Seminário discute soberania popular e questiona bicentenário da independência

Evento ocorre nesta terça (07), no município de Poconé, Mato Grosso, com participação de professoras/es, estudantes e quilombolas e faz parte das atividades da JURA-MT
Manifestação durante a JURA 2022. Foto: Francisco Alves

As equipes de articulação do 28º Grito dos Excluídos e Excluídas de Mato Grosso e da Jornada Universitária em Defesa da Reforma Agrária (JURA) da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) realizam o seminário “200 anos de (in)dependência para quem?”, nesta terça-feira (07), das 8h30 às 12h, no salão paroquial da Igreja Católica, em Poconé, município do pantanal mato-grossense.

O seminário terá café pantaneiro, atividades culturais e palestras. A organização espera reunir cerca de cem pessoas. A atividade faz parte da extensa programação do Grito, que realiza ações todo dia 07, finalizando com protestos de rua no 7 de setembro.

Em material produzido pela equipe de organização, um dos “gritos” de 2022 a necessidade é mais que clara: “É preciso denunciar os detentores do capital, fazendeiros, garimpeiros, petroleiros, madeireiros e agentes imobiliários, que não poupam esforços para descaracterizar, criminalizar e se apossar dos territórios em detrimento das populações locais”.

Por uma independência de verdade

O seminário crítico ao bicentenário da independência (1822-2022) terá a participação de professoras/es e estudantes da rede pública do município, além de moradoras/es de comunidades quilombolas. O bate-papo contará com a presença do professor Bruno Gonçalves, que vai falar sobre o “faz de conta” da independência do Brasil. A professora Lilian Andrade abordará as teorias da dependência, do neocolonialismo e do neoimperialismo.

Já o professor Ricardo Assis vai discorrer sobre a necessidade de se construir um projeto educacional voltado ao fortalecimento de uma sociedade justa, democrática e acolhedora, levando em conta a população oprimida e marginalizada. E a professora universitária aposentada e integrante da equipe de organização da JURA, Rosa Lúcia Rocha Ribeiro, falará a respeito do direito à terra, à moradia, ao trabalho e sobre a reforma agrária.

“O poder antidemocrático do país celebrará os 200 anos da Independência do Brasil e ao percebermos que nada temos a comemorar vamos conclamar a todos e todas à luta por um país verdadeiramente independente, sem genocídio da população pobre, negra e indígena, com justiça social e oportunidade para que o povo volte a sonhar e ter orgulho de ser brasileiro”, disse José Carlos Correia Paz, o frei Zeca, que compõe a Articulação do Grito em Mato Grosso.

O seminário integra a agenda de atividades do Grito e da JURA-UFMT. O Grito é uma movimentação da sociedade civil organizada que ocorre desde 1995 no Brasil com várias rodas de discussão durante o ano e protestos de rua no dia 7 de setembro, envolvendo pastorais sociais, movimentos populares, partidos de esquerda e ongs. A JURA é um evento anual, existe desde 2014 e congrega movimentos do campo, docentes e estudantes universitárias/os de todo o país em defesa da reforma agrária popular.

“O Grito dos Excluídos e das Excluídas é um processo de construção coletiva e tem parceria este ano com a JURA. Tanto um como outro são manifestações populares carregadas de simbolismo, espaços de animação e profecia, sempre abertos a grupos, entidades, igrejas e movimentos sociais comprometidos com as causas da população mais vulnerável”, explicou.

Os gritos de 2022

A seguir outros motivos para refletir sobre o “faz de conta” da independência, conforme material local e nacional produzido pela Articulação do Grito.

– É urgente uma mudança de estruturas. Não é mais possível suportar as formas destrutivas como o sistema opera contra a vida dos povos, pobres de modo geral, vítimas maiores de um processo histórico de desigualdades sociais, que se arrasta desde o Brasil colônia.

– O endividamento interno e externo do governo federal que representa ainda um modelo de desenvolvimento que faz da degradação uma oportunidade de negócios que expropriam riquezas, desrespeitam os povos e a natureza.

– É preciso defender a educação popular e o trabalho de base que contribua para despertar a dignidade das pessoas e a confiança nos seus valores e potenciais.

– A garantia do direito à terra, teto e trabalho para toda a população. Urgência de um projeto popular para o Brasil.

– Lutar para que a “democracia representativa” avance para a “democracia participativa”.

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