“Resistam, somos irmãos” diz ministra venezuelana sobre ataques a indígenas no Brasil

Pauta indígena é tratada como central no Congresso Bicentenário dos Povos do Mundo, em Caracas
Marbelys del Valle Medina Gonzalez e Yamilet Mirabal, ministra do Poder Popular para os Povos Indígenas da Venezuela
Marbelys del Valle Medina Gonzalez e Yamilet Mirabal, ministra do Poder Popular para os Povos Indígenas da Venezuela

Yamilet Mirabal, ministra do Poder Popular para os Povos Indígenas da Venezuela, fez questão de enviar uma mensagem aos povos originários do Brasil que, neste momento, sofrem com os ataques de garimpeiros ilegais e estão ameaçados por políticas inconstitucionais propostas pela bancada ruralista, vivendo diariamente o descaso e o abandono do governo de Jair Bolsonaro (sem partido).

Por Martha Raquel e Juliana Medeiros

“Aos indígenas do Brasil, que vemos como irmãos porque estamos todos na Amazônia, envio uma mensagem de resistência”, disse a ministra no Congresso Bicentenário dos Povos do Mundo, que acontece até dia 24 de junho em Caracas. O evento marca os 200 anos da Batalha de Carabobo, em que o exército Bolívar venceu o exército do império espanhol na luta pela independência.

Segundo a ministra, é necessário colocar os povos indígenas no centro das políticas públicas.

“Podemos fazer uma comparação na Amazônia, podemos ver as diferenças de tratamento que recebem os povos indígenas na Amazônia no Brasil e na Colômbia, perante o tratamento e espaço dos povos indígenas na Venezuela. Nós, venezuelanos, temos orgulho de sermos indígenas, de sermos desta selva amazônica, de nos colocar como um país indígena”, pontuou Mirabal.

“Quando analisamos, a Venezuela é um dos países que mais avançou na questão indígena, graças à revolução, graças ao nosso presidente Nicolás Maduro, graças a Chávez. Porque nunca esquecemos de nossas origens”.

Já no Brasil, quase 500 indígenas se manifestavam em frente ao prédio da Fundação Nacional do Índio (FUNAI), em Brasília, quando foram atacados pela Polícia Militar com bombas de gás lacrimogêneo, bombas de efeito moral, balas de borracha e spray de pimenta.

A manifestação pacífica pedia o fim da agenda anti-indígena que tramita neste momento. Veja abaixo.

O Congresso como espaço de construção política e troca de experiências indígenas

A resistência indígena também foi assunto na mesa “Caracterização da América e suas regiões”. Após fazer uma saudação em sua língua originária, Yamilet Mirabal, saudou os povos originários da Pátria Grande – uma grande nação latino-americana, unida por traços culturais e sonhos comuns.

“Faço uma saudação em nome dos mais de 40 povos indígenas da Venezuela. Quem mais sabe sobre a história de resistência somos nós, os povos indígenas, que há mais de 520 anos seguimos resistindo e aqui estamos”.

A ministra reforçou a importância sobre trazer a pauta indígena para o congresso. “Este é um espaço para seguirmos avançando, unificando, porque todos os povos indígenas têm o mesmo objetivo, o mesmo sonho traçado”.

“E esse espaço que temos, dento e fora deste congresso, conquistamos com a revolução graças ao presidente Hugo Chávez Frias, que reivindicou e não invisibilizou, a luta dos povos originários. Agora a luta continua com Nicolás Maduro que, seguindo o legado de Chávez, mantém os povos indígenas à frente de todas as projeções políticas, nas organizações e na proteção social”, explicou.

“Podemos falar de muitas vitórias na Venezuela, algumas coisas faltam, mas sabemos que há caminhos para alcançá-las. Temos um desafio enorme com todos os povos da América Latina do Sul de construir e seguir consolidando uma força coletiva”, finalizou a ministra.

Marbelys del Valle Medina Gonzalez faz parte do setorial indígena que compõe o congresso e reforçou que é necessário unidade para que os povos originários possam avançar na conquista de seus direitos.

Sobre os ataques sofridos pelos indígenas brasileiros sob ameaça do PL 490, que pretende acabar com a demarcação de terras indígenas e liberar o garimpo ilegal, Gonzalez desejou força e resistência.

“Quero mandar, do mais profundo no meu coração, uma saudação da central bolivariana indigenista e chavista ao povo do Brasil. Quero pedir para que não se rendam, que lutem por seu espaço que ainda hoje precisa ser reivindicado”.

“Nós estivemos excluídos por 500 anos e agora comemoramos o 12 de outubro, Dia da Resistência Indígena. Estamos avançando. Aqui [na Venezuela] temos um sentimento patriota que nos deixou nosso comandante eterno Hugo Chávez e que damos continuidade com o governo de Nicolás Maduro”, disse.

Gonzalez pontuou que a luta nunca termina e que é preciso se fortalecer na unidade, na integração e no reconhecimento entre povos originários.

“Nosso presidente [Chávez] tinha um amigo no Brasil, que é Lula, e temos vocês, nossos irmãos, então dizemos ‘sigam seu coração, mantenham suas origens e sigam lutando pelos povos originários de todo o mundo'”, finalizou.

Veja mais: O que podemos aprender com a vitória de Carabobo na Venezuela

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