Prestes a ser desocupada, Fábrica de Cultura do Capão Redondo recebe um “salve” do Mano Brown

 

Oitavo episódio: O dia em que Mano Brown manda um salve em solidariedade a todos os aprendizes das Fábricas de Cultura. Ele reitera seu apoio aos ocupados na Fábrica do Capão Redondo que estão prestes a serem despejados e faz votos para que a PM aja dentro da lei e sem violência

 

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A reintegração de posse da Fábrica de Cultura do Capão Redondo pode acontecer a qualquer momento. Os aprendizes, que tomaram conta do espaço e organizam atividades para a comunidade há um mês e 16 dias, sabem que a Polícia Militar já recebeu o mandado de despejo. Os policias do 37o. Batalhão da PM do Capão Redondo estão de prontidão e o clima é tenso entre as crianças e jovens que estão na Fábrica. Mano Brown, morador da área, mandou um vídeo para manifestar seu apoio à rapaziada: “que a PM aja dentro da lei e não aja com violência contra os adolescentes que estão lá exigindo os direitos deles. A Fábrica de Cultura é do povo, eles estão exigindo isso”.

A ocupação na Fábrica do Capão começou quando a Poiesis, Organização Social responsável pela gestão do local (que é dirigida por um fundador do PSDB), decidiu reduzir em quatro horas o horário da biblioteca da Fábrica. A justificativa era o corte de verbas. Sabe-se, no entanto, que essa era só mais uma das ações da política de sucateamento da cultura e educação promovida pelo governo do Estado. Antes mesmo de os educadores decretarem greve por causa dos rumores de cortes, a Poiesis já havia demitido 20% do quadro, por telegrama.

A greve dos educadores continua e outras Fábricas de Cultura aderiram ao movimento. Houve uma tentativa de ocupação na unidade do Jardim São Luís, fortemente repreendida pela PM e com denúncia de que policiais obrigaram aprendizes a apagar as fotos e gravações da ação. Um jovem foi preso e terá de responder por um processo de corrupção de menores.

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Na Fábrica de Cultura da Brasilândia, crianças e jovens foram obrigados a desocupar o espaço sem nenhum mandato judicial em menos de 24 horas de ocupação. A alegação era a de que eles haviam causado dano ao patrimônio público. O dano, no caso, era na porta de um elevador que teve de ser arrombado pelos bombeiros depois de cinco crianças passarem mal por estarem presas no local há horas. O elevador havia parado de funcionar porque faltou luz no local. Um detalhe curioso: naquele dia, só faltou luz na Fábrica de Cultura. O bairro todo estava iluminado.

O episódio rendeu a detenção de 11 crianças e 11 jovens. As crianças, todas devidamente apoiadas pelos seus pais, foram para a casa no mesmo dia. Os outros 11 jovens, no entanto, passaram 36 horas na cadeia. Sem nenhuma passagem antecedente pela polícia, todos terão de responder a processos sustentados no artigo 163 do código penal – dano qualificado – e por corrupção de menores, artigo 244b do Estatuto da Criança e do Adolescente.

A posição do juiz que liberou os jovens da cadeia depois da ocupação na Brasilândia revelou o óbvio: “o único pecado [dos jovens], ao quanto consta, seja o de resistir.”

A luta continua. Toda a atenção é necessária à desocupação da Fábrica de Cultura do Capão Redondo. Mano Brown mandou muito bem: “É era bom que as pessoas se informassem pra saber o porquê da atuação da rapaziada que está ocupando o espaço para não deixar fechar. A intenção é que tudo seja feito na paz e na ordem e que a democracia prevaleça e que o direito do povo seja preservado. Um abraço.”mano1

Abraço, Brown!

Por Flávia Martinelli, Adolfo Várzea e Sato do Brasil/Jornalistas Livres

Fotos e vídeo: Aprendizes de Olho – https://www.facebook.com/aprendizesdeolho

A série A VOZ DAS PERIFERIAS é uma reportagem especial dos Jornalistas Livres sobre as Fábricas de Cultura de São Paulo. Confira aqui os episódios anteriores

Primeiro episódio:

Segundo episódio:

Terceiro episódio:
https://jornalistaslivres.org/2016/06/voz-da-periferia-mais-uma-fabrica-de-cultura-e-ocupada/

Quarto episódio:

Quinto episódio:

Sexto episódio:

Sétimo episódio:
https://jornalistaslivres.org/2016/07/voz-das-periferias-uma-serie-dos-jornalistas-livres-sobre-as-fabricas-de-cultura-de-sao-paulo/

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