Sonho da casa própria vira pesadelo após a alta de juros e inflação no Brasil

O mercado imobiliário vira um pesadelo para aqueles que adquiriam uma casa própria em 2021, após alta nas taxas de juros e inflação

O ano de 2022 foi marcado por uma alta substancial na taxa de inflação no Brasil. Em vista disso, o governo Bolsonaro aumentou a taxa de juros bancários para 13,75%, enquanto o juros fixos no crédito imobiliário também recebeu um acréscimo de 10%. A consequência dessas medidas econômicas é um aumento do desemprego e do endividamento populacional, uma vez que, ao aumentar os juros, se reduz o poder de compra dos trabalhadores e se regula a inflação por meio da falta de mercado.

Por Camilla Almeida

Dessa forma, todas essas altas em diferentes campos econômicos impactaram negativamente um mercado que se mostrava bom durante os primeiros anos da pandemia: o imobiliário. Em 2021, a taxa de juros se encontrava em um patamar histórico de 2%, o que favoreceu linhas de crédito imobiliário, além de novas modalidades de crédito que prometiam ampliar o acesso à casa própria para toda população. Esses indicadores positivos motivaram a classe média a adquirir seu próprio imóvel.

Porém, com todas essas mudanças negativas e deterioração da conjuntura econômica, o número de distratos – quando se encerra um contrato imobiliário – subiram 16% no início de 2022 em comparação a 2021, de acordo com Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip). Com o poder de compra reduzido, as prestações dos imóveis passaram por um forte aumento, ficando impagáveis para o bolso de uma população que sofre com os preços astronômicos de bens básicos. 

PL 4188

A alta de juros, inflação e desemprego não são as únicas preocupações daqueles que sonham em ter a casa própria sem se endividar. Em abril de 2022, o PL 4188 foi levado a votação no Plenário. O projeto de lei possibilita que famílias devedoras possam colocar imóveis em garantia de crédito, sem ter mais o obstáculo da cláusula de impenhorabilidade de “bem de família”. Hoje, no Brasil, quase 80% das famílias estão endividadas no Brasil, segundo a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor, realizada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).

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