­ti­tá­rios e ter­ri­to­ri­a­li­dades. Neste caso, as “ho­me­na­gens aos ban­dei­rantes” na ca­pital pau­lista são uma ten­ta­tiva de de­mons­trar que a ci­dade su­pos­ta­mente tem donos. Além do poder po­lí­tico, econô­mico e po­li­cial é ne­ces­sário impor que às pes­soas façam re­ve­rên­cias aos hi­po­té­ticos donos da ci­dade. São as redes de poder que buscam in­cutir a do­mi­nação. Assim, essas “ho­me­na­gens” não são so­mente sim­bó­licas. Elas ocupam es­paços fí­sicos com pro­pó­sitos po­lí­ticos reais de tentar impor o poder de certos grupos. Por exemplo: é comum ler em al­gumas abor­da­gens que em 1872 ocorreu uma su­posta “se­gunda fun­dação de São Paulo”, ten­tando-se apagar a ci­dade in­dí­gena, cai­pira, ca­bocla, negra du­rante a cha­mada “belle époque” pau­lis­tana na vi­rada do sé­culo 19 para o 20. Bus­cava-se então se­guir pa­drões eu­ro­peus de ci­vi­li­zação. Em meu livro “Nem Tudo Era ita­liano – São Paulo e Po­breza (1890-1915)” ana­liso como os donos do poder po­lí­tico e econô­mico, tendo à frente Antônio da Silva Prado, pro­cu­ravam eu­ro­peizar ar­qui­tetô­nica e ur­ba­nis­ti­ca­mente a ci­dade. Ao mesmo tempo, re­a­li­zavam uma lim­peza so­ci­o­cul­tural na ci­dade ob­je­ti­vando apagar todos os traços in­dí­genas, ne­gros, cai­piras, ca­bo­clos então pre­do­mi­nantes até na língua – por isto muitos nomes de lu­gares de São Paulo são ori­gi­ná­rios.

Es­crevo o se­guinte em meu livro: “Havia um pro­jeto de eu­ro­pei­zação ar­qui­tetô­nica, ur­ba­nís­tica e po­pu­la­ci­onal. Bus­cava-se a apagar qual­quer traço in­dí­gena, cai­pira, ca­boclo e negro da ci­dade. O ob­je­tivo era uma ‘lim­peza so­ci­o­cul­tural’ vi­sando o bran­que­a­mento da po­pu­lação, per­se­guindo prá­ticas e es­paços de vi­ven­cias das ca­madas po­pu­la­ci­o­nais na­ci­o­nais nas áreas mais cen­trais e suas ad­ja­cên­cias. Pro­cu­rava-se a for­mação de um mer­cado de tra­balho su­pos­ta­mente con­tro­lado e dis­ci­pli­nado” (AN­GATU, Casé – SANTOS, Carlos. José F. Nem Tudo Era ita­liano – São Paulo e Po­breza – 1890-1915. São Paulo: An­na­blume/Fa­pesp, 4ª. Edição, 2018).17:37Em meu outro livro “Iden­ti­dade Ur­bana e Glo­ba­li­zação: a For­mação dos Múl­ti­plos Ter­ri­tó­rios em Gua­ru­lhos” digo que a mesma coisa ocorreu na­quele mu­ni­cípio que pos­suiu dois al­de­a­mentos in­dí­genas em suas es­pa­ci­a­li­dades (AN­GATU, Casé – SANTOS, Carlos. José F. Iden­ti­dade Ur­bana e Glo­ba­li­zação: a For­mação dos Múl­ti­plos Ter­ri­tó­rios em Gua­ru­lhos, São Paulo: An­na­blume/Sinpro-Gru, 2012).

Em 1954, a ci­dade de São Paulo passou no­va­mente pela ten­ta­tiva da elite pau­lis­tana de re­criar o pas­sado. Na­quele pe­ríodo pro­cu­rava-se des­tacar as “ori­gens bri­osas das fa­mí­lias qua­tro­cen­tonas”. Des­ta­cava-se o pas­sado “des­bra­vador e he­roico dos ban­dei­rantes”. Va­lo­riza-se a “Re­vo­lução Cons­ti­tu­ci­o­na­lista no 9 de julho de 1932”. Ho­me­na­ge­avam-se as ações je­suí­ticas que “ca­te­qui­zaram os sel­va­gens e fun­daram São Paulo”. Foi nesta época que se for­ta­leceu a cons­trução de muitos dos mo­nu­mentos e ba­ti­zaram-se ruas, praças, vi­a­dutos, ave­nidas e edi­fi­ca­ções sobre este pas­sado ide­a­li­zado pelas elites pau­lis­tanas. Quando se fala de in­dí­gena fala-se de Ti­bi­riçá e Bar­tira como exem­plos dos “sel­va­gens que acei­taram a fé ca­tó­lica e con­tri­buíram para o de­sen­vol­vi­mento da ci­dade”. In­te­res­sante que aquela também era a época quando a ci­dade pas­sava de 1.326.261 ha­bi­tantes em 1940 para 3.781.446 mo­ra­dores em 1960. Um cres­ci­mento de­cor­rente das mi­gra­ções in­te­ri­o­ranas e, es­pe­ci­al­mente, nor­des­tina/in­dí­gena. Ou seja, a “ci­dade ban­dei­rante” que nunca deixou de ser in­dí­gena, negra e ca­bocla agora também era nor­des­tina.

BZ: A questão do ban­dei­ran­tismo está muito li­gada à cons­trução de São Paulo. Qual é o im­pacto da cons­trução desse ideário na so­ci­e­dade pau­lis­tana de hoje? Como é pos­sível su­perar essa he­rança, mi­ni­mizar os danos dela?

CA: Po­demos pensar que a pre­sença do ban­dei­ran­tismo está re­pre­sen­tada na ex­plo­ração da na­tu­reza de forma de­vas­ta­dora e do tra­balho hu­mano, par­ti­cu­lar­mente através da es­cra­vidão in­dí­gena, negra, es­tupro e ge­no­cídio. O que está mais li­gado à cons­trução de São Paulo em sua di­ver­si­dade so­ci­o­cul­tural é a forte pre­sença in­dí­gena, cai­pira, ca­bocla, negra, imi­grante, mi­grante e nor­des­tina. Pre­senças pre­sentes, re­sis­tentes e (re)exis­tentes em ter­ri­tó­rios pela ci­dade, nomes dos lu­gares, nas cul­turas e na vida co­ti­diana. Só que os grupos no poder tentam his­to­ri­ca­mente si­len­ciar e in­vi­si­bi­lizar estas pre­senças. Buscam des­tacar per­so­na­gens como Fernão Dias Pais; Ma­nuel Borba Gato; Do­mingo Jorge Velho; Antônio Ra­poso Ta­vares; Bar­to­lomeu Bueno da Veiga, entre ou­tros. Suas formas mais atuais na ci­dade são: – Os­ten­tação e ar­ro­gância da elite pau­lis­tana do tipo: “Você sabe com quem está fa­lando?”; – incô­modo que sen­timos ao an­darmos em certos lu­gares da ci­dade e a forma como a po­lícia trata as pes­soas nos bairros pe­ri­fé­ricos, que­bradas e a po­pu­lação de rua: são co­muns as abor­da­gens po­li­ciais vi­o­lentas; – mo­no­pólio de al­gumas destas fa­mí­lias em al­gumas ins­ti­tui­ções pri­vadas e pú­blicas: re­pare os so­bre­nomes de al­guns que ocupam ele­vados cargos, in­cluindo nas uni­ver­si­dades pú­blicas; – ideário de­sen­vol­vi­men­tista do tipo: “a ci­dade que não pode parar”; – pre­con­ceito aos que estão fora deste pa­drão de com­por­ta­mento; – forma de atuar dos ru­ra­listas não só de São Paulo: “os ru­ra­listas de hoje são os ban­dei­rantes de ontem”.

BZ: Como é pos­sível su­perar essa he­rança, mi­ni­mizar os danos dela?

CA: Va­lo­ri­zando ou­tras his­tó­rias, me­mó­rias e iden­ti­dades. Esta é uma das mi­nhas mi­li­tân­cias in­dí­genas. Quero dizer: é de­co­lo­ni­zando olhares, sa­beres e es­pí­ritos. Mos­trando o quanto as pre­senças in­dí­genas, ne­gras, ca­bo­clas, nor­des­tinas e imi­grante são fun­da­men­tais na cons­trução da ci­dade.17:37Por exemplo: antes da pan­demia fa­ríamos em 2020 um evento no en­torno da Ca­pela dos Ín­dios – Ca­pela de São Mi­guel Pau­lista, na Praça do forró. Uma ati­vi­dade de­no­mi­nada: “Por um outro 9 de Julho – Cerco de Pi­ra­ti­ninga em 9 de Julho de 1562”. A ati­vi­dade seria para re­lem­brar quando na­quela data (1562) os Ín­dios de São Mi­guel e ou­tros in­dí­genas cer­caram o Pátio do Co­légio, re­jei­tando a ca­te­quese e a co­lo­ni­zação por­tu­guesa, li­de­rados por Piky­roby e Ja­gua­nharan. Um dos mo­mentos que de­monstra as vá­rias re­sis­tên­cias in­dí­genas em São Paulo e no Brasil. Agora per­gunto: quantos sabem desta his­tória e de seus per­so­na­gens? Muitos dizem: “não vejo a pre­sença in­dí­gena na his­tória do Brasil e muito menos na ci­dade de São Paulo”. Não en­xergam esta pre­sença porque tenta-se pro­po­si­tal­mente apagá-la. Pois bem, São Paulo é uma das mai­ores ci­dades in­dí­genas do Brasil – de­pois pro­curem os dados no IBGE. São Paulo é uma ci­dade in­dí­gena. Lembro que quando falei isto uma vez numa en­tre­vista a uma rádio pau­lis­tana o en­tre­vis­tador dis­cordou. Mas onde en­con­tramos esta pre­sença in­dí­gena: em his­tó­rias ocul­tadas como narrei acima. Atu­al­mente está pre­sente entre os Pa­rentes Gua­ranis no Ja­raguá e em Pa­re­lheiros. Mas não só nestes ter­ri­tó­rios. Esta pre­sença se faz sentir de forma es­pa­lhada pela ci­dade. Muitos dos mi­grantes, es­pe­ci­al­mente nor­des­tinos, que che­garam na ca­pital pau­lista e em ou­tras grandes ci­dades, são in­dí­genas. Os in­dí­genas estão nos bairros, que­bradas, con­juntos ha­bi­ta­ci­o­nais e nas ruas. As pes­soas do povo não cons­troem mo­nu­mentos de con­creto igual aos de Bre­cheret. Elas fazem arte sem saber o que é arte e seus mo­nu­mentos são as vi­vên­cias co­ti­di­anas. São as formas so­ci­o­cul­tu­rais de re­sis­tência e (re)exis­tência. A ci­dade está cheia de ves­tí­gios, ter­ri­tó­rios, me­mó­rias na forma de falar, andar, nomes de lu­gares in­dí­genas. Porém, para per­cebê-los é ne­ces­sário de­co­lo­nizar os olhares e es­pí­ritos.

BZ: Com a re­to­mada dessa dis­cussão, tendo os exem­plos que vimos em ma­ni­fes­ta­ções de ou­tros países, você acre­dita que o de­bate pode pres­si­onar ainda mais a so­ci­e­dade e o poder pú­blico por mu­danças como a re­ti­rada dessas fi­guras?

CA: Acre­dito sempre que a mu­dança advém das forças co­le­tivas. Pre­cisam de de­mandas da­queles que se sentem in­co­mo­dados. Quero dizer: o poder pú­blico tirar o mo­nu­mento tem tanta le­gi­ti­mi­dade de quando ele mandou co­locá-los. A força que advém da de­manda co­le­tiva é o ca­minho. Lem­brando de Paulo Freire em sua Pe­da­gogia do Opri­mido: “Quem, me­lhor que os opri­midos, se en­con­trará pre­pa­rado para en­tender o sig­ni­fi­cado ter­rível de uma so­ci­e­dade opres­sora? Quem sen­tirá, me­lhor que eles, os efeitos da opressão? Quem, mais que eles, para ir com­pre­en­dendo a ne­ces­si­dade da li­ber­tação? Li­ber­tação a que não che­garão pelo acaso, mas pela práxis de sua busca; pelo co­nhe­ci­mento e re­co­nhe­ci­mento da ne­ces­si­dade de lutar por ela. Luta que, pela fi­na­li­dade que lhe derem os opri­midos, será um ato de amor, com o qual se oporão ao de­samor con­tido na vi­o­lência dos opres­sores, até mesmo quando esta se re­vista da falsa ge­ne­ro­si­dade re­fe­rida”.

BZ: Al­guns en­tre­vis­tados cha­maram a atenção para o risco de ne­ga­ci­o­nismo; de que apenas eli­mi­nando esses sím­bolos do es­paço pú­blico es­ta­ríamos cor­rendo o risco de apagar a his­tória sem de­batê-la ou re­fletir sobre ela. O que você pensa sobre essa questão?

CA: Ne­ga­ci­o­nismo é o que os donos do poder fazem por mais de 500 anos. Eu cha­maria de re­cons­trução de­co­lo­nial das nar­ra­tivas his­tó­ricas. O ne­ga­ci­o­nismo destes donos do poder não en­volve só o pas­sado como também o pre­sente e o fu­turo. Eles con­ti­nuam nos ne­gando di­reitos. Vale lem­brar que os que lutam contra os Povos In­dí­genas ti­rando nossos di­reitos estão vivos e à frente do poder econô­mico, po­lí­tico e cul­tural. Os mas­sa­cres não estão no pas­sado, mas ainda estão pre­sentes. O atual go­verno fe­deral que clas­si­fico como fas­cista e mi­li­ciano é im­buído do es­pí­rito ban­dei­rante. A PL 490 que busca co­locar nas mãos do con­gresso na­ci­onal a de­mar­cação de terra é ne­gação de di­reitos. A in­tenção de impor um marco tem­poral (1988) para de­mar­cação ter­ri­to­rial é ne­gação de di­reitos. Os ru­ra­listas e seus ali­ados atuam como os ve­lhos/novos ban­dei­rantes re­ti­rando di­reitos ori­gi­ná­rios, pa­rando as de­mar­ca­ções das Terras In­dí­genas, ame­a­çando as terra de­mar­cadas, de­vas­tando a Na­tu­reza. O des­ma­ta­mento da flo­resta amazô­nica au­mentou 171% em abril de 2020 em re­lação ao mesmo pe­ríodo de 2019, con­forme os dados do Sis­tema de Alerta de Des­ma­ta­mento (SAD), do Ins­ti­tuto do Homem e Meio Am­bi­ente da Amazônia (Imazon). O atual go­verno cria nos di­fe­rentes ter­ri­tó­rios in­dí­genas si­tu­a­ções de con­flito.

Os nú­meros do Re­la­tório Vi­o­lência Contra os Povos In­dí­genas do Brasil – dados de 2019 do Con­selho In­di­ge­nista Mis­si­o­nário são ex­pres­sivos nessa di­reção. De acordo com o CIMI, em 2019, pri­meiro ano do man­dato do Pre­si­dente Bol­so­naro teve: “(…) abuso de poder (13); ameaça de morte (33); ame­aças vá­rias (34); as­sas­si­natos (113); ho­mi­cídio cul­poso (20); le­sões cor­po­rais do­losas (13); ra­cismo e dis­cri­mi­nação ét­nico-cul­tural (16); ten­ta­tiva de as­sas­si­nato (25); e vi­o­lência se­xual (10); to­ta­li­zando o re­gistro de 277 casos de vi­o­lência pra­ti­cados contra a pessoa in­dí­gena em 2019. Este total de re­gis­tros é maior que o dobro do total re­gis­trado em 2018, que foi de 110. O total de 113 re­gis­tros de in­dí­genas as­sas­si­nados em 2019, de acordo com dados ofi­ciais da Se­cre­taria Es­pe­cial de Saúde In­dí­gena (Sesai), é um pouco menor do que o total sis­te­ma­ti­zado em 2018, que foi de 135 (CIMI. Re­la­tório Vi­o­lência Contra os Povos In­dí­genas do Brasil – dados de 2019, 2020). A Covid-19, mas a atu­ação as­sas­sina do go­verno, tem au­men­tado em muito o nú­mero de in­dí­gena mortos. A Covid-19 virou uma arma para o ge­no­cídio dos Povos Ori­gi­ná­rios, Negro e Pobre. Assim, quanto a der­rubar os mo­nu­mentos: parto do prin­cípio es­pi­ri­tual da sa­be­doria in­dí­gena na qual fui for­mado – não é bom mexer com a an­ces­tra­li­dade sem um bom mo­tivo, mesmo dos que foram ini­migos do meu Povo. En­tre­tanto, cos­tumo dizer: “Não temos rancor. Mas, pos­suímos Me­mória”. Não tem como es­quecer mais de 500 anos de in­va­sões, mas­sa­cres, ge­no­cí­dios, et­no­cí­dios, es­tu­pros e eco­cí­dios co­me­tidos por muitos destes que vi­raram mo­nu­mentos, re­cebem ho­me­na­gens e são con­si­de­rados he­róis na­ci­o­nais. Assim, quando as ener­gias co­le­tivas da­queles que são her­deiros desta his­tória de im­po­si­ções ca­mi­nharem para a der­ru­bada dos mo­nu­mentos, penso que de­vemos der­rubá-los. Der­rubar as ima­gens da­queles que há mais de 500 anos tentam der­rubar nossas his­tó­rias, me­mó­rias e iden­ti­dades.

BZ: Assim, eli­mi­nando esses sím­bolos do es­paço pú­blico es­ta­ríamos cor­rendo o risco de apagar a his­tória sem de­batê-la ou re­fletir sobre ela?

CA: Caso os mo­nu­mentos se man­te­nham, fa­remos como já fa­zemos: re­lei­turas de­co­lo­niais crí­ticas acerca das his­tó­rias e me­mó­rias en­torno deles. De­mons­trando que estes mo­nu­mentos com­provam os mas­sa­cres, mas não a der­rota porque es­tamos aqui como her­deiros dos que foram mas­sa­crados. Como dizia o grande Ca­cique Xicão Xu­kuru: “Mas­sa­crados sim, ex­ter­mi­nados não”. In­sisto: der­rubar os mo­nu­mentos não é ne­ga­ci­o­nismo e sim de­co­lo­ni­a­li­dade. Assim, caso os mesmos fi­quem a his­tória não dei­xará de ser de­ba­tida ou re­fle­tida, até porque existem ou­tras fontes para isto, como as me­mó­rias e es­pi­ri­tu­a­li­dades de nossos an­ces­trais. Po­de­riam me per­guntar: mas se der­rubar ou “da­ni­ficar” não es­ta­remos per­dendo a chance de de­mons­trar como eles de­se­jaram impor a his­tória deles? Ao que res­pon­deria com outra per­gunta: como nós Povos Ori­gi­ná­rios con­se­guimos narrar a his­tória de nossa re­sis­tência e (re)exis­tência e das vi­o­lên­cias que so­fremos sem pre­ci­sarmos de mo­nu­mentos? Existem ou­tras formas de se buscar a me­mória que é uma das bases para se es­crever a his­tória que vão para além da ma­te­ri­a­li­dade dos mo­nu­mentos. Os Povos In­dí­genas tem muito a en­sinar sobre isto. Assim, na minha lei­tura não es­ta­ríamos cor­rendo o risco “de apagar a his­tória sem de­batê-la ou re­fletir sobre ela”. Aliás, qual his­tória es­ta­ríamos apa­gando, de­ba­tendo e re­fle­tindo? Como es­creveu Ailton Krenak no texto “Antes, o Mundo não Existia”: “Entre a his­tória e a me­mória, eu quero ficar com a me­mória”. Nós in­dí­genas não pre­ci­samos de mo­nu­mentos para pre­servar nossa me­mória. Quem pre­cisa de mo­nu­mentos são os in­va­sores e os donos do poder para impor a me­mó­rias ge­no­cida e et­no­cida deles.

BZ: Como po­deria acon­tecer o tra­balho para que uma par­cela mais ampla da so­ci­e­dade possa aprender a his­tória dos povos ori­gi­ná­rios e in­cluí-la nas prá­ticas do co­ti­diano?

CA: Um dos ca­mi­nhos é a edu­cação de­co­lo­nial e pau­lo­frei­riana no sen­tido que as­si­nala Cathe­rine Walsh ao somar a obra de Paulo Freire e Frantz Fanon: “[…] como me­to­do­lo­gias pro­du­zidas em con­textos de luta, mar­gi­na­li­zação, re­sis­tência e que Adolfo Albán tem cha­mado ‘re-exis­tência’; pe­da­go­gias como prá­ticas in­sur­gentes que fra­turam a mo­der­ni­dade/co­lo­ni­a­li­dade e tornam pos­sível ou­tras ma­neiras de ser, estar, pensar, saber, sentir, existir e viver-com” (WALSH, C, Pe­da­go­gias De­co­lo­ni­ales: Prác­ticas In­sur­gentes de Re­si­sitir, (Re)existir y (Re)vivir”- Tomo I. Quito, Ecu­ador: Edi­ci­ones Abya-Yala, 2013, p. 19). Para isto pre­ci­sa­ríamos fazer valer a Lei 11.645/2008. Ao mesmo tempo, apro­fundar a for­mação das edu­ca­doras e edu­ca­dores para atu­arem neste sen­tido. Já têm ocor­rido vá­rias ini­ci­a­tivas em São Paulo e em ou­tros lu­gares. Di­fe­rentes Pa­rentes estão atu­ando nestas ini­ci­a­tivas. Eu mesmo ofe­reço cursos de for­mação nesta di­reção (“His­tó­rias, Cul­turas In­dí­genas e a Ci­dade de São Paulo”. “In­dí­genas Iden­ti­dades Pau­lis­tanas). Al­gumas uni­ver­si­dades têm ope­rado nesta for­mação. Con­forme disse existem ali­ados atu­ando em di­fe­rentes es­paços de for­mação abrindo estes lu­gares, como por exemplo a ex­po­sição que ocorreu entre 2018-2019 no Museu da Re­sis­tência (prédio do an­tigo DOPS) in­ti­tu­lada: “Ser Essa Terra: São Paulo Ci­dade In­dí­gena”. São es­paços como esses de diá­logo uma outra forma im­por­tante para di­vulgar nossas falas e pro­du­ções. Po­demos falar hoje de li­te­ra­tura, arte, mú­sica, ci­nema e pro­dução aca­dê­mica in­dí­gena que são fun­da­men­tais. No en­tanto, acima de tudo uma coisa é fun­da­mental: apoiar a Luta dos Povos Ori­gi­ná­rios e de todas as pes­soas por seus di­reitos contra os novos/ve­lhos ban­dei­rantes no poder. Para isto en­tendo que é ne­ces­sário lutar contra os que estão no poder, como o atual pre­si­dente fas­cista e mi­li­ciano. Por isto a his­tória é uma cons­trução se­le­tiva das me­mó­rias que pos­suímos sobre o pas­sado. Os mo­nu­mentos são cons­tru­ções se­le­tivas feitas pelos donos do poder. Neste sen­tido pre­ci­samos cons­truir nossas his­tó­rias a partir de nossas me­mó­rias mesmo que para isto seja ne­ces­sário der­rubar mo­nu­mentos su­pre­ma­cistas aos ve­lhos e novos ban­dei­rantes. Deste modo, também pre­ci­samos cons­truir juntos um mundo que já existe em muitos de nós. Um mundo onde existam vá­rios mundos com igual­dade so­cial res­pei­tando as di­fe­renças.

(*) Casé An­gatu (Carlos José F. Santos) é in­dí­gena e mo­rador no Ter­ri­tório Tu­pi­nambá em Oli­vença (Ilhéus/BA) na Taba Gwarïnï Atã; Do­cente do Pro­grama de Pós-Gra­du­ação em En­sino e Re­la­ções Ét­nico-Ra­ciais da Uni­ver­si­dade Fe­deral do Sul da Bahia – Campus Jorge Amado (PPGER-UFSB-CJA); Do­cente da Uni­ver­si­dade Es­ta­dual de Santa Cruz – (UESC/Ilhéus/BA); Pós-Dou­to­rando no em Psi­co­logia na UNESP/Assis; Doutor pela FAU/USP; Mestre em His­tória pela PUC/SP e His­to­ri­ador pela UNESP. A Co­luna Imbau é um es­paço no Cor­reio da Ci­da­dania aberto junto de or­ga­ni­za­ções e in­di­ví­duos in­dí­genas de 13 et­nias di­fe­rentes, com a fi­na­li­dade de di­vulgar as pro­du­ções e o pen­sa­mento dos povos ori­gi­ná­rios bra­si­leiros e suas pautas. Este ar­tigo foi es­crito por Casé An­gatu.

Nota do autor: Não irei aqui falar sobre as pes­soas que co­lo­caram fogo na es­tátua de Borba Gato porque não as co­nheço. A in­tenção é apre­sentar o ponto de vista de um in­dí­gena his­to­ri­ador e que es­creve sobre o tema e a ci­dade de São Paulo, apesar de nossas lei­turas terem poucos es­paços.

Nota do Cor­reio da Ci­da­dania: Casé An­gatu é es­tu­dioso e es­pe­ci­a­lista das lín­guas ge­rais e co­mu­ni­cação in­dí­gena. Al­gumas pa­la­vras que podem pa­recer “er­radas” estão co­lo­cadas assim pro­po­si­ta­da­mente, a fim de apro­ximar o tra­balho da co­mu­ni­cação oral dos povos in­dí­genas, de como se pro­nun­ciam as pa­la­vras.

Notas do texto: 1: “En­tenda quem foram os ban­dei­rantes e por que eles são ho­me­na­ge­ados em São Paulo” (Es­tadão) https://​www.​terra.​com.​br/​not​icia​s/​brasil/​cidades/​entenda-​quem-​foram-​os-​ban​deir​ante​s-​e-​por-​que-​eles-​sao-​hom​enag​eado​s-​em-​sao-​paulo,e4a454ef74a66ac515e37a6a2e15b29­2­b­9­d­r­ni4k.html 2: “Es­tá­tuas ra­cistas devem ser der­ru­badas? Veja o que dizem his­to­ri­a­dores” (Es­tadão) https://​www.​terra.​com.​br/​not​icia​s/​brasil/​cidades/​est​atua​s-​rac​ista​s-​devem-​ser-​der​ruba​das-​veja-​o-​que-​dizem-​his​tori​ador​es,75394e18101954a­e2f8d3­cec4180686­a­7­9­9­a­cxa9.html 3: Vídeo: “É ISTO QUE CHA­MAMOS DE TER­RIÓRIO”. parte do Web­do­cu­men­tário Mo­bi­liário Ur­bano: mo­burb.org. https://​www.​fac​eboo​k.​com/​682​7531​67/​videos/​pcb.​101​5786​6940​1531​68/​101​5786​6939​3181​68 4: Vídeo: “Mas­sacre do Cu­ru­rupe” – parte do filme Îandê Yby: Nós Somos A Terra Tu­pi­nambá!” https://​www.​fac​eboo​k.​com/​103​9312​0476​0569/​videos/​149​7479​3684​5562 Su­ges­tões de lei­tura do autor: “En­tenda o mo­tivo do in­cêndio na Es­tátua de Borba Gato”: https://​www.​dia​riod​ocen​trod​omun​do.​com.​br/​ess​enci​al/​entenda-​o-​motivo-​do-​inc​endi​o-​na-​estatua-​de-​borba-​gato/ “Es­tátua de Borba Gato: en­tenda porque ma­ni­fes­tantes a in­cen­di­aram”: https://​www.​otempo.​com.​br/​brasil/​estatua-​de-​borba-​gato-​entenda-​porque-​man​ifes​tant​es-​a-​inc​endi​aram-​1.​2517456 Co­nheça o tra­balho de Casé An­gatu 1) AN­GATU, Casé (SANTOS, Carlos José F. dos). Nem Tudo Era Ita­liano – São Paulo e Po­breza na vi­rada do sé­culo (1870-1915). São Paulo: An­na­blume/FA­PESP, 4a. Edição 2018. 2) AN­GATU, Casé (SANTOS, Carlos José F. dos). Iden­ti­dades Ur­banas e Glo­ba­li­zação – a for­mação dos múl­ti­plos ter­ri­tó­rios em Gua­ru­lhos/SP. São Paulo: SINPRO/GRU, 2006 3) AN­GATU, Casé (SANTOS, Carlos José F. dos). “In­dí­genas Iden­ti­dades Pau­listas”. In: Or­ga­ni­za­dores: COSTA, Paulo de Freitas, COSTA, Ana Cris­tina Mou­tela. Ca­dernos da Casa Museu Ema Klabin; v. 2: iden­ti­dades pau­lis­tanas. São Paulo: Fun­dação Cul­tural Ema Klabin, Dis­po­nível On­line em: https://​ema​klab​in.​org.​br/…/​cad​erno​s-​da-​casa-​mus​eu…/… , 202017:374) AN­GATU, Casé (SANTOS, Carlos José F. dos). “Ser Esta Terra: São Paulo Ci­dade In­dí­genas”. In: Es­paço Ame­ríndio: Dossiê Agen­ci­a­mentos In­dí­genas da Forma Museu. Porto Alegre: UFRGS, Dis­po­nível On­line em: https://​seer.​ufrgs.​br/​Esp​acoA​me…/​article/​view/​102699/​58300 , Jan/Jun de 2020. 5)AN­GATU, Casé (Carlos José F. Santos) & TU­PI­NAMBÁ, Ayra (Va­nessa Ro­dri­gues Santos). “Pro­ta­go­nismos In­dí­genas: (Re)Exis­tên­cias In­dí­genas e In­di­a­ni­dades”. In: CAR­NEIRO, Maria Luiza Tucci e ROSSI, Mi­rian Silva (Orgs.) Ín­dios no Brasil: Vida, Cul­tura e Morte. São Paulo: IHF; LEER/USP; In­ter­meios: 2019, p. 23-4.

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