Professor é demitido por homofobia durante aula em Americana

Roberto Torezan foi demitido devido a denúncias feitas por alunos de que o professor cometeu crime de homofobia
Roberto Torezan, 67 anos. - Foto: Reprodução
Roberto Torezan, 67 anos. - Foto: Reprodução

O professor Roberto Torezan foi demitido da ETEC Polivalente de Americana por homofobia durante aula de matemática na instituição. A decisão foi publicada na segunda-feira (12) e divulgada aos alunos na manhã desta sexta-feira (16). O caso estava em julgamento desde fevereiro deste ano, quando os estudantes denunciaram o docente à direção.

Por: Dani Alvarenga

Roberto Torezan foi gravado durante 8 minutos enquanto discursava que não concordava com o casamento gay e nem com a adoção de crianças por pessoas homossexuais. As falas cheias de homofobia foram registradas por alunos do 2º ano do Ensino Médio durante a aula do dia 9 de fevereiro para a classe ADM2A.

As gravações mostram o professor declarando: “Eu sempre fui contra essas coisas, mas já estou aceitando. Por exemplo, dois homens morarem juntos, duas mulheres morarem juntas, não tem problema. Agora falar que vai no cartório, que vai se casar?”. 

Em outro trecho, Roberto Torezan conta ter ido a um casamento gay e que se incomodou com o casal falando que queria ter filhos. “Eu fui ao casamento, cês acreditam? Eu fui ao casamento de dois… Aí nesse casamento… É, casamento, se é que a gente pode falar [tom de deboche], bom, é, não vou ficar brigando por causa de…”, disse em aula. Então, continuou a revelar sua homofobia: “Na hora que terminou, eu não lembro quem é que foi, um ou outro, falou assim ‘nós vamos ter muitos filhos’. Que? Dois homens, muitos filhos?”. 

Ao ser questionado pelos estudantes, Roberto Torezan reforçou a homofobia ao relacionar a prostituição aos casais gays que recorrem à barriga de aluguel. “Peraí então, você quer juntar duas mulher e os outros que vão fazer filho procê [sic]? Barriga de aluguel? Barriga de aluguel? Isso se chama prostituição. Isso aí pra mim é ser prostituta”, declarou. 

Roberto Torezan ainda disse que a adoção por casais homossexuais é “moda” e considera que a prática irá fazer com que não nasçam mais crianças. “Eu sou contra. Então vamos imaginar que isso vire moda, como é que você vai adotar criança se não tem mais casal que gera filho?”, questionou. Confira o áudio completo aqui.

Após dois dias do caso de homofobia, os alunos da instituição realizaram um protesto contra o professor, em 11 de fevereiro.

COMENTÁRIOS

5 respostas

  1. Quanto mimimi, na moral, respeito todos, cada um tem sua opção sexual, porém, o simples fato de expressar uma opinião não caracteriza homofobia.

    1. Mas la não é lugar pra isso. ELE é professor de matemática

      1. Mas neste caso a demissão não poderia ser por homofobia. Ele foi demitido por expressar a opinião contrária à causa homoafetiva ou por expressar a opinião na aula de matemática? No primeiro caso a demissão foi descriminatória, no segundo caso, a demissão deveria se estender a professores que manifestam contrário a determinado time de futebol e até mesmo favorável à causa homoafetiva, afinal, seria expressada opinião na aula de matemática.

  2. Tava demorando. “Cheios de homofobia” os comentários. O senso de proporção das coisas foi pro ralo. “Fobia” foi importado do termo xenofobia após um psicólogo lançar a teoria de que o medo (fobia) estaria por trás do ataque a estrangeiros. Agora, mesmo sem atacar ninguém, sem qualquer violência, a simples manifestação do pensamento discordante é tomada como agressão física. É o mesmo que dizer que ateus são responsáveis pela igrejas incendiadas no oriente. É o fim.

  3. Ele, como qualquer outra pessoa, tem o direito de concordar ou discordar!!! Isso não pode ser considerado homofobia!!!

POSTS RELACIONADOS

Sítio de Ricardo Nunes em São Paulo fica em loteamento irregular

Prefeito de São Paulo tem 13 lotes em Engenheiro Marsilac, na APA Capivari-Monos, mas apenas quatro estão em seu nome; De Olho nos Ruralistas iniciou série sobre o poder em São Paulo, “Endereços”, contando que ele não tem o hábito de pagar o Imposto Territorial Rural

Quem vê corpo não vê coração. Na crônica de hoje falamos sobre desigualdade social e doença mental na classe trabalhadora.

Desigualdade social e doença mental

Quem vê corpo não vê coração.
Na crônica de hoje falamos sobre desigualdade social e doença mental. Sobre como a população pobre brasileira vem sofrendo com a fome, a má distribuição de renda e os efeitos disso tudo em nossa saúde.

Cultura não é perfumaria

Cultura não é vagabundagem

No extinto Reino de Internetlândia, então dividido em castas, gente fazedora de arte e tratadas como vagabundas, decidem entrar em greve.