Suspeita de compra de votos para Bolsonaro em Coronel Sapucaia (MS)

Profissão Repórter flagrou reunião em que beneficiários do Auxílio Brasil foram convocados para serem coagidos a votar no Bolsonaro
Caco Barcellos investiga suspeita de compra de votos para Bolsonaro em MS - Foto: Reprodução
Caco Barcellos investiga suspeita de compra de votos para Bolsonaro em MS - Foto: Reprodução

Os repórteres Caco Barcellos e Chico Bahia do Profisssão Repórter flagraram uma reunião de compra de votos para Bolsonaro organizada pela prefeitura de Coronel Sapucaia (MS) com beneficiários do Auxílio Brasil há poucas horas do segundo turno. Enquanto realizava a reportagem, Barcellos foi ameaçado em ligação recebida por uma pessoa da cidade: “Eu sugeriria terminar a pauta o quanto antes, se você quiser continuar aqui na cidade trabalhando (…) sua conta em risco”.

Por Emanuela Godoy

Faltavam menos de 48 horas para o segundo turno das eleições quando os repórteres andavam pela cidade para conversar com moradores sobre a sua intenção de voto. Foi quando avistaram uma concentração de pessoas em frente ao centro cultural e resolveram se aproximar. Todos que foram convocados para a reunião eram beneficiários do programa Auxílio Brasil. Quando Barcellos questiona as pessoas ali presentes sobre o teor da reunião ninguém se manifesta.

Logo ao entrar no local, a assessora da secretária veio ao encontro do repórter, que a questionou se a reunião teria a ver com a votação.

“Tem a ver de demonstrar o que o presidente e o governador estão fazendo pelas pessoas”, disse a assessora

Em pouco tempo, todas as pessoas da reunião levantaram e foram embora. Ao tentar entrevistar as pessoas presentes, Barcellos foi impedido por um homem que disse:

“É melhor vocês ficarem na sua!”

Já outra pessoa abordada pela reportagem respondeu que não poderia dizer nada. Mulheres que organizavam a reunião tinham planilhas com os nomes e dados das pessoas que compareceram. A secretária, quando questionada sobre as listas e o motivo da reunião, apenas disse que era para tratar o Auxílio Brasil e o Mais Social e disse que tinha que mandar as listas para o Ministério de Desenvolvimento Social. A secretária, entretanto, não respondeu por quê a reunião era feita às vésperas da eleição.

Um senhora, que morava ao lado do local da reunião, disse que a reunião já acontecia há 3 dias e que era para os beneficiários dos programas sociais assinarem. Então completa:

“Aí ontem que eu ouvi falando que, quando acaba a reunião, o Rudi dá R$ 50 para cada um. Rudi é o prefeito daqui”.

Ao ser questionado, o prefeito da cidade, Rudi Paetzold, disse não organizou a reunião, mas sim uma secretaria, mas não chegou a especificar qual.

Depois de falar com o prefeito, Barcellos entrevistou uma moradora da cidade que disse que na reunião os moradores eram coagidos a votar em Bolsonaro:

“Eu fui. Chegamos lá; eles, sinceramente, falaram sobre o Auxílio Brasil, porém a parte foi só sobre política. Que teria que votar no 22, porque se não, no caso, não teria mais verba para vir para cá, né? Aí pararia com tudo: pararia de fazer o asfalto, as escolas. Você chega lá, se você está precisando… Vamos supor: você precisa para sobreviver o auxílio e o vale renda, você muda seu voto na hora com medo de perder o benefício. Pediram para colocar o nome, colocar o documento, o número de celular. Porque, no caso, esses nomes iriam lá não sei para onde. Para mim, aquilo foi uma pressão sobre as pessoas. Isso é promoção do prefeito, né?”

Leia mais sobre assédio eleitoral AQUI.

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