Universidades públicas lideram projetos de combate à Covid 19

Mesmo diante das dificuldades de manter os recursos humanos e materiais em decorrências dos cortes nos orçamentos, inúmeras ações estão em desenvolvimento nas universidades federais

UFRN realiza exames para diagnosticar as arboviroses para desafogar as demandas do Lacen (Laboratório Estadual). Foto: Anastácia Vaz

Por Jana Sá, da agência Saiba Mais
Foto: Anastácia Vaz

Vistas pelo governo de Jair Bolsonaro como inimigas a serem combatidas, as universidades públicas comprovam seu papel no desenvolvimento do país e de lugar de produção científica e tecnológica. Mesmo diante dos cortes orçamentários e ataques à sua imagem, as instituições federais de ensino superior no Brasil desenvolvem projetos de enfrentamento à Covid 19, que já registrou 34.000 mortes e mais de 723.000 infectados em todo o mundo. No Brasil, o Ministério da Saúde confirmou 4.256 infecções e 136 mortes por Coronavírus.

Apesar das dificuldades de manter os recursos humanos e materiais em decorrências dos cortes nos orçamentos, inúmeras ações estão em desenvolvimento nas universidades federais. Professores e estudantes se dividem em diversas frentes de trabalho.

Recentemente, o próprio ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta reconheceu durante uma videoconferência com empresários que as armas de combate ao novo Coronavírus no país estão nas universidades.

– Nós vamos lutar com as armas que a gente tem, e elas não são pequenas. O vírus é um inimigo duro ? É. Mas nós vamos ser uma adversário tinhosos dele. Vamos brigar. Temos central de produção, temos São Paulo, temos a USP, a Universidade Federal do Rio de Janeiro, a Universidade Federal do Rio Grande do Norte, temos nossos laboratórios da Embrapa, a Fiocruz está dando um show…”, destacou Mandetta.

Auxílio no diagnóstico

Na Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), o Laboratório de Inovação Tecnológica em Saúde (Lais) auxilia no processo de diagnóstico e apoio ao laboratório central de saúde pública do estado do RN, o Lacen, que está sobrecarregado frente ao crescente número de casos suspeitos. O Departamento de Análises Clínicas e Toxicológicas (DACT), o Instituto de Medicina Tropical (IMT) e a Escola Multicampi de Ciências Médicas (EMCM), o Departamento de Infectologia (Dinfec) são algumas unidades integradas à essa força-tarefa.

Servidor da UFRN trabalha em testes no IMT – Foto: Glória Monteiro/Cedida

O Instituto de Ciências Básicas da Saúde (ICBS) da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) realiza entre 400 e 500 testes de diagnóstico do novo coronavírus por dia. Na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), os pesquisadores nos laboratórios universitários têm capacidade de produzir 300 testes por dia – número que deve aumentar.

A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), no Rio de Janeiro, vem produzindo kits para a realização de 30 mil testes diagnósticos da Covid-19.

Respiradores mecânicos

Com uma estimativa de que o país precise de mais de 20 mil ventiladores pulmonares mecânicos já nas próximas semanas, as universidades públicas brasileiras saem na frente em projetos para a manufatura desses equipamentos em tempo recorde e a custos bem mais baixos. A produção atual de ventiladores pelas empresas brasileiras é de 2.000 por mês, e mesmo com produção acelerada essas empresas não vão conseguir atender à demanda esperada.

Na Escola Politécnica da USP, um projeto em fase avançada vai permitir que empresas credenciadas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária montem respiradores mecânicos ao custo de R$ 1 mil. Um respirador convencional não sai por menos de R$ 15 mil.

Na mesma linha, pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) estão desenvolvendo um protótipo de ventilador pulmonar mecânico para ser reproduzido em massa, de forma simples, rápida e barata, com recursos disponíveis no mercado nacional. Desenvolvido pelo Programa de Engenharia Biomédica do Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia (Coppe) no Laboratório de Engenharia Pulmonar e Cardiovascular da Coppe, o equipamento poderá contribuir para suprir, emergencialmente, a crescente busca dos hospitais por esses aparelhos, em decorrência da pandemia causada pelo novo coronavírus.

Sequenciamento do genoma do vírus

Outra importante frente de trabalho para o controle viral foi desenvolvida pela equipe da professora Ester Sabino, coordenadora do Instituto de Medicina Tropical da USP. Em tempo recorde, a equipe fez o sequenciamento do genoma do vírus em apenas 48 horas, o que permite acompanhar as suas mutações.

Disponibilizada em bancos públicos, a descoberta permite que os dados possam ser usados em estudos científicos de combate à pandemia por pesquisadores de todo o mundo.

A fabricação de produtos essenciais para a prevenção e tratamento da doença também foi assumida pelas universidades públicas federais.

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