A situação do Parque Linear Sapé

Retrocessos nos programas habitacional e de saneamento

Por Rede Butantã

Histórico

O Parque Linear do Sapé foi o primeiro parque linear da cidade de São Paulo, executado com verba de compensação ambiental. O processo foi iniciado com o Subprefeito Maurício Pinterich, ainda na gestão do Prefeito Gilberto Kassab. O processo de implantação deste Parque Linear foi muito exitoso, envolveu várias secretarias municipais, além da Sabesp, que promoveu o saneamento do córrego.
O parque linear acabou por desencadear o desenvolvimento de um projeto de urbanização em uma das mais densas favelas da região do Butantã. Seguindo as diretrizes do programa de Recuperação de Fundos de Vale, previsto no Plano Diretor de São Paulo, a Secretaria de Habitação promoveu a construção de prédios populares para as famílias que viviam em área de risco, às margens do Córrego, um verdadeiro esgoto a céu aberto.
Depois de despoluído, foram realizados inúmeros mutirões de limpeza e de conscientização da importância de tornar este córrego um exemplo da possibilidade de recuperação de águas limpas. O monitoramento sistemático, que vem sendo realizado com apoio das escolas do entorno e coordenação da SOS Mata Atlântica, tem demonstrado indicadores da boa qualidade da água. A recuperação do córrego Sapé é um caso emblemático para cidade que deve servir de exemplo.

Riscos hoje no Sapé: retrocesso nos programas de saneamento e habitacional

O projeto habitacional desenvolvido pela Secretaria Municipal de Habitação ainda não foi concluído. Novas unidades habitacionais que abrigarão famílias cadastradas atendidas e que hoje são atendidas por aluguel social, ainda precisam ser construídas. O terreno destinado a essa nova fase do projeto encontra-se hoje vulnerável a invasões. Até recentemente, ele era ocupado pelo escritório do Plantão Social, um serviço mantido pela Secretaria de Habitação para fazer o acompanhamento das famílias atendidas pelo projeto.
A importância da manutenção deste espaço gerou documento da Rede Butantã, solicitando à Prefeitura Regional que intercedesse junto aos órgãos pertinentes no sentido de evitar uma nova onda de ocupações e a consequente perda das conquistas sociais e ambientais tão caras à região e à cidade.
Infelizmente, o espaço tem estado abandonado, a área corre risco de não ser preservada para continuidade do projeto de habitação popular, comprometendo todo o trabalho e os investimentos realizados visando a melhoria da qualidade de vida nesta região do Córrego Sapé.
Abandono e falta de preservação das áreas verdes na Região do Butantã como estratégia de desmonte dos espaços públicos

Esta situação do Parque Linear Sapé, faz parte de uma mesma lógica de abandono e de falta de investimentos para preservação dos parques e das áreas verdes, na Região do Butantã e talvez da Cidade de São Paulo.
Na atual gestão, houve drástica redução de pessoal para a preservação dos parques tanto para a administração, limpeza, manutenção e preservação da área, como para a vigilância. Especialmente nas áreas mais pobres da região, estes espaços públicos de preservação ambiental e de lazer para a população, encontram-se quase que em total abandono.

Parques no Butantã

O Parque Raposo Tavares está sem administrador e o administrador do Parque Previdência está respondendo pelos dois parques. Isto acontece em outros parques da região que compartilham um mesmo administrador. Cemucan e Parque Juliana de Carvalho Torres têm o mesmo administrador. Este acúmulo de cargos dificulta acompanhamento mais próximo.
Parques do Butantã acabam tendo baixa utilização pela população uma vez que a verba destinada a eles vai para contratos terceirizados de limpeza e segurança (que não funcionam) e não há investimento em programação cultural e educação ambiental. Não existe política pública no sentido de estimular a participação popular e existe um processo de desmonte da coisa pública.

Links para outras matérias feitas no Sapé:
1 Um rio renascendo, artigo de março de 2016: https://www.sosma.org.br/blog/um-rio-renascendo/

2 Comparação entre o Água Podre e o Sapé: http://g1.globo.com/sao-paulo/noticia/2016/03/cai-qualidade-da-agua-nos-corregos-de-sao-paulo-aponta-estudo.html

3 Levantamento dos córregos da capital paulista: http://g1.globo.com/globo-news/jornal-globo-news/videos/v/levantamento-exclusivo-da-globonews-faz-raio-x-dos-corregos-da-capital-paulista/5744895/

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