Protestos: Grande mídia não pôde mais esconder

Milhares de pessoas exigem em todo o país o impeachment do verme genocida e pedem vacina já!
No Jornal Nacional, os protestos tiveram mais de cinco minutos de exibição
No Jornal Nacional, os protestos tiveram cinco minutos e quarenta segundos de exibição

Por Sérgio Kraselis


No dia em que o Brasil atingiu a trágica marca de 500 mil mortos pela Covid-19, milhares de pessoas voltaram a ocupar as ruas de todo o país exigindo #forabolsonaro e #vacinajá, entre outras palavras de ordem.

Ao contrário do 29M, os protestos deste sábado 19J ocuparam desde as primeiras horas da manhã os principais canais de notícias na TV. Globonews, CNN, Bandnews e o site da Recordnews deram espaço às manifestações.

Chama a atenção que, ao contrário de 29M, os atos de 19J tiveram maior cobertura da Globonews, que durante todos as edições de seu jornal diário mostrou flashes ao vivo dos atos, com direito à análise de Natuza Neri e Júlia Duailibi dos efeitos políticos dos protestos sobre o governo federal. Até mesmo a CNN, sempre tímida em exibir reportagens contrárias ao governo, exibiu flashes ao vivo de diversas capitais onde ocorreram manifestações.

Mais uma vez, de forma ordeira e pacífica, os manifestantes foram às ruas protegidos por máscaras e munidos de álcool em gel, em defesa da vida e da democracia, uma atitude que não passou despercebida pelos jornalistas das emissoras de TV, que não deixaram de citar as aglomerações.

Os telejornais da TV Globo também se renderam aos protestos. O “Jornal Hoje” dedicou 3 minutos aos atos. Mas a mudança de tom veio no “Jornal Nacional”. Aos sábados, é comum que o principal noticioso do país tenha uma dupla de jornalistas de outras praças se revezando na bancada.

Nesse sábado, 19 de junho de 2021, os âncoras titulares William Bonner e Renata Vasconcellos foram ao ar com terno e vestido pretos. Anunciaram o meio milhão de mortos e os protestos. A emissora dedicou 5min40 às manifestações realizadas em 27 capitais, no Distrito Federal e em outras 366 cidades, segundo o fórum de organizadores, com imagens de Brasília, Rio de Janeiro, Belém, Recife, Maceió, Vitória, Belo Horizonte, Porto Alegre, Fortaleza, Salvador, Natal, Manaus e São Paulo, onde imagens aéreas mostraram a avenida Paulista tomada por milhares de pessoas que ocuparam em nove quarteirões os dois lados da via mais conhecida da cidade.

No final, sem citar Bolsonaro, em tom fúnebre, Bonner encerrou o telejornal com um editorial, algo não muito frequente no JN. No texto, lido por ele e Renata, falou sobre as 500 mil mortes por Covid-19. “O sentimento é de horror. E de uma solidariedade incondicional às famílias dessas vítimas” para, em seguida frisar que “foram muitos e muito graves os erros cometidos (com) a aposta insistente e teimosa em remédios sem eficácia, o estímulo frequente a aglomerações, a postura negacionista e inconsequente de não usar máscaras e, o pior, a recusa em assinar contratos para a compra de vacinas a tempo de evitar ainda mais vítimas fatais”.

Não precisa falar para quem foi o recado direto da emissora golpista, que mais uma vez tenta posar de isentona. “Tudo tem vários ângulos e todos devem ser sempre acolhidos para discussão. Mas há exceções. Quando estão em perigo coisas tão importantes como o direito à saúde, por exemplo. Ou o direito de viver numa democracia. Em casos assim, não há dois lados. E é esse o norte que o Jornalismo da Globo continuará a seguir”.

Protestos nos jornais

A “Folha de S. Paulo”, o maior jornal do país, manchetou: “Com maior adesão, novos protestos contra Bolsonaro atraem milhares pelo país”. Mas, e sempre tem um mas quando se trata da “Folha”, o jornal faz questão de frisar que a “presença ostensiva de partidos de esquerda nos atos deste sábado” dá brecha para bolsonaristas carimbarem atos como pró-Lula. Não pude ir até a avenida Paulista, mas pelas imagens da TV pude ver muitas bandeiras do Brasil, do Corinthians, do Palmeiras, do movimento LGBTQI+ e pessoas, milhares delas, pedindo vacina já, educação, auxílio emergencial, direitos aos negros e movimentos indígenas, entre outros.

O UOL, que pertence ao Grupo Folha, praticamente repetiu a manchete dos protestos de maio: “Ato em São Paulo toma avenida Paulista e pede a saída de Bolsonaro”. O portal destacou em outra chamada que o protesto atraiu moradores das periferias e região metropolitana e avaliou que as manifestações contra Bolsonaro se consolidam no xadrez eleitoral de 2022.

O conservador “O Estado de S. Paulo” saiu com a insossa chamada “Manifestantes vão às ruas contra Bolsonaro em 24 Estados e no Distrito Federal”. No exterior, “The Guardian” (Inglaterra), “La Nación” (Argentina) e o canal de notícias da TV “Al Jazeera” (Oriente Médio) também repercutiram as manifestações.

No 29M, foram vergonhosas as edições de “O Globo” e “O Estado de S. Paulo”, que simplesmente ignoraram a volta das pessoas às ruas no primeiro protesto desde o início da pandemia no Brasil, em março de 2020. Antes tarde do que nunca, desta vez, Globo e Estadão não puderam brigar com a notícia e estamparam os atos em suas capas com o crescimento dos protestos #forabolsonaro e #vacinajá.

A luta continua.

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