Romaria abre Jornada Universitária para a Reforma Agrária em Mato Grosso

Atividades organizadas junto à Universidade Federal de Mato Grosso seguem com audiência na Assembleia Legislativa do estado e feira de produtos agroecológicos no centro de Cuiabá

Por: Neusa Baptista e Gibran Lachowski (Comunicação Popular JURA)

A Romaria das Trabalhadoras e Trabalhadores realizada no dia 1º de maio, em Cuiabá, abriu os eventos deste ano da Jornada Universitária em Defesa da Reforma Agrária na UFMT, realizada anualmente pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra junto a universidades em todo o país. A manifestação teve fortes críticas ao alto custo de vida e ressaltou a defesa dos serviços públicos, do meio ambiente e da reforma agrária popular. A atividade ocorreu durante a tarde, reunindo centenas de integrantes de pastorais sociais, movimentos populares, partidos e sindicatos. A romaria completou a 31ª edição e teve a participação do novo arcebispo da Arquidiocese de Cuiabá, dom Mário Antônio da Silva, que deu a benção às trabalhadoras e trabalhadores.

“Vocês são resistência, porque há décadas não se conformam com a injustiça. Deus é o braço que resgata, proporciona vida e indica o caminho. Sei que é difícil, mas permaneçam de olhos abertos, auxiliando os irmãos e as irmãs que passam pela fome e o desemprego. Perseverem”, disse dom Mário.

Foto: Ana Paula Carnahiba

A romaria teve início na sede do Centro Pastoral para Migrantes, no bairro Carumbé, seguiu pelas ruas do Residencial São Carlos e do bairro Planalto, encerrando com show cultural no bairro Sol Nascente.

Concentração da Romaria no Centro Pastoral para Migrantes, em Cuiabá. Vídeo: Ana Paula Carnahiba.

A caminhada teve paradas em frente a unidades do serviço público, onde as/os participantes lembraram das vítimas do descaso do governo durante a pandemia, denunciaram os altos preços das contas de água e esgoto e da passagem de ônibus, o desmonte da educação e a falta de política pública com a população carcerária. “Precisamos olhar a água como fonte de nossa existência, produção de alimentos e sustento ambiental”, enfatizou Inácio Werner, do Fórum de Direitos Humanos e da Terra (FDHT/Mato Grosso).  

Rosa Lúcia Rocha Ribeiro, trabalhadora da Saúde e integrante da organização da JURA, lembra das vítimas do governo na condução da pandemia. Vídeo: Ana Paula Carnahiba.

Vanessa Ribeiro de Jesus, militante do Movimento das Trabalhadoras e Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), destacou a importância da reforma agrária popular e criticou o governo federal pelo alto custo de vida. “Estamos aqui para reafirmar nosso projeto de luta e resistência, em defesa de teto, pão, trabalho, dignidade e direito à vida”.

Vanessa Ribeiro de Jesus, militante do MST/MT e integrante da organização da JURA/MT, ressalta reforma agrária popular. Vídeo de Francisco Alves

Vanessa também participa da mobilização da Jornada Universitária em Defesa da Reforma Agrária (JURA), que inicia atividades nos dias 12 e 13 de maio, com a “Feira Saberes e Sabores da Terra”, na praça Alencastro, no centro de Cuiabá. Na feira, pequenas e pequenos produtores rurais vão vender produtos da agricultura familiar, reforma agrária e economia solidária.

A JURA é um evento nacional que envolve entidades de ensino e movimentos sociais para discutir a organização popular no campo e na cidade. Existe desde de 2014 e teve sua primeira edição em Mato Grosso em 2018. Este ano, além de debates e atividades culturais na Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), a JURA ocorre em praças públicas, escolas, assentamentos e teve participação até em Audiência Pública na Assembleia Legislativa na qual a companheira Fia, do MST, questionou: Quem pode falar sobre Reforma Agrária neste país?

 

Clóvis Arantes, presidente da Associação da Parada do Orgulho LGBTQIA+ e parceiro da JURA, foi firme em suas palavras: “Sempre estivemos na caminhada, pois a comunidade de gays, lésbicas, travestis, bissexuais está presente em todos os setores da sociedade e precisamos aproveitar estes espaços para denunciar as mortes das pessoas LGBTQIA+. Não dá para falar em romaria sem falar da romaria destas pessoas que lutam para existir e resistir”, disse.

Foto: Francisco Alves

Vejam abaixo mais fotos da romaria clicadas pelo fotógrafo e ativista Francisco Alves:

Foto: Francisco Alves

Foto: Francisco Alves

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